Há 50 anos, o Cruzeiro cravava seu primeiro título internacional em páginas heroicas e imortais. A conquista da Copa Libertadores de 1976 deu a glória eterna a um dos elencos mais estrelados da história do clube do Barro Preto, com nomes da estirpe de Joãozinho, Nelinho, Jairzinho e Palhinha. Este último foi o artilheiro da competição, com 13 gols.
Aliás, nenhum clube sul-americano marcou tantos gols em uma única edição do torneio quanto a Raposa naquele ano: foram 46, ao todo. E essa é apenas uma das inúmeras marcas e curiosidades daquele título, relembrado em detalhes por O TEMPO Sports neste 30 de julho.
Joãozinho, o Bailarino, é quem nos conduz. Aos 72 anos, o autor do “Gol Moleque”, na vitória celeste por 3 a 2 sobre o River Plate-ARG, ainda se lembra com carinho da campanha vitoriosa, coroada no Estádio Nacional do Chile. A partida precisou ser realizada antes das 21h em função do toque de recolher imposto pela ditadura de Augusto Pinochet.
“A comemoração no hotel foi discreta, nos quartos. A festa mesmo foi quando desembarcamos em Belo Horizonte, recebidos por carros do Corpo de Bombeiros desde o aeroporto. Seguimos em carreata até o campo do Barro Preto, que ficou lotado”, conta.
O jogador foi o camisa 10 naquela campanha e não por acaso. Joãozinho teve a numeração invertida com Dirceu Lopes por decisão do técnico Zezé Moreira. O comandante azul ficaria marcado na história do futebol pelas inovações táticas, dentre elas, a marcação foi zona e a introdução do esquema tático 4-3-3 (quatro defensores, três meias e três atacantes) no futebol brasileiro.
Superação
A trajetória até o títuto, porém, teve desafios para além das quatro linhas. Joãozinho se emociona ao falar do amigo Roberto Batata, atacante celeste que morreu em um acidente de carro um dia após a vitória do Cruzeiro por 4 a 0 sobre o Alianza Lima, no Peru, em 13 de maio de 1976.
“Ele viajou ao meu lado no avião. Conversamos a noite inteira. Não acreditei quando, no outro dia, me contaram que ele tinha falecido. Era um cara sensacional”, relembra Joãozinho, autor de dois gols naquela partida. Batata também balançou as redes, assim como Jairzinho.
A volta aos gramados após a tragédia ocorreu no dia 20 de maio. Entre as homenagens, toque de silêncio e pétalas de rosas espalhadas pelo gramado. A camisa 7 usada por Batata foi colocada ao lado do banco de reservas. E a força do Mineirão foi sentida de perto por cada jogador.
O Gigante da Pampulha, aliás, não viu o Cruzeiro perder naquela Libertadores: foram seis partidas, seis vitórias e média de público de cerca de 40 mil torcedores. O barulho ensurdecedor das arquibancadas virou combustível em campo.
“Você acha que dava para escutar treinador com a torcida cantando? De jeito nenhum. A gente sentia aquela vibração. A gente tinha responsabilidade, sabia o que fazer e fazia. Quando um não estava bem em campo, os outros jogavam por ele”, afirma Joãozinho, ao contar que talvez tenha sido justamente esse espírito coletivo que o levou a cobrar a falta que deu ao Cruzeiro o gol do título. Um 3 a 2 diante do River Plate-ARG em Santiago, no Chile.
O gol coroou de vez uma geração que nunca mais atuou junta. Após a conquista, vários jogadores deixaram a Toca da Raposa, principalmente em busca de melhores condições de trabalho em outros clubes. Ainda assim, o Cruzeiro voltou à decisão da Libertadores no ano seguinte, em 1977, mesmo com a equipe já desmontada. Como campeão da edição anterior, garantiu vaga direta na semifinal. Na disputa pelo título, diante do Boca Juniors, os argentinos levaram a melhor. Após empate por 0 a 0 no terceiro jogo, venceram a decisão nos pênaltis por 5 a 4.









Leave a Reply