A primeira vez que uma criptomoeda foi usada para uma transação comercial foi em 22 de maio de 2010, quando o programador Lazlo Hanyecz trocou 10 mil bitcoins por duas pizzas grandes da Papa John’s, na Flórida, a US$ 20,50 cada.
A data virou um marco. O Bitcoin Pizza Day pontuou o exato momento em que uma moeda digital deixou de ser um código de computador para virar um meio de troca real, no mundo analógico. De lá para cá, o termo “criptomoeda” se popularizou, e 10 mil bitcoins compram muito mais do que duas pizzas grandes.
Hoje, um bitcoin equivale a US$ 66,6 mil, ou R$ 318,3 mil –distante do pico de US$ 126 mil, atingido no dia 6 de outubro de 2025. O mundo cripto tem sido pressionado pela perspectiva de juros mais altos no mundo e pela guerra no Oriente Médio, mas ainda é um dos filões mais populares do mundo dos investimentos.
Criptomoedas são moedas exclusivamente digitais, criadas para permitir transferências de dinheiro de uma pessoa para outra sem intermédio de uma instituição financeira, como bancos ou empresas processadoras de pagamentos.
Diferentemente de moedas fiduciárias —que são emitidas por um banco central—, as criptomoedas são moedas digitais descentralizadas, ou seja, não são controladas por nenhum governo ou país. Elas não têm representação física, como cédulas, e só existem virtualmente, apesar de terem valor no mundo real.
Cada criptomoeda é organizada em sistemas chamados de “blockchains”, uma espécie de livro contábil responsável por armazenar o histórico de movimentações feitas em todo o mundo. A segurança é garantida por criptografia avançada (daí “criptomoeda”), que protege os registros e dificultam fraudes ou alterações nas transações. Como o registro é público e distribuído, qualquer pessoa pode verificar as transações realizadas na rede, aumentando a transparência do sistema.
Pela crescente popularidade, o uso dos criptoativos foi recentemente regulado por uma série de bancos centrais –inclusive o brasileiro. As regras passaram a valer em 2 de fevereiro deste ano e estabelecem exigências como capital mínimo, segregação patrimonial e maior supervisão da autarquia sobre as operações do setor.
O objetivo, segundo o BC e especialistas, é reduzir brechas para golpes, fraudes e lavagem de dinheiro, trazendo maior estabilidade e atraindo novos investidores e empresas. Em um ataque cibernético ocorrido em 2025, que causou prejuízo superior a R$ 1 bilhão a instituições financeiras, criminosos tentaram converter parte dos recursos desviados em criptomoedas, episódio citado como exemplo dos riscos que a regulação busca mitigar.
Ainda assim, o setor não está imune a riscos. Além da possibilidade de golpes e esquemas de pirâmide financeira, as criptomoedas são, sob a ótica dos investimentos, um ativo de alta volatilidade. Os preços podem subir ou cair rapidamente em em função da oferta e demanda e de fatores políticos e macroeconômicos, resultando em perdas ou ganhos bruscos na carteira.
Por isso, a recomendação é parcimônia. Os criptoativos são vistos como investimentos de risco que podem ser estratégicos para a diversificação da carteira do investidor, seja através de ETFs (fundos de índice, que podem copiar o desempenho de uma criptomoeda), seja diretamente nas próprias moedas.
“Para os investidores brasileiros, recomendamos que o mercado cripto seja uma parte da alocação em renda variável, mas uma parte pequena. A diferença aqui entre o remédio e o veneno é o tamanho da dose”, diz Fabrício Tota, diretor de novos negócios da plataforma Mercado Bitcoin.
Como método transacional, as criptomoedas já são usadas para comprar produtos e serviços em diversos países do mundo. Em São Paulo, a Pizzaria Moraes, no bairro Bela Vista, aceita bitcoins como método de pagamento.
É possível ainda usar cartões de criptomoedas, um pré-pago que converte os ativos digitais em moedas tradicionais já disponível em bandeiras como Visa e Mastercard. O saldo em criptomoedas ou stablecoins é transformado em dinheiro local no momento da conta.
Confira glossário dos principais termos do mundo das criptomoedas:
Criptomoeda: Moedas digitais descentralizadas, ou seja, que não são controladas por nenhum governo ou país. Elas não têm representação física, como o dólar ou o real têm, e só existem virtualmente, apesar de terem valor no mundo real. Apesar de não terem um órgão regulador por trás, elas são ordenadas por redes “blockchain”, que são como um grande livro contábil que guarda registros de todas as transações feitas globalmente.
Criptoativo: Categoria que engloba um universo maior de ativos digitais que vai além das criptomoedas, como tokens utilitários, stablecoins e NFTs (tokens não fungíveis usados para vender artigos na internet)
Blockchain: São redes de sistemas avançados em criptografia que protegem e ordenam as transações de criptomoedas. Cada criptomoeda tem um blockchain próprio. Na prática, é como se fosse um grande livro contábil.
Bitcoin: Criptomoeda mais famosa do mundo. É descentralizada, ou seja, não é controlada por nenhum governo ou país, e ordenada em uma blockchain.
Ethereum: Segunda criptomoeda mais utilizada no mundo. É também uma plataforma global descentralizada que permite a execução de contratos inteligentes (smart contracts) e o desenvolvimento de aplicativos descentralizados.
Stablecoin: Criptomoedas cujo valor está atrelado ao de um ativo do mundo real. Podem ser lastreadas em dólar, euro, ouro, entre outros. A mais famosa é a tether, ancorada no dólar.
Memecoin: Como o nome sugere, são moedas “meme”. Essas normalmente são criadas para surfar em tendências da internet e não têm uma “tese de investimentos”, isto é, algo que sustente o valor delas no longo prazo. Elas não têm uma utilidade definida, como ser uma moeda transacional, por exemplo, ou servir como uma aplicação financeira.
Tokens: Unidades básicas de processamento digital. Podem ser ativos digitais em blockchain, chaves de segurança e de autenticação e, para a inteligência artificial, blocos de texto.
NFTs: Sigla em inglês para token não fungível. São tokens digitais de propriedade, geralmente comprados com criptomoeda e vinculados, em maioria, a imagens e vídeos. Qualquer pessoa pode visualizar o conteúdo online, mas apenas o comprador tem o status de proprietário oficial, gravado em blockchain.
Contratos inteligentes (“smart contracts”): Contratos digitais armazenados em blockchain que são executados automaticamente quando os termos e condições neles predeterminados são cumpridos. Na prática, automatizam a execução de um acordo sem passar por intermediários, como bancos ou cartórios.











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