Os 191 megawatts contratados são suficientes para fornecer energia a cerca de 143 mil residências simultaneamente. O contrato vai até junho de 2048 e deve gerar US$ 9,1 bilhões em receita para a Riot. O acordo ainda prevê duas opções de extensão de cinco anos cada, o que pode elevar as vendas totais para até US$ 16,1 bilhões.
As ações da Riot chegaram a subir 25% no after-market, para US$ 24,40, após a notícia do acordo. A companhia não comentou. A Anthropic também não respondeu imediatamente aos pedidos de comentário.
Capacidade de computação
O acordo ocorre enquanto a Anthropic amplia rapidamente sua capacidade computacional para acompanhar a demanda por suas ferramentas de inteligência artificial.
Nos últimos meses, a desenvolvedora do Claude fechou vários contratos com fornecedores de computação em nuvem e infraestrutura. Recentemente, assinou um acordo de US$ 10 bilhões com a Volta Infra Holdings, uma startup de infraestrutura criada há poucos meses, e em maio concordou em comprar quase US$ 45 bilhões em capacidade computacional da xAI, empresa de Elon Musk.
A corrida por capacidade de processamento reflete um dos principais desafios enfrentados pelas empresas de IA: garantir acesso a chips, data centers e energia suficientes para treinar e operar modelos cada vez maiores.
De mineradora de Bitcoin a data center de IA
O acordo também marca uma nova etapa na transformação da Riot. A companhia tem origem na Bioptix, fabricante de equipamentos de diagnóstico para o setor de biotecnologia. Após abandonar esse negócio, a empresa migrou para a mineração de Bitcoin e posteriormente passou a investir em infraestrutura de computação de alto desempenho.
A Riot formalizou sua entrada no mercado de data centers em janeiro de 2026, quando anunciou seu primeiro grande contrato institucional com a Advanced Micro Devices (AMD). A companhia também anunciou um acordo separado com a fabricante de chips para ampliar sua capacidade computacional.
A estratégia acompanha um movimento de outras empresas de criptomoedas que estão aproveitando seus ativos de infraestrutura, especialmente o acesso à eletricidade, para atender à crescente demanda energética dos sistemas de IA.
A Riot já começa a colher resultados dessa mudança. A companhia superou as expectativas de receita no segundo trimestre, em parte devido ao desempenho de seu negócio de data centers.
No trimestre mais recente, a Riot registrou receita de US$ 174,2 milhões. A mineração de Bitcoin ainda representa a maior parte do faturamento, com US$ 113,7 milhões, mas a receita da atividade caiu 19% em relação ao ano anterior devido aos preços médios mais baixos do Bitcoin e ao aumento da concorrência na rede.
O segmento de data centers gerou US$ 23,2 milhões no período, dos quais US$ 18,3 milhões vieram de serviços de preparação de infraestrutura para os clientes.
Apesar da expansão, a Riot ainda não registra lucro anual e está sob pressão para acelerar a assinatura de contratos de IA e computação de alto desempenho. Em fevereiro, a investidora ativista Starboard Value cobrou da administração um “renovado senso de urgência” para fechar esses acordos.
A Riot tinha valor de mercado de aproximadamente US$ 7,3 bilhões no fechamento de segunda-feira e acumulava alta de 58% no ano antes do salto provocado pelo acordo com a Anthropic. A valorização reflete o entusiasmo dos investidores com a transformação da empresa em fornecedora de infraestrutura para IA, embora esse negócio ainda tenha um histórico relativamente curto.










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