O Campeonato Brasileiro de 2005 foi marcado por intensas disputas na parte de cima da tabela, com diversas equipes brigando rodada a rodada por uma cobiçada vaga na Taça Libertadores da América. Em um formato de pontos corridos que exigia extrema regularidade, o Internacional alternava momentos de genialidade com quedas de rendimento, buscando encontrar a estabilidade tática necessária para se consolidar definitivamente entre os líderes da principal competição nacional. O Lance! relembra Internacional 4 x 1 Cruzeiro no Brasileirão 2005.
Foi com esse espírito de retomada que o Colorado entrou no gramado do estádio Beira-Rio na tarde do dia 28 de agosto daquele ano. O confronto diante do Cruzeiro carregava fortes ares de revanche para os gaúchos, que haviam sido derrotados pelos mineiros por 3 a 2 no primeiro turno, em Belo Horizonte. Mais do que apenas somar os três pontos diante de sua torcida, a vitória significava o aguardado retorno do clube à zona de classificação para o prestigiado torneio continental.
Do outro lado, a equipe do Cruzeiro desembarcou em Porto Alegre lidando com uma enorme dor de cabeça no setor ofensivo. O time comandado pelo técnico Paulo César Gusmão precisava aprender a jogar pela primeira vez sem a sua principal referência na área: o atacante Fred, que havia acabado de ser vendido em uma negociação milionária para o Lyon, da França. Essa ausência de peso abalou a confiança da equipe celeste, que encontrou imensas dificuldades para furar o forte bloqueio adversário.
Internacional 4 x 1 Cruzeiro no Brasileirão 2005
Para aproveitar o momento de instabilidade do rival e comandar a vitória, o Internacional contou com a tarde inspiradíssima do seu eterno e saudoso capitão. Fernandão, que amargava um incômodo jejum de três meses sem balançar as redes atuando no Beira-Rio, escolheu o momento perfeito para fazer as pazes definitivas com as arquibancadas. Demonstrando sua habitual inteligência, técnica refinada e presença de área, ele assumiu a responsabilidade de decidir o grande duelo.
Sob o comando do técnico Muricy Ramalho, o que se viu em campo foi um Internacional absoluto, impondo um ritmo asfixiante desde o apito inicial. Sem dar tempo para o Cruzeiro respirar, a equipe gaúcha construiu uma imponente goleada por 4 a 1, com amplo domínio técnico e tático. O placar elástico serviu para devolver a maior goleada histórica entre os dois clubes (que pertencia aos mineiros desde 1993) e incendiou as arquibancadas do gigante à beira do Guaíba.
O início avassalador e o fim do jejum do capitão
Logo no primeiro minuto de jogo, o Internacional deixou claro que não daria a menor chance de respiro ao adversário. O volante Edinho avançou com liberdade pela esquerda e cruzou para a área; após um bate-rebate da defesa mineira, o jovem atacante Rafael Sobis aproveitou a sobra e completou firme de perna esquerda, abrindo o placar de forma relâmpago. Pressionado no seu próprio campo de defesa, o Cruzeiro raramente conseguia passar da linha intermediária nos minutos iniciais.
O domínio absoluto do Inter se transformou no segundo gol aos 26 minutos. Jorge Wagner cobrou escanteio pela direita e Fernandão subiu mais do que todo mundo para cabecear. A bola ainda sofreu um leve desvio na zaga celeste e foi morrer no ângulo esquerdo do goleiro Fábio. O tento encerrou a seca do ídolo colorado no estádio e fez a torcida vibrar. Antes do intervalo, aos 38 minutos, Kelly ainda encontrou um espaço e descontou de cabeça para os mineiros após cobrança de falta de Maldonado, dando um fio de esperança aos visitantes.
O golpe de misericórdia na etapa complementar
A exigência do técnico Paulo César Gusmão no vestiário por uma “mudança de atitude” não surtiu o efeito desejado no time do Cruzeiro. O Inter retornou para o segundo tempo ainda mais agressivo e disposto a liquidar a fatura. Aos 5 minutos, Jorge Wagner fez ótima jogada pela esquerda e cruzou rasteiro para o meio da área; Tinga se antecipou à marcação de forma inteligente e bateu de pé direito. A bola saiu prensada e entrou de forma chorada, ampliando o marcador para 3 a 1.
Desesperado e no tudo ou nada, o treinador mineiro lançou sua equipe ao ataque com a entrada de Lopes, mas esbarrou em uma grande defesa do goleiro Clemer. O golpe final que coroou a tarde de gala ocorreu aos 29 minutos. Em jogada de muita visão, Tinga encontrou Fernandão completamente livre na cara do gol. O capitão teve extrema frieza para deslocar o goleiro Fábio e tocar no canto esquerdo, fechando a goleada em 4 a 1, garantindo o delírio da torcida e colocando o Inter na terceira posição do campeonato.
Ficha técnica de Internacional 4 x 1 Cruzeiro no Brasileirão 2005
- Competição: Campeonato Brasileiro de 2005 – Primeiro Turno
- Data: 28 de agosto de 2005 (Domingo)
- Local: Estádio Beira-Rio, Porto Alegre (RS)
- Árbitro: Cleber Welington Abade (SP)
- Auxiliares: Marinaldo Silvério e Nilson Souza Monção (ambos de SP)
- Cartões amarelos: Índio e Gavilán (Internacional); Leandro (Cruzeiro)
- Gols:
- Internacional: Rafael Sobis (1’/1ºT), Fernandão (26’/1ºT e 29’/2ºT) e Tinga (5’/2ºT)
- Cruzeiro: Kelly (38’/1ºT)
Escalações:
- INTERNACIONAL: Clemer; Índio (Bolívar), Wilson e Edinho; Elder Granja, Gavilán, Perdigão (Ricardinho), Tinga (Wellington) e Jorge Wagner; Fernandão e Rafael Sobis. Técnico: Muricy Ramalho.
- CRUZEIRO: Fábio; Moisés, Irineu (Diego) e Leandro; Jonathan (Lopes), Maldonado, Diogo, Kelly e Wagner (Martinez); Adriano e Adriano Louzada. Técnico: Paulo César Gusmão.











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