Com o fim do Mundial 2026 começou o ‘campeonato’ das transferências. Na maioria dos países europeus, o mercado de verão encerra a 31 de agosto, em Portugal, prolonga-se até 4 de setembro. Durante este período, os clubes deitam contas à vida para construir uma equipa competitiva para a temporada 2026/27, ao mesmo tempo que vivem em pânico com a possibilidade de perderem jogadores com elevado valor de mercado a custo zero.
Embora os direitos televisivos continuem a ser a principal fonte de receitas dos clubes, todos sabem que o mercado de transferências pode ser determinante na corrida ao título. Chelsea, Tottenham, Manchester City, Arsenal, Real Madrid e Barcelona abriram os cofres para contratar grandes talentos e, nalguns casos, bateram os seus próprios recordes. Uma vez mais, os clubes da Premier League são os que mais investem, seguido pelos espanhóis. A transferência do médio Morgan Rogers para o Chelsea por 137,3 milhões de euros é a mais elevada, surgindo depois a contratação do médio Elliot Anderson pelo Manchester City por 135,5 milhões de euros. Os internacionais ingleses estiveram em evidência no Mundial 2026 e estão entre os negócios mais caros de sempre na história do futebol.
Os clubes de La Liga também investiram forte. O Real Madrid não comprou nenhum jogador galáctico, mas continua a estar entre os mais gastadores, o que faz todo o sentido depois de contratar José Mourinho, um treinador que não olha a números para reforçar as suas equipas. Apostou as suas fichas em Yan Diomandé – o extremo, de 19 anos, custou 125 milhões de euros. É a maior transferência de sempre dos ‘merengues’ e um verdadeiro negócio da China para o Leipzig, que comprou o jogador o ano passado por 20 milhões de euros.
O Chelsea é o clube que mais investiu até ao momento, com 407,9 milhões de euros. O Tottenham gastou 267 milhões na renovação do plantel para evitar o sufoco da última época, onde correu o risco de descer de divisão. O médio português Mateus Fernandes, de 21 anos, estreou-se na Premier League há dois anos e já é um dos reforços dos spurs. Na lista dos clubes europeus mais gastadores aparecem ainda o Real Madrid, com 225 milhões, Manchester City, com 177,2 milhões e Arsenal, que gastou 176,5 milhões. Obviamente estes emblemas também fizeram vendas, mas o exercício financeiro é largamente deficitário; o Chelsea apresenta um saldo negativo de 245,6 milhões de euros, o Tottenham tem um prejuízo de 179,7 milhões e o Real Madrid tem um prejuízo de 166,5 milhões.
Olhando para o mercado, verificamos também que, por idade ou estratégia de carreira, alguns jogadores decidiram não renovar com os seus clubes e ficaram disponíveis a custo zero a partir de julho. Bernardo Silva e Ibrahima Konaté vão prosseguir a carreira no mítico Real Madrid, outros craques vão jogar nos Estados Unidos, caso de Antoine Griezmann (Orlando City) e Robert Lewandowski (Chicago). Já Nicolás Otamendi (River Plate) regressa à Argentina. Raúl Jiménez (Tottenham), Stefan de Vrij (Panathinaikos) e o guarda-redes Yann Sommer (Brugge) ficam pela Europa.
Realidade nacional
O Sporting investiu fortemente neste mercado para compensar a saída de jogadores importantes na defesa, no meio-campo e no ataque. Até ao momento, os leões gastaram 116,2 milhões de euros para reconstruir a equipa e fizeram um encaixe de 146,3 milhões com a venda de ativos. Os principais reforços são os médios Rodrigo Zalazar (30 milhões), Issa Doumbia (20,5 milhões), Sergi Altimira (18,2 milhões), Silas Anderson (7,2 milhões), Pedro Lima (4 milhões) e o defesa central Ibrahima Ba (21,2 milhões). O extremo Nestory Irankunda está em Lisboa para ser anunciado como reforço dos leões (15 milhões).
O FC Porto manteve o plantel que foi campeão nacional e gastou apenas 23 milhões de euros nas contratações do médio Inbeom Hwang (7 milhões), do guarda-redes João Afonso (1,5 milhões), comprou, em definitivo, o passe do defesa central Jakub Kiwior (17 milhões) e teve o bónus do regresso do avançado André Silva a custo zero. A situação financeira não é tão critica como nos últimos anos do mandato de Pinto de Costa, mas o facto de não fazer vendas significativas – a saída do guarda-redes Diogo Costa, falada recorrentemente, parece estar a perder força – deixa o FC Porto a precisar de fazer uma boa campanha na Liga dos Campeões para garantir a estabilidade financeira.
O Benfica gastou 53,2 milhões. Nas contratações do extremo Jakub Kaminski, por 17 milhões, e do defesa central Gabriel Índio, por 4 milhões, na compra, em definitivo, dos passes de Georgiy Sudakov (20,2 milhões) e de Enzo Barrenechea (12 milhões), e no empréstimo do ponta de lança Jhon Durán (6,1 milhões). Já o defesa central Clément Lenglet veio por empréstimo, sem custo para o Benfica. O clube fez 86 milhões em receitas, um cenário bem diferente dos últimos anos, onde os encarnados derraparam largamente nas contas.
Top 10 para 2026/27
Morgan Rogers (Chelsea) – 137,3 M
Elliot Anderson (Manchester City)
– 135,5 M
Yan Diomandé (Real Madrid) – 125 M
Sandro Tonali (Tottenham) – 108 M
Mateus Fernandes (Tottenham) – 99 M
Bruni Guimarães (Arsenal) – 87,5 M
Anthony Gordon (Barcelona) – 80 M
Gonçalo Ramos (Milan) – 74 M
Crysencio Summerville (Al Hilal)
– 64,5 M
Jérémy Jacquet (Chelsea) – 60,7 M
(valores em milhões de euros)










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