Da euforia à decepção: como brasileiros que torcem pela Argentina assistiram à final da Copa em São
Bairro da Mooca foi tomado por brasileiros para torcer a favor de Lionel Messi e cia.
A Copa do Mundo 2026 serviu de laboratório para uma série de novidades implementadas pela International Football Association Board (Ifab), órgão responsável pela regulamentação das leis do futebol. Grande parte das mudanças, que visam especialmente o combate ao antijogo, serão adotadas pela arbitragem mundial. Contudo, as federações da América do Sul e da Europa já avisaram que não vão adotar a “Lei Vini Jr.”, aprovada às vésperas do Mundial e que resultou na expulsão de um jogador durante o torneio.
Em 28 de abril, a Ifab aprovou por unanimidade, em reunião no Canadá, a aplicação de cartão vermelho para qualquer jogador que cobrir a boca durante uma discussão com o adversário. A medida foi motivada após o brasileiro Vinicius Junior, do Real Madrid, denunciar o meia argentino Gianluca Prestianni, do Benfica, por proferir insultos racistas cobrindo a boca com a camisa em jogo da Champions League.
A regra foi aplicada pela primeira vez em 20 de junho, na partida entre Turquia e Paraguai, em jogo válido pela segunda rodada do Grupo D. O paraguaio Miguel Almirón foi expulso após cobrir a boca durante uma discussão com um jogador adversário. O árbitro salvadorenho Ivan Cisneros foi alertado pelo VAR e aplicou o cartão vermelho. Apesar da expulsão, a seleção sul-americana acabou vencendo por 1 a 0.
Além de Almirón, outro jogador acabou expulso pela nova regra. O zagueiro equatoriano Piero Hincapié recebeu cartão vermelho após cobrir a boca durante uma discussão com o mexicano Santiago Giménez, aos 49 minutos do segundo tempo da vitória do México por 2 a 0 sobre o Equador. A infração foi identificada pela equipe de vídeo, que alertou o árbitro para aplicar a punição.

Vini Jr. inspirou norma da Ifab, mas Conmebol e Uefa descartam punir jogadores que cubram a boca em discussões com cartão vermelho. Foto: Werther Santana/Estadão
A Conmebol divulgou, em 14 de julho, uma edição atualizada do livro de regras da entidade já com as novas diretrizes da Ifab para coibir o antijogo, como o limite de tempo para cobranças de lateral, tiro de meta e substituições. Contudo, a entidade sul-americana informou que resolveu não adotar a “Lei Vini Jr.” para os jogos da Libertadores e Copa Sul-Americana.
“A Conmebol decidiu não implementar a disposição opcional prevista pela Ifab que contempla a expulsão de jogadores que cubram a boca ao se comunicarem com um adversário durante uma partida”, diz trecho do comunicado da entidade sul-americana.
Diferentemente das regras que visam acelerar o jogo, reduzir o tempo perdido, a “Lei Vini Jr.” foi enquadrada pelo Ifab como “opções de competição”. Ou seja, a norma é implementada a critério do respectivo organizador da competição.
A Uefa vai pelo mesmo caminho e também não irá adotar a norma a partir da temporada 2026/27 para competições europeias, como a Champions League, frequentemente disputada pelo Real Madrid de Vini Jr. A federação ponderou sobre o assunto em nota oficial divulgada em 2 de julho.
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“Deve-se ressaltar que, dependendo da avaliação de cada situação (confrontos, reações, etc.), os árbitros podem considerar o ato de cobrir a boca, na tentativa de ocultar a comunicação, como uma atitude antidesportiva passível de punição com cartão amarelo. Isso ocorre, evidentemente, sem prejuízo de qualquer investigação ou procedimento disciplinar que possa ser instaurado em decorrência ou em conexão com tal comportamento”, diz o documento.
Interpretação da ‘Regra Embolo’ em pauta
Outra aplicação de nova regra da Ifab que chamou atenção na Copa do Mundo foi o “protocolo por erro de identidade”. Na vitória dos Estados Unidos por 4 a 1 sobre o Paraguai, na estreia da seleções na Copa do Mundo, o árbitro holandês Danny Makkelie anulou o cartão amarelo aplicado por engano ao zagueiro Tim Ream após revisar o lance no VAR. Em seguida, advertiu Miguel Almirón por simulação, ao concluir que o paraguaio havia tentado cavar a falta.
A maior polêmica, porém, aconteceu em Argentina x Suíça, duelo que valia vaga na semifinal. Os suíços pressionavam e haviam acabado de empatar a partida quando Breel Embolo simulou uma falta de Leandro Paredes. Inicialmente, o árbitro português João Pinheiro advertiu o argentino com cartão amarelo, mas foi chamado ao monitor pelo VAR. Após revisar o lance, anulou a punição a Paredes e aplicou o amarelo ao atacante suíço. Como Embolo já havia sido advertido, acabou expulso. Com um jogador a mais, a Argentina dominou a prorrogação, venceu por 3 a 1 e garantiu a classificação.
De acordo com a BBC, a Uefa instruiu seus árbitros assistentes de vídeo a não considerarem uma possível simulação como erro de identificação, tal como ocorreu na Copa. De acordo com a publicação, a federação europeia acredita se tratar de uma decisão puramente factual que não exige que o árbitro consulte o monitor e que a simulação não é um caso de identificação equivocada.
Os árbitros principais dos 54 países membros da Uefa devem realizar uma cúpula na próxima semana para discutir todos os aspectos da utilização do VAR.
Segundo o livro de regras da Ifab, “o erro de identificação ocorre quando o árbitro aplica um cartão amarelo ou vermelho, mas claramente penaliza o jogador errado — de qualquer uma das equipes — pela infração em questão; a infração em si não pode ser revisada, exceto no contexto do erro de identificação.”
“Se o árbitro penalizar uma infração, mas tiver identificado erroneamente o jogador que a cometeu, apenas a identidade do infrator poderá ser revisada.”
E no Brasil?
A CBF convocou clubes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro para uma série de reuniões a partir de agosto. O primeiro encontro acontece no dia 10, quando haverá um debate se as novas regras da Ifab utilizadas na Copa do Mundo serão implementas no futebol brasileiro. Até lá, os times do País só vão atuar sob as normas mais recentes em competições da Conmebol.










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