Mais de 40 empresas de criptomoedas publicaram uma carta aberta em 10 de agosto pedindo que laboratórios de IA de ponta concedam a pesquisadores de segurança do Bitcoin devidamente credenciados acesso controlado aos seus modelos mais avançados. O Bitcoin Policy Institute coordenou o pedido, que envolve uma infraestrutura que protege mais de US$ 1 trilhão em valor.
Defensores Bloqueados pelas Mesmas Barreiras que os Atacantes Contornam
A carta, intitulada “Defenders Need the Frontier” (Os defensores precisam da fronteira tecnológica), argumenta que os sistemas de IA disponíveis publicamente impõem restrições de segurança que impedem pesquisas legítimas de cibersegurança. Os mantenedores de projetos open-source são forçados a depender de modelos de peso aberto mais fracos, enquanto atacantes sofisticados não enfrentam restrições comparáveis, informou a Bitcoin.com News.
Entre os signatários estão Block, Coinbase, Strategy, MARA, Galaxy, BitGo, Blockstream, Anchorage Digital, ARK Invest, Bitwise, Kraken, Ledger, Foundry, Trezor, BTCPay Server, e grupos de desenvolvedores como Brink, Chaincode Labs, OpenSats e Btrust.
A coalizão pediu acesso antecipado a modelos de cibersegurança de ponta, capacidade computacional dedicada, um ambiente de pesquisa seguro e canais diretos com as equipes de segurança dos laboratórios de IA, segundo a crypto.news.
Aumento no Número de Incidentes Reforça a Urgência
“A IA de ponta está mudando a economia tanto da pesquisa de segurança quanto das operações cibernéticas”, afirma a carta. Os signatários não pediram acesso público irrestrito. Eles propuseram “programas permanentes de acesso confiável para defensores qualificados de infraestrutura financeira open-source”, nos quais pesquisadores passam por um processo de verificação antes de receber recursos restritos ao público em geral.
Os números por trás do pedido são expressivos. A SlowMist registrou 182 incidentes de segurança em blockchain no primeiro semestre de 2026, resultando em perdas de aproximadamente US$ 956 milhões, segundo o relatório semestral da empresa. Isso se compara a 121 incidentes e US$ 2,37 bilhões em perdas no mesmo período de 2025. A frequência de incidentes subiu cerca de 50%, mesmo com a perda média por evento caindo de forma acentuada.
Um Caso de Teste do Bitcoin Red Team
A carta veio após semanas de trabalho prático do Bitcoin Red Team, um grupo voluntário liderado por Calle que utilizou modelos de IA em conjunto com revisão manual para analisar repositórios open-source.
O colaborador do Bitcoin Red Team, Calle, publicou no X em 13 de agosto que o esforço gerou revelações, descrevendo-o como “uma colisão massiva entre décadas de código open source humano malfeito e 2 semanas de kimi k3”, informou a Cryptopolitan. O Kimi é desenvolvido pelo laboratório chinês de IA Moonshot.
Separadamente, um estudo da Ethereum Foundation em julho utilizou agentes de IA coordenados para identificar vulnerabilidades genuínas no software do Ethereum, incluindo uma falha na libp2p posteriormente divulgada como CVE-2026-34219. Esse precedente demonstrou que a IA pode encontrar falhas reais em código de blockchain em produção, e não apenas fraquezas teóricas.
A TRM Labs forneceu um dado paralelo, contabilizando 207 incidentes e US$ 972 milhões em perdas no mesmo período do primeiro semestre de 2026, confirmando a tendência de alta frequência e menor gravidade.
Até o momento da publicação, nenhum laboratório de IA de ponta havia anunciado publicamente um programa em resposta aos pedidos específicos da coalizão. Se os laboratórios de fronteira concordarão com o modelo proposto determinará a rapidez com que o desequilíbrio entre atacantes e defensores se estreitará ou se ampliará.









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