OranjeBTC prepara ETF na B3 com ações preferenciais de empresas expostas a bitcoin | Finanças


A OranjeBTC prepara o lançamento do Digital Yield ETF, fundo de índice que terá como referência ações preferenciais perpétuas emitidas por empresas listadas nos Estados Unidos com bitcoin em seus balanços. O produto, que terá o ticker DIGY11, deve estrear na B3 em setembro, segundo Guilherme Gomes, fundador e CEO da companhia.

A estrutura do fundo foi desenhada para oferecer exposição a uma classe de ativos ainda pouco acessível ao investidor brasileiro: papéis preferenciais de companhias que usam bitcoin como ativo de reserva. Diferentemente dos ETFs de criptoativos já listados no país, o DIGY11 não investirá diretamente em bitcoin nem buscará acompanhar a variação da criptomoeda, embora fique exposto a empresas que mantêm bitcoin como ativo relevante no balanço.

O ETF seguirá o MarketVector Bitcoin Treasury Preferred Equity BRL Hedged Index, desenvolvido em parceria com a MarketVector, provedora de índices do grupo VanEck. Segundo Gomes, o índice considera ações preferenciais perpétuas de empresas com pelo menos 4 mil bitcoins em caixa e nas quais a criptomoeda represente ao menos 50% dos ativos totais. Também entram na seleção critérios como alavancagem, liquidez, volume negociado e volatilidade.

Na largada, apenas dois papéis são elegíveis: STRC, emitido pela Strategy, maior detentora corporativa de bitcoin do mundo, e SATA, da Strive, gestora de ativos listada na Nasdaq e também voltada a estratégias de tesouraria em bitcoin. De acordo com Gomes, esses instrumentos movimentam, juntos, cerca de US$ 300 milhões por dia no mercado americano. “A gente achou interessante pegar uma nova classe de ativos, bem-sucedida nos Estados Unidos, com liquidez robusta, e transformar isso em um produto local, negociado na B3”, disse.

A OranjeBTC fará um aporte inicial de R$ 25 milhões no fundo, vindo da própria tesouraria da companhia. A gestão será da 3R Investimentos, com administração fiduciária do Banco Daycoval. O produto terá proteção cambial e custo total estimado em 1,30% ao ano, incluindo taxa de gestão de 0,90%.

Segundo a companhia, a estimativa é que o fundo distribua proventos mensais equivalentes ao CDI mais 3 a 5% ao ano, sem considerar a variação do preço das cotas. A empresa afirma que a proteção cambial busca reduzir o impacto das oscilações do dólar sobre o retorno em reais.

O CEO da OranjeBTC afirmou também que o produto mira investidores que buscam renda recorrente, mas não necessariamente querem exposição direta ao bitcoin. “É um perfil mais com renda mensal, para quem pensa mais com cabeça de rentista”, disse. Segundo ele, o varejo deve ser o primeiro público do ETF, embora a companhia veja potencial de demanda também entre fundos e investidores institucionais.



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