As oitavas de final da Copa do Mundo recolocam América do Sul e Europa frente a frente em jogos decisivos. Brasil e Paraguai enfrentam Noruega e França, respectivamente, com a chance de ampliar uma vantagem histórica construída ao longo de quase um século de confrontos eliminatórios entre seleções dos dois continentes.
Desde a primeira Copa, em 1930, sul-americanos e europeus já se enfrentaram 66 vezes em mata-matas de Mundial. O retrospecto favorece a América do Sul, com 35 classificações contra 31 da Europa.
O Brasil lidera esse recorte entre as seleções sul-americanas. A Seleção já eliminou europeus 16 vezes em jogos decisivos de Copa. A Argentina aparece em seguida, com 11 classificações, enquanto o Uruguai soma quatro. Do lado europeu, a Alemanha é quem mais venceu sul-americanos em mata-matas, com sete classificações, seguida pela França, com seis, e pela Inglaterra, com três.
A tendência recente também pesa a favor dos sul-americanos. Nas últimas três edições da Copa, ao menos uma seleção europeia foi eliminada por uma equipe da América do Sul. Em 2014, a Argentina passou por Suíça, Bélgica e Holanda antes de chegar à final. Em 2018, o Uruguai eliminou Portugal nas oitavas. Em 2022, a Argentina tirou Holanda, Croácia e França no caminho para o tricampeonato.
Nesta edição, o Paraguai já reforçou a escrita ao eliminar a Alemanha nos pênaltis, em uma das grandes surpresas do torneio. Agora, a equipe terá pela frente a França, atual vice-campeã mundial e uma das favoritas ao título.
— O desempenho recente do Paraguai e de outras seleções sul-americanas na Copa é reflexo de uma nova geração de atletas: taticamente maduros, mentalmente resilientes e que entram em campo de igual para igual contra qualquer potência europeia — afirma Cláudio Fiorito, CEO da P&P Sport Management.
O Brasil, por sua vez, chega ao duelo contra a Noruega tentando confirmar o favoritismo e manter sua tradição em confrontos decisivos contra europeus. A Seleção busca vaga nas quartas após eliminar o Japão na fase anterior.
O domínio sul-americano é ainda mais expressivo quando os confrontos vão para os pênaltis. Das 12 disputas eliminatórias entre seleções dos dois continentes decididas dessa forma, nove terminaram com classificação sul-americana e apenas três com vitória europeia. A lista inclui duas finais: Brasil sobre Itália, em 1994, e Argentina sobre França, em 2022.
— As seleções sul-americanas têm uma característica muito forte de competir sob pressão, entender o contexto do torneio e transformar equilíbrio em resultado. Quando observamos quatro Copas consecutivas com eliminações de europeus por sul-americanos, deixa de ser coincidência e passa a refletir uma cultura competitiva consolidada — analisa Guilherme Bellintani, CEO da Squadra Sports.











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