Petróleo dá trégua, mas Bitcoin ainda espera sinal que pode destravar preço


Em um início de semana marcado pelo alívio do conflito no Oriente Médio e pela queda do petróleo, o mercado de criptoativos opera em clima de cautela, à espera de uma sequência de eventos que pode definir a direção dos preços. O Bitcoin (BTC) opera praticamente estável, na faixa dos US$ 65 mil, em um momento em que investidores evitam assumir posições mais agressivas antes da decisão de juros do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), na quarta-feira (29).

Por volta das 12h (horário de Brasília), a principal representante do segmento era negociada perto de US$ 64 mil, após oscilar entre US$ 64.400 e US$ 65.600 nas últimas 24 horas, segundo dados da plataforma agregadora de preços Coingecko.

Ainda assim, o mercado segue longe de um consenso. Além da decisão do Fed, os investidores acompanharão nesta semana o índice de inflação PCE — a medida preferida do banco central americano — e os balanços de Microsoft, Meta, Apple e Amazon, que podem influenciar o apetite por ativos de risco em um momento de questionamentos sobre o ciclo de investimentos em inteligência artificial.

Para Marco Aurélio de Camargos, diretor de investimentos da Vault Capital, o Bitcoin permanece “travado” em uma faixa estreita de preços, sem força suficiente para confirmar uma tendência de alta ou de baixa. Segundo ele, a combinação entre a decisão do Fed, os dados de inflação e a redução de mecanismos que vêm amortecendo a volatilidade pode tirar o mercado dessa fase de indefinição.

Na mesma linha, Gil Herrera, diretor de estratégia e operações da Bitget, afirma que a melhora recente no sentimento dos investidores ainda é limitada. Embora os ETFs de Bitcoin nos Estados Unidos tenham registrado a terceira semana seguida de mais entradas de recursos do que resgates, o volume permanece modesto e foi parcialmente anulado por fortes saídas nos últimos pregões da semana passada.

Relatório da Bitfinex também aponta que o interesse institucional continua em níveis historicamente baixos, com o mercado de futuros e opções na bolsa de Chicago (CME) registrando a menor atividade em anos. Para a corretora, romper a região entre US$ 68 mil e US$ 68,5 mil exigirá uma nova onda de demanda, já que os fluxos destinados aos ETFs e às empresas que acumulam Bitcoin em tesouraria ainda não são suficientes para impulsionar o ativo acima dessa faixa de resistência.



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