O Bitcoin era negociado perto de US$ 64.270 em 5 de agosto, com alta inferior a 1% no dia. Ainda assim, o avanço ocorreu em um ambiente de recordes nas bolsas e de queda no petróleo, sem reação mais forte da principal criptomoeda.
Na última semana, o ativo ficou praticamente estável. Mesmo assim, seguia cerca de 49% abaixo da máxima de outubro de 2025, quando superou US$ 126.000.
Entre outras criptomoedas, o desempenho foi misto. Ether e XRP recuaram, enquanto BNB e HYPE, da Hyperliquid, avançaram.
Ao mesmo tempo, os mercados acionários se moveram com mais intensidade do que o mercado cripto. O S&P 500 e o Dow Jones fecharam o pregão em máximas recordes. Na Ásia, o rali também ganhou força após resultados robustos ligados à inteligência artificial. O índice Nikkei, do Japão, subiu 3,5%, enquanto o principal indicador da Coreia do Sul avançou 4,3%.

Petróleo, juros e fluxo de ETFs entram no radar
O barril do petróleo Brent caiu para perto de US$ 78,85. Por isso, operadores acompanham a possibilidade de um acordo entre Estados Unidos, Irã e Omã.
Segundo a Axios, os três lados se aproximavam de um acordo temporário para reabrir o Estreito de Ormuz. O anúncio era esperado já na quarta-feira.
Trump afirmou que um acerto poderia sair na quarta ou na quinta-feira. Até a publicação do relatório original, porém, nenhum acordo havia sido assinado.
Em condições normais, petróleo mais barato e rendimentos menores dos títulos públicos tenderiam a favorecer o Bitcoin. Isso ocorre porque a queda do petróleo pode aliviar a inflação. Além disso, juros menores costumam tornar o ativo mais atraente para investidores.
No entanto, a reação contida sugere que a demanda por criptomoedas continua fraca. De acordo com a Farside Investors, os ETFs spot de Bitcoin nos Estados Unidos registraram entrada de US$ 19,6 milhões em 4 de agosto.
Esse movimento ocorreu depois de um período mais negativo. Três dias antes, os fundos haviam acumulado cerca de US$ 265 milhões em saídas.
Além disso, a Strategy vendeu 1.638 BTC por aproximadamente US$ 105 milhões. Mesmo após a operação, a empresa ainda mantinha 842.138 BTC.
Mercado monitora resistências de curto prazo
O analista Ali Martinez afirmou que o Bitcoin precisa fechar acima de US$ 64.300 no gráfico de quatro horas. Segundo ele, esse patamar pode confirmar um rompimento em direção a US$ 65.500 ou US$ 66.500.
“Se você está otimista com o Bitcoin, observe isso. O BTC está testando o limite superior de um canal de baixa, o que faz de US$ 64.300 o nível-chave a ser acompanhado.
Um fechamento de quatro horas acima de US$ 64.300 pode confirmar o rompimento e abrir caminho para uma alta até US$ 65.500 ou até US$ 66.500.”
Ali Charts, no X
Os alvos citados por Martinez dependem desse fechamento acima da resistência. Portanto, não representam resultados garantidos.
No gráfico diário, o Bitcoin aparecia perto da faixa intermediária das Bandas de Bollinger, em torno de US$ 64.404. A resistência estava perto de US$ 66.285, enquanto o suporte ficava mais próximo de US$ 62.524.
Hayes alerta para dívida ligada à infraestrutura de IA
Arthur Hayes, cofundador da BitMEX, apresentou uma leitura mais ampla do cenário. Ele comparou a dívida ligada ao boom de infraestrutura de inteligência artificial à crise de crédito de 2008.
Na avaliação de Hayes, as big techs tratam os gastos com data centers mais como dívida imobiliária do que como investimento em crescimento. Assim, ele espera que uma desaceleração nos aportes em IA exponha tomadores mais frágeis.
Hayes projetou que o Bitcoin poderia operar entre US$ 60.000 e US$ 70.000, com possibilidade de queda até US$ 50.000. Depois disso, segundo ele, uma eventual resposta governamental a qualquer crise de crédito poderia levar o ativo para acima de US$ 1 milhão.
A Reuters informou que Microsoft, Meta, Oracle, Amazon e Alphabet assumiram cerca de US$ 1,09 trilhão em compromissos futuros de locação de data centers. Esse valor é quase quatro vezes superior aos passivos de arrendamento atualmente reconhecidos por essas empresas.
No grupo, a dívida da Oracle chamou mais atenção. Sua relação entre dívida e lucro estava em 4,3 vezes, enquanto as outras quatro companhias permaneciam abaixo de uma vez.
Agora, traders acompanham se um acordo confirmado sobre o Estreito de Ormuz poderá empurrar o Bitcoin acima de US$ 64.300 e romper a resistência próxima de US$ 66.000.









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