A Circle, emissora da stablecoin USDC, se tornará líder na detenção de patentes de blockchain nos Estados Unidos (EUA), ao comprar da IBM mais de 680 famílias de patentes e quase 1 mil patentes concedidas em todo o mundo. É um movimento que sinaliza a virada de chave da gigante de tecnologia IBM para Inteligência Artificial (IA) e um plano da Circle de ganhar robutez, credibilidade e segurança jurídica em ativos digitais e finanças em blockchain.
De acordo com comunicado da Circle, o portfólio que comprou cobre “blockchain fundamental, serviços bancários e financeiros, seguros, infraestrutura empresarial, verificação de cadeias de suprimento e operações seguras em nuvem”. A empresa disse que pretende explorar oportunidades comerciais com a IBM.
Do lado da IBM, a empresa foi uma das empresas que mas investiu em blockchain nos anos de 2010, em especial a corporativa, e construiu essas patentes. Todo o ecossistema ficava de olho no que a gigante fazia. Assim, é um claro sinal de que esse segmento não evoluiu como esperado, em especial em receita.
No Brasil, executivos ligados ao segmento há muito tempo não atuam mais na área. No entanto, nos últimos tempos, em IA deu passos como o de ser parceira da Open AI em cybersegurança.
Desistir de tudo em blockchain, não desistiu. Tanto que faz parte do consórcio Open Standard, da stablecoin Open USD, lançada em 30 de junho com mais de 140 empresas. Só que nesse modelo, está num projeto que pode levantar receita mais rapidamente. E a receita das reservas é distribuída entre os parceiros distribuidores. Aliás, com isso passa a concorrente da USDC em stablecoin.
Manter patentes tem um custo e não é pequeno. Se a receita que geram não paga a conta, a situação se complica. O mesmo vale para licenciar. Se não há interessados ou se o negócios fosse feito com diferentes parceiros, a situação também é complicada.
Do lado da Circle, as patentes podem ser muito úteis para a construir seu ecossistema. Hoje, isso inclui, por exemplo, a USDC, a Circle Payments Network, a Arc, produtos onchain e ferramentas financeiras autônomas (agentic tools).
“A propriedade intelectual é fundamental para impulsionar nossa missão e expandir a adoção da infraestrutura onchain”, afirmou Sarah Wilson, Diretora Jurídica e Secretária Corporativa da Circle.
Ascensão e o esgotamento
No mundo das redes blockchain permissionadas, ou fechadas, a IBM teve papel importante no desenvolvimento do Hyperledger Fabric, projeto open source hospedado pela Linux Foundation. Também participou de iniciativas como o de rastreamento logístico TradeLens, parceria com a Maersk. Esse foi uma referência e esperança do setor, mas acabou em 2022.
Mas, nos anos mais recentes, o mercado passou a priorizar as redes públicas, tokenização e stablecoins. E as blockchain corporativas continuam dando a impressão de que não conseguem decolar e, portanto, as empresas não conseguem aproveitar seu potencial.
A PatSnap identificou que em dezembro de 2025, a IBM tinha de 790 patentes de blockchain nos EUA, a maior base entre companhias americanas. O Bank of America (BofA) veio em segundo lugar, com cerca de 200.
Já a Circle está na outra ponta. Lançou produtos, ações na Bolsa de Nova York em 2025 e conseguiu autorização do Office of the Comptroller of the Currency (OCC), órgão regulador bancário dos Estados Unidos, para operar como national trust bank.
A empresa se apresenta como de finanças onchain. Mas, praticamente não tem patentes. Sua primeira foi em 2023, de técnica de processamento paralelo de dados em blockchain. Agora, é lider.
Só que é fato que comprar patentes é um passo muito importante, mas não necessariamente garante liderança de mercado por frear concorrentes. Veja a IBM que vendeu as patentes. O custo de mantê-las patentes agora é Circle. E há desafios da operação pela frente, como garantir o rendimento das reservas da USDC e a renovação de distribuição com parceiros, como é o caso da Coinbase, em agosto. Além dos concorrentes nos segmentos em que atua. É um passo muito importante, mas a vida continua desafiadora.











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