Real Madrid, Juventus e outros gigantes europeus entram na guerra contra a FIFA. Planos para o Mundial de Clubes podem estar em causa


A oposição aos planos da FIFA para reformular a gestão comercial das suas principais competições ganhou dois novos e pesados aliados. Segundo a ‘Bloomberg’, o Real Madrid e a Juventus juntaram-se aos clubes que contestam a criação de uma nova estrutura empresarial para gerir torneios como o Mundial de Clubes, num revés significativo para a estratégia liderada por Gianni Infantino.

De acordo com a agência, os dois emblemas consideram que a FIFA não tem autoridade para separar os ativos comerciais das competições e vendê-los a investidores externos. Na sua perspetiva, é dos clubes que depende o sucesso económico do futebol, uma vez que são eles que contratam os jogadores, suportam os respetivos salários e assumem os riscos financeiros associados às lesões e à gestão das equipas.

Segundo fontes ouvidas pela ‘Bloomberg’, representantes do Real Madrid e da Juventus já mantiveram contactos com outros clubes europeus e com a UEFA para coordenar uma posição comum contra o projeto.

Os dois clubes juntam-se assim ao Bayern Munique e ao Borussia Dortmund, que já tinham criticado publicamente a iniciativa. A própria UEFA tem liderado a oposição e chegou mesmo a admitir boicotar futuras competições organizadas pela FIFA.

No centro da polémica está a proposta de criar uma nova empresa, designada FIFA Forward Enterprise, para concentrar a exploração comercial dos principais torneios da federação. O projeto prevê uma avaliação inicial de cerca de 20 mil milhões de dólares (cerca de 17,3 mil milhões de euros) e a entrada de investidores externos com até 4,2 mil milhões de dólares (cerca de 3,6 mil milhões de euros), embora a FIFA mantenha o controlo da nova entidade.

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Para os clubes, este modelo levanta dúvidas sobre quem deve beneficiar financeiramente da exploração das competições internacionais. Argumentam ainda que já cedem os seus jogadores às seleções nacionais sem uma compensação proporcional, apesar de suportarem os custos da sua formação, salários e recuperação física.

Outro dos pontos de tensão prende-se com o calendário competitivo. O novo formato do Mundial de Clubes, que distribuiu mil milhões de dólares (cerca de 865 milhões de euros) em prémios na edição de 2025, aumentou a pressão sobre os jogadores, numa altura em que sindicatos e clubes alertam para o risco crescente de fadiga e lesões devido ao número cada vez maior de jogos.

Hans-Joachim Watzke, presidente do Borussia Dortmund, afirmou recentemente existir “um forte consenso” entre os principais clubes europeus contra os planos da FIFA. O dirigente revelou ainda ter discutido o tema com o presidente da UEFA, Aleksander Ceferin, defendendo que muitos responsáveis do futebol europeu encaram esta estratégia como “um ataque direto ao desporto”.

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A contestação ganhou ainda mais força esta sexta-feira, quando Carlos Cordeiro, um dos principais conselheiros de Gianni Infantino, anunciou a saída da FIFA precisamente por discordar do projeto, acrescentando um novo sinal das divisões internas em torno de uma das reformas mais ambiciosas da organização.



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