O avanço dos pagamentos internacionais pode abrir novas oportunidades para o fluxo de capital entre Estados Unidos e Brasil, segundo Jeffrey Wallis, CEO e fundador da N3XT.
Em entrevista exclusiva ao BP Money, durante o Blockchain.RIO 2026, o executivo afirmou que as barreiras atuais nos pagamentos cross-border limitam o crescimento de empresas e mercados.
Para Wallis, o sistema bancário tradicional ainda impõe obstáculos como lentidão, custos elevados e restrições de horário.
Nesse sentido, a N3XT busca criar uma estrutura na qual os clientes possam movimentar seus recursos de forma contínua, acompanhando o funcionamento de mercados que operam 24 horas por dia.
“Os clientes precisam de ambientes que funcionem 24 por 7. A comunidade de ativos digitais e a cadeia física de suprimentos trabalham 24 por 7, não dormem. E, ainda assim, os bancos funcionam quando os banqueiros estão no escritório”, afirmou.
Segundo o executivo, a proposta da empresa é colocar as necessidades dos clientes no centro da infraestrutura financeira. Assim, a movimentação de recursos poderia ocorrer no momento necessário, sem ficar condicionada ao funcionamento tradicional dos bancos.
Blockchain pode aproximar finanças tradicionais e ativos digitais
Wallis também avalia que a tecnologia blockchain deve ampliar as oportunidades para o setor financeiro nos próximos anos. Para ele, o uso de registros distribuídos pode melhorar o suporte aos clientes, aumentar a eficiência de capital e facilitar a movimentação de recursos.
Atualmente, uma das dificuldades enfrentadas pelas empresas é ter capital preso em estruturas bancárias tradicionais, sem possibilidade de utilizá-lo imediatamente. Nesse cenário, a blockchain poderia acelerar a transferência de dinheiro e ativos.
O executivo, contudo, não vê o futuro como uma disputa entre TradFi, o sistema financeiro tradicional, e DeFi, as finanças descentralizadas. Na avaliação dele, a tendência é a criação de um ambiente econômico descentralizado que combine tecnologia e ativos tradicionais para atender às necessidades dos clientes.
“Não é realmente um contra o outro. É o que o futuro vai ser”, disse.
Além disso, Wallis afirmou que o acesso mais rápido e menos burocrático ao capital pode ampliar as possibilidades econômicas das empresas. Portanto, a tecnologia seria uma ferramenta para transformar recursos comprometidos em novas oportunidades de crescimento.
A participação da N3XT no Blockchain.RIO 2026 também está ligada ao interesse da empresa no mercado latino-americano. De acordo com Wallis, os próprios clientes levaram a companhia a olhar para a região.
O executivo destacou o fluxo de capital entre Estados Unidos e Brasil como um dos principais motivos para esse movimento. Segundo ele, existe um corredor econômico relevante entre os dois países, com potencial para ampliar a circulação de dólares e recursos brasileiros.
“Há uma quantidade enorme de fluxo de capital entre os EUA e o Brasil. É um corredor muito saudável, um corredor econômico que queremos apoiar e ajudar a viabilizar”, afirmou.
Nesse contexto, Wallis citou empresas norte-americanas que mantêm atividades no Brasil e contratam profissionais locais. Entre os exemplos mencionados estão equipes de desenvolvimento, marketing, operações e serviços jurídicos.
Para ele, entretanto, a capacidade de pagar esses profissionais ainda enfrenta limitações. Assim, a abertura de um corredor mais eficiente para pagamentos internacionais poderia aproximar empresas, trabalhadores e fornecedores dos dois países.
Pagamentos cross-border são desafio para América Latina
Ao falar especificamente sobre a América Latina, Wallis apontou os pagamentos internacionais como uma das principais oportunidades para a N3XT.
Segundo o executivo, restrições físicas e regulatórias podem limitar o fluxo de capital entre diferentes regiões. Dessa forma, recursos que poderiam ser utilizados para investimentos acabam permanecendo parados ou enfrentando obstáculos para chegar a outros mercados.
“Se conseguirmos resolver os pagamentos cross-border, podemos ampliar as eficiências em torno dessa oportunidade e ver benefícios e parcerias florescerem onde hoje existem limitações”, afirmou.
Além disso, Wallis destacou que o fluxo pode funcionar nos dois sentidos. Capital disponível nos Estados Unidos poderia chegar ao Brasil, enquanto empresas e equipes brasileiras poderiam utilizar serviços e produtos da economia norte-americana.
Nesse cenário, o CEO da N3XT considera que a melhoria da infraestrutura de pagamentos internacionais pode beneficiar empresas, trabalhadores e as próprias economias envolvidas.
A entrevista com Jeffrey Wallis foi realizada pelo BP Money durante o Blockchain.RIO 2026, evento do qual o veículo foi mídia parceira.










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