Única sul-americana nas quartas, Argentina repete feito visto somente 6 vezes em Copas – Brasil 247


247 – A Argentina chega às quartas de final da Copa do Mundo de 2026 como a única representante da América do Sul entre os oito melhores. O dado coloca o Mundial deste ano em um recorte histórico incomum: apenas seis edições anteriores tiveram somente uma seleção sul-americana nessa fase decisiva da competição.

A equipe argentina se tornou a única representante da Conmebol ainda viva no torneio após as eliminações de Brasil, Paraguai e Colômbia nas oitavas de final. A seleção comandada por Lionel Scaloni enfrentará a Suíça no sábado (11), em busca de uma vaga na semifinal.

As quartas de final de 2026 têm predomínio europeu. França, Espanha, Bélgica, Noruega, Inglaterra e Suíça representam o continente, enquanto Marrocos mantém a África na disputa. Nesse cenário, a Argentina concentra a responsabilidade simbólica de manter a América do Sul na briga pelo título mundial.

A raridade do recorte aparece na comparação com a história das Copas. Apenas os Mundiais de 1938, 1958, 1982, 1990, 1994 e 2002 haviam registrado exatamente um sul-americano entre os oito melhores. A edição de 2026 passa a ser a sétima ocorrência desse fenômeno.

A primeira vez foi em 1938, na França. O Brasil apareceu como único representante sul-americano na fase decisiva, avançou até a semifinal, perdeu para a Itália e terminou em terceiro lugar ao derrotar a Suécia. A campanha foi a melhor da seleção brasileira até aquele momento e antecipou o protagonismo que o país assumiria no torneio nas décadas seguintes.

Em 1958, na Suécia, o Brasil voltou a ser o único sul-americano entre os oito. Desta vez, transformou o isolamento continental em conquista histórica. A seleção venceu País de Gales nas quartas, superou a França na semifinal e derrotou os donos da casa na decisão. Foi o primeiro título mundial brasileiro e o torneio que apresentou Pelé ao mundo.

O caso de 1982 tem uma particularidade. Na Copa da Espanha, o formato da competição não tinha quartas de final nos moldes atuais. Brasil e Argentina chegaram à segunda fase, mas, no recorte dos oito melhores, apenas a seleção brasileira aparece. A equipe comandada por Telê Santana venceu os argentinos por 3 a 1, mas acabou eliminada pela Itália em uma das partidas mais marcantes da história dos Mundiais.

A Argentina viveu situação semelhante em 1990, na Itália. Naquele ano, foi a única representante sul-americana entre os oito melhores. Liderada por Diego Maradona, eliminou a Iugoslávia nos pênaltis, passou pela Itália na semifinal e chegou à decisão contra a Alemanha Ocidental. O título ficou com os alemães, mas a campanha argentina levou a América do Sul até a final.

Em 1994, nos Estados Unidos, o Brasil voltou a sustentar sozinho o continente na reta decisiva. A seleção eliminou a Holanda nas quartas, derrotou a Suécia na semifinal e conquistou o tetracampeonato diante da Itália, nos pênaltis. A Argentina havia caído nas oitavas diante da Romênia, em uma campanha marcada pela suspensão do craque Diego Armando Maradona.

A última Copa antes de 2026 com apenas um sul-americano entre os oito melhores havia sido a de 2002, disputada na Coreia do Sul e no Japão. O Brasil foi novamente o único representante do continente na fase final e terminou campeão. A equipe passou por Inglaterra, Turquia e Alemanha na sequência decisiva e conquistou o pentacampeonato, com Ronaldo como principal nome da final.

O histórico mostra que a presença solitária de uma seleção sul-americana nas quartas não representa, necessariamente, enfraquecimento competitivo na disputa pelo título. Em três dessas ocasiões — 1958, 1994 e 2002 — o único representante do continente foi campeão. Em 1990, a Argentina chegou à final. Ainda assim, o quadro de 2026 evidencia uma participação coletiva mais restrita da Conmebol, especialmente após a queda precoce do Brasil.

Agora, a Argentina tenta transformar a condição de única sobrevivente regional em nova campanha de alcance histórico. A equipe enfrenta a Suíça no sábado (11), enquanto a Europa tenta ampliar seu domínio numérico na reta final e Marrocos preserva a presença africana entre os oito melhores.

A lista histórica das Copas com apenas um sul-americano entre os oito melhores é formada por 1938, com o Brasil; 1958, com o Brasil; 1982, com o Brasil; 1990, com a Argentina; 1994, com o Brasil; 2002, com o Brasil; e 2026, com a Argentina. O dado reforça o peso simbólico da campanha argentina e coloca a atual campeã mundial diante de uma missão rara na história das Copas.

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