
As criptomoedas deixaram de ser um assunto restrito aos primeiros adeptos do mercado digital e já fazem parte da realidade financeira de uma parcela relevante da população brasileira. Segundo a 2ª Pesquisa Nacional das Criptomoedas, realizada pelo Datafolha em parceria com a Paradigma e divulgada nesta terça-feira (18/08), 17,2% dos brasileiros com mais de 16 anos têm ou já tiveram criptomoedas. O número equivale a 29 milhões de pessoas e representa uma presença 2,3 vezes maior do que a registrada entre brasileiros que já tiveram ações na bolsa de valores, de 7,4%.
O levantamento ouviu 2.004 pessoas presencialmente em 137 municípios de todas as regiões do país entre 11 e 14 de maio de 2026. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O universo considerado corresponde a 168,9 milhões de brasileiros com mais de 16 anos. A pesquisa atual tem como referência a primeira edição, realizada entre 9 e 11 de dezembro de 2024, quando foram entrevistadas 2.007 pessoas em 113 municípios.
O estudo é realizado pela Paradigma, especializada em pesquisas sobre criptoativos, em parceria com o Datafolha, responsável pelo trabalho de campo. A pesquisa conta com patrocínio de Coinbase e Hashdex e apoio da ABCripto. Os dados mostram que as criptomoedas já ocupam uma posição relevante entre os produtos em que os brasileiros afirmam ter colocado dinheiro, embora ainda exista uma distância considerável em relação à poupança.
Na lista de investimentos e formas de guardar dinheiro, as criptomoedas aparecem em quinto lugar, com 17,2%, atrás de poupança, com 57,1%, imóveis, com 34,0%, dinheiro guardado em casa, com 30,5%, e fundos de investimento, com 26,1%. O percentual supera títulos públicos e CDB, com 15,1%, dólar ou outras moedas, com 14,0%, ouro, com 9,8%, e ações, com 7,4%. Mesmo assim, a poupança ainda foi utilizada por 3,3 vezes mais brasileiros do que as criptomoedas.
A composição da base de investidores também mudou desde a primeira edição. A pesquisa aponta 8 milhões de novos aplicadores em fundos de investimento no período. Ao mesmo tempo, foram identificados 7 milhões de brasileiros a menos entre aqueles que afirmam ter ou já ter tido dinheiro na poupança. Segundo o levantamento, esse foi o maior nível de abandono registrado entre os produtos analisados.
Conhecimento sobre criptomoedas avança
A familiaridade com o mercado cripto também cresceu. Atualmente, 66,4% dos brasileiros afirmam conhecer criptomoedas, avanço de 10,1 pontos percentuais em relação à primeira edição. Isso significa que 17 milhões de pessoas passaram a conhecer o tema. O Bitcoin (COIN) aparece com ampla vantagem como o ativo mais reconhecido, citado por 60,7% da população. Na sequência estão Ethereum, com 11,1%, e Drex, projeto de moeda digital do Banco Central, com 10,3%.
Banco virou principal porta de entrada para cripto
O acesso às criptomoedas também revela uma mudança importante no comportamento do investidor brasileiro. Entre aqueles que já colocaram dinheiro em cripto, 83% utilizaram o aplicativo do próprio banco. A proporção ficou acima da autocustódia, com 26%, das corretoras especializadas em cripto, com 20%, e de fundos ou ETFs, com 18%. Como a pergunta permitia respostas múltiplas, os percentuais não representam grupos exclusivos. Na prática, 4,2 vezes mais brasileiros tiveram cripto dentro do banco do que em uma exchange.
A autocustódia, modalidade em que o próprio investidor mantém as chaves de seus ativos, também avançou. O modelo alcança 4% da população, quase o dobro dos 2,2% registrados na primeira edição, equivalente a 6,75 milhões de pessoas. O comportamento aparece com maior intensidade entre brasileiros de 25 a 34 anos, faixa em que chega a 8,3%, enquanto entre pessoas com 60 anos ou mais o percentual é de apenas 0,3%.
Outro dado desmonta a ideia de que as criptomoedas sejam utilizadas principalmente por investidores de alta renda. Entre aqueles que já colocaram dinheiro em cripto, 77,6% recebem até três salários mínimos e 89,4% ganham até cinco salários mínimos. As faixas de menor renda representam uma parcela expressiva desse público: 31,6% recebem até um salário mínimo e outros 31,9% estão na faixa entre um e dois salários mínimos.
O avanço do conhecimento também foi mais forte entre os brasileiros com menor escolaridade. Entre aqueles que possuem apenas Ensino Fundamental, a parcela que conhece criptomoedas passou de 25,9% para 38,0%, avanço de 12,1 pontos percentuais. No Ensino Médio, a taxa subiu de 65,4% para 76,0%. Entre os brasileiros com Ensino Superior, o percentual passou de 84,1% para 89,7%.
A diferença entre homens e mulheres continua expressiva. Enquanto 23,6% dos homens afirmam já ter investido em criptomoedas, o percentual cai para 11,3% entre as mulheres. Elas representam 34,2% da população que já teve exposição a criptoativos, segundo o levantamento.
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