“Guerra” à FIFA. Ceferin e Al Khelaifi ameaçam derrubar Mundial de Clubes


“Guerra aberta”. É desta maneira que, esta terça-feira, o jornal espanhol As descreve o clima que se vive no futebol internacional, como resultado da polémica derivada da (fracassada) proposta de criação da FIFA Forward Enterprise (FFE), subsidiária que seria aberta a investimento privado e que teria como objetivo concentrar as operações comerciais das provas organizadas pelo organismo (entre elas, o Mundial).

O projeto caiu, definitivamente, por conta do repúdio da UEFA, da CONCACAF e da AFC (que totalizam mais de metade dos votos das 211 federações-membro que compõem o organismo que rege o futebol internacional), mas a confiança no presidente do organismo, Gianni Infantino, dificilmente voltará a ser a mesma, e já se vislumbram mesmo ‘danos colaterais’.

Isto porque Aleksander Ceferin, presidente da UEFA, e Nasser Al Khelaifi, homólogo da Associação de Clubes Europeus (EFC) e do Paris Saint-Germain, têm uma reunião agendada para os próximos dias, em Salzburgo, na Áustria, onde serão debatidos vários temas, entre eles, a possibilidade de, juntos, virem a derrubar o Campeonato do Mundo de Clubes de 2029.

Até ao momento, não foi estabelecido qualquer tipo de acordo entre a EFC e a FIFA com vista à participação dos emblemas do Velho Continente na próxima edição da competição, até porque, revela a publicação, vários deles têm vindo a reclamar dívidas relativas ao pagamento de prémios e de mecanismos de solidariedade que derivam da sua última edição, no passado ano de 2025.

Al Khelaifi pressionado a candidatar-se contra Infantino

Um eventual boicote à prova funcionaria como mais uma ‘arma’ com vista à demissão de Gianni Infantino. Isto, depois de as federações de países como Inglaterra, País de Gales, Suécia ou Sérvia terem tornado pública a decisão de retirar o apoio formal que lhe tinham expressado com vista à recandidatura à presidência da FIFA, nas eleições agendadas para 18 de março de 2027, na cidade marroquina de Rabat.

O ítalo-suíço tinha em sua posse, há menos de uma semana, mais de 200 cartas de apoio à reeleição no cargo, e acreditava mesmo que seria reconduzido sem qualquer tipo de opositor. No entanto, a controvérsia derivada da FFE, juntamente com os casos que assolaram o último Campeonato do Mundo, levam a que este cenário não passe, neste momento, de uma ‘miragem’.

O prazo para a entrega de candidaturas termina já no próximo dia 18 de novembro, e, nos ‘bastidores’, já começam a surgir os primeiros movimentos no sentido de encontrar quem lhe faça frente. Curiosamente, um dos nomes mais badalados é, precisamente… o de Nasser Al Khelaifi, que tem vindo a ser pressionado para levar o nome a votos.

O empresário qatari tem-se demonstrado relutante a avançar com uma candidatura à presidência da FIFA, mas, dada a preponderância que tem vindo a assumir, no futebol global, a mesma não seria de descartar. Na lista de potenciais opositores encontram-se, ainda, nomes como os de Victor Montagliani ou Sheikh Salman bin Ebrahim Al Khalifa, que lideram, respetivamente, a CONCACAF e a AFC.

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