Aos 52 anos, Martínez deixa Portugal após 45 jogos, com um saldo bem positivo de vitórias, e alguns recordes alcançados pelo meio, mas com duas fases finais que poucas ou nenhumas saudades vão deixar na história do futebol nacional.
O saldo do treinador catalão ficou em 30 vitórias, nove empates e seis derrotas, com 110 golos marcados e 36 sofridos, com aquela que muitos apontaram como a melhor geração de sempre do futebol nacional.
Cristiano Ronaldo, que chegou a ponderar abandonar a seleção portuguesa no final do Mundial2022, manteve-se de “pedra e cal”, com Roberto Martínez frequentemente a elogiar a importância do avançado de 41 anos.
Em final de contrato, a derrota com a Espanha (1-0), nos oitavos de final de um Campeonato do Mundo em que Portugal era apontado como sério candidato, ditou o adeus definitivo de Martínez, que falhou em toda a linha naquele que foi o grande objetivo definido quando chegou à Cidade do Futebol em 2023.
Antes disso, Portugal já tinha ficado nos quartos de final do Euro2024, num torneio em que o nível exibicional da seleção lusa foi também muito criticado, acabando Martínez por ganhar “vida” no cargo com a conquista da Liga das Nações, em 2025, numa altura em que a imprensa falava no seu afastamento.
Em 10 anos no mundo do futebol de seleções, Martínez, tanto na Bélgica como em Portugal, quebrou recordes e mostrou-se sim imparável nas fases de qualificação, levando os belgas ao primeiro lugar do ranking FIFA e também a seleção lusa ao seu primeiro apuramento só com vitórias, para o Europeu de 2024, e com a maior goleada de sempre do país (9-0 ao Luxemburgo).
Apesar ter sido acusado de desperdiçar a melhor geração belga (o máximo que alcançou foi as “meias” do Mundial2018), o espanhol recebeu a confiança da Federação Portuguesa de Futebol em 2023 para suceder a Fernando Santos e cedo mostrou-se imparável no caminho para o Europeu da Alemanha, com 10 vitórias em 10 jogos e um registo de 36 golos marcados e apenas dois sofridos.
Na Alemanha, a seleção nacional até assegurou cedo o primeiro lugar do seu grupo, com triunfos sobre a República Checa (2-1, com um golo nos descontos de Francisco Conceição) e Turquia (3-0), mas, depois, sofreu a pior derrota da sua história em fases finais de Europeus, quando caiu perante a Geórgia (2-0).
Nos oitavos de final, Portugal bem sofreu contra a Eslovénia e só assegurou a passagem nas grandes penalidades, acabando depois por cair perante a França também nos penáltis.
No novo formato da Liga das Nações, a equipa de Martínez mostrou-se dominante na fase de grupos, mas viveu sérias dificuldades com a Dinamarca, nos quartos de final.
Na primeira mão, a formação lusa saiu derrotada de Copenhaga (1-0), num resultado que poderia ter sido bem mais pesado, se não fosse a excelente exibição do guarda-redes Diogo Costa, mas acabou por garantir a “final four” com um 5-2 sobre os escandinavos, em Alvalade, após prolongamento.
Nas “meias”, em Munique, Portugal venceu pela primeira vez a Alemanha em 25 anos, por 2-1, numa partida em que protagonizou a reviravolta no marcador, e na final ultrapassou a Espanha, campeã europeia, num duelo em que também esteve em desvantagem (2-2 após prolongamento e 5-3 nas grandes penalidades).
No caminho para o Mundial2026, Portugal arrancou em “grande”, com um 5-0 na Arménia e um 3-2 na Hungria, mas acabou por perder “gás” e só confirmou o apuramento na última jornada, mas com um 9-1 à Arménia no Dragão.
Ao todo, Martínez operou 16 estreias de jogadores na equipa das “quinas”, começando com Gonçalo Inácio e terminando no guarda-redes Ricardo Velho e no médio Mateus Fernandes.
Nascido em Lérida, antes rumar à liderança de seleções, Martínez iniciou a carreira no futebol britânico, passando primeiros pelos galeses do Swansea, que abandonou após dois anos para comandar o Wigan, na altura na Premier League.
A conquista da FA Cup, a única na história do Wigan (que acabou por descer de divisão nessa época), fez Martinez “saltar” para o Everton. Em três anos em Liverpool, o técnico levou a equipa ao quinto lugar e às meias-finais da Taça de Inglaterra e da Taça da Liga, mas nunca conquistou os adeptos e acabou despedido.










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