O mercado de criptoativos fechou o segundo trimestre sob pressão nos preços, mas com avanço em indicadores de uso, segundo relatório Market Pulse T2’26, da Hashdex. A gestora aponta uma desconexão entre o desempenho dos ativos digitais e métricas como transações em blockchain, volume de stablecoins e crescimento dos ativos reais tokenizados.
No trimestre, o Nasdaq CME Crypto Index, que acompanha uma cesta de criptoativos, caiu 15,46%, enquanto o Nasdaq 100 subiu 27,53% e o S&P 500 avançou 14,87%. Para a Hashdex, o período teve dois momentos distintos: uma primeira fase de alívio, favorecida pela desescalada das tensões entre Estados Unidos e Irã, e uma segunda etapa de piora, marcada por juros longos mais altos nos EUA, saída de recursos de produtos cripto e migração de capital para empresas ligadas à inteligência artificial.
Segundo o relatório, esse deslocamento de recursos ajudou a explicar o desempenho inferior dos criptoativos em relação a outros ativos de risco. Entre 15 de maio e 30 de junho, o índice cripto recuou 26,1%, em um período em que os fluxos acumulados de ETFs de cripto ficaram negativos em US$ 9,1 bilhões, de acordo com dados compilados pela corretora.
Apesar da queda nos preços, as transações no ecossistema cripto atingiram 17,6 bilhões no segundo trimestre, o maior nível da série acompanhada pela gestora. No mesmo período, a capitalização de mercado do setor fechou em cerca de US$ 2,2 trilhões, combinação que reforça a leitura de que os preços continuaram se afastando de alguns indicadores de adoção, segundo a Hashdex.
As stablecoins, criptomoedas com valor atrelado a moedas fiduciárias, aparecem como um dos principais exemplos desse movimento. O volume de transações com esses ativos somou US$ 35,9 trilhões no primeiro semestre de 2026, acima dos US$ 32,6 trilhões registrados em todo o ano de 2025, segundo o relatório. Porém, a Hashdex faz uma ressalva de que o volume de stablecoins citado não é ajustado e inclui bots de MEV e negociações entre exchanges, o que pode inflar a comparação com meios tradicionais de pagamento. Ainda assim, para a gestora, o volume de transações pode ser uma métrica relevante para acompanhar a adoção desses ativos, por seu uso como infraestrutura de pagamento.
Outro segmento destacado é o de ativos reais tokenizados, conhecidos pela sigla RWA. O valor de mercado desses ativos cresceu 43,9% no primeiro semestre, de US$ 41,7 bilhões no fim de 2025 para US$ 59,4 bilhões em junho. O relatório aponta que o avanço foi impulsionado por classes como crédito lastreado em ativos, títulos do Tesouro americano e ações tokenizadas.
As ações tokenizadas cresceram 128% no semestre, de acordo com a gestora. O relatório atribui parte desse movimento ao interesse por ações tokenizadas da SpaceX, empresa de Elon Musk, antes de seu IPO. Ainda assim, o mercado de RWAs segue concentrado em outras categorias: crédito lastreado em ativos somava US$ 24,1 bilhões, enquanto títulos do Tesouro americano tokenizados respondiam por US$ 15,2 bilhões.
A Hashdex também vê a regulação do setor como um possível catalisador para o segundo semestre. O relatório cita o avanço do CLARITY Act nos Estados Unidos e iniciativas paralelas de órgãos como a SEC (CVM americana) e a CFTC, agência independente do governo americano responsável por regular e supervisionar os mercados de derivativos, como elementos que podem ampliar a base regulatória para criptoativos.
No caso do bitcoin, o relatório aponta sinais de estresse típicos de momentos de correção. Em junho, 50% ou mais da oferta total do ativo passou a estar em posição de prejuízo, patamar que ocorreu poucas vezes na série histórica e coincidiu, no passado, com fundos de mercados de baixa. A Hashdex também observa que o bitcoin ficou 20% abaixo de sua média móvel de 200 dias, condição que historicamente foi seguida por retornos positivos em janelas mais longas.
Para a Hashdex, o segundo trimestre reforçou a leitura de que o mercado de cripto passou a se comportar de forma mais próxima de um ativo alternativo em momentos de estresse, ao mesmo tempo em que indicadores de uso continuaram avançando. A principal questão para os próximos meses será se esse crescimento em infraestrutura, transações e tokenização conseguirá se refletir novamente nos preços dos ativos digitais.









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