
Mais uma vez, as criptomoedas expõem sua vulnerabilidade. Hackers encontraram uma falha em carteiras físicas de bitcoin, consideradas uma das formas mais seguras de guardar ativos digitais, e desviaram pelo menos 1.755 moedas, avaliadas em aproximadamente 110 milhões de dólares.
O ataque atingiu cerca de 5 000 carteiras Coldcard, fabricadas pela empresa canadense Coinkite. Esses dispositivos mantêm as chaves de acesso desconectadas da internet e, por isso, costumam ser apresentados como uma alternativa mais protegida do que deixar os recursos em corretoras de criptomoedas.
O problema estava justamente na geração dessas chaves. Uma falha presente em versões antigas do software reduziu a aleatoriedade das palavras usadas para recuperar as carteiras, tornando algumas combinações previsíveis. Com isso, os invasores conseguiram reconstruir as credenciais e transferir os bitcoins sem precisar ter acesso físico aos aparelhos.
Segundo a Galaxy Research, uma das primeiras ofensivas retirou mais de 1.000 bitcoins de 1.196 endereços em apenas 41 minutos. Novas movimentações elevaram rapidamente o número de vítimas e o valor do prejuízo. A investigação ainda procura determinar a dimensão total do roubo e identificar os responsáveis.
A Coinkite lançou uma atualização, mas o reparo não devolve a segurança às carteiras já comprometidas. Os clientes afetados precisam criar novas frases de recuperação e transferir imediatamente os ativos para outros endereços.
O episódio revela uma fragilidade recorrente do universo das criptomoedas: mesmo que a blockchain permaneça intacta, erros em softwares, corretoras ou sistemas de armazenamento podem abrir caminho para perdas significativas e, muitas vezes, irreversíveis.






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