Não é apenas dinheiro “tradicional” que os brasileiros esquecem em contas inativas, como aponta mensalmente o Sistema de Valores a Receber (SVR) do Banco Central. O fenômeno também acontece no mundo cripto. Um levantamento do Mercado Bitcoin (MB) mostra que mais de 700 mil brasileiros mantêm saldos parados em contas da plataforma há pelo menos um ano, somando quase R$ 320 milhões.
Ao contrário do SVR, que reúne recursos esquecidos em instituições financeiras, os valores identificados pelo Mercado Bitcoin permanecem nas carteiras de clientes que deixaram de acessar ou movimentar suas contas. Segundo a empresa, esse patrimônio ainda se valorizou em mais de R$ 30 milhões durante o período de inatividade.
O levantamento indica que boa parte desses investidores entrou no mercado de criptomoedas durante os ciclos de maior interesse pelo tema e simplesmente deixou os ativos parados. Em muitos casos, a estratégia involuntária acabou favorecendo os resultados, especialmente para quem tinha Bitcoin.
Entre os 318 mil clientes inativos com saldo na principal criptomoeda do mercado, 91% registraram valorização patrimonial, acumulando R$ 68 milhões em ganhos. Segundo o estudo, todos os investidores que mantiveram Bitcoin por mais de dois anos obtiveram retorno positivo, e entre aqueles com ativos esquecidos há mais de cinco anos — cerca de 170 mil pessoas — não foi identificado nenhum caso de perda patrimonial.
Os dados também reforçam a diferença entre horizontes de investimento. Quem permaneceu com o Bitcoin parado por mais de cinco anos acumulou valorização média de 50%, enquanto os clientes com período de um a dois anos tiveram ganho de 9%. O levantamento ressalta que esse desempenho considera o atual ciclo de baixa do mercado, após a queda registrada desde a máxima histórica do Bitcoin em outubro de 2025.
Para Fabrício Tota, vice-presidente de Negócios Cripto do Mercado Bitcoin, o estudo mostra que muitos investidores acabaram experimentando, sem perceber, um dos principais atributos do Bitcoin: o potencial de valorização no longo prazo. Segundo ele, o tempo de exposição ao mercado pode ser um fator determinante para a construção de patrimônio com ativos digitais.









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