Uefa, AFC e Concacaf paralisam Fifa e aumentam pressão por saída de Infantino


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  • Uefa, AFC e Concacaf anunciaram abandono dos órgãos de governança da Fifa até que Gianni Infantino renuncie à presidência.
  • A proposta da Fifa Forward Enterprises (FFE) causou um rompimento entre Infantino e as principais confederações, que representam 64,45% dos votos no Congresso da Fifa.
  • O alinhamento de Infantino com o governo Trump e o episódio do atacante Folarin Balogun aprofundaram a crise política e de apoio à sua gestão na Fifa.
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Pouco depois de conseguir uma importante deserção entre seus opositores, com a declaração pública de apoio feita pela Associação de Futebol do Catar (QFA), Gianni Infantino sofreu um duro golpe em sua luta para permanecer na presidência da Federação Internacional de Futebol (Fifa).

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Nesta segunda-feira (3), Uefa (Europa), AFC (Ásia) e Concacaf (Américas do Norte e Central) firmaram um pacto que consiste em abandonar, juntas, todos os órgãos de governança da entidade máxima do futebol mundial, até que o dirigente aceite renunciar ao cargo.

Com isso, seus representantes deixariam de participar de reuniões do Conselho da Fifa e de comitês das diferentes áreas, assim como das tomadas de decisão.

Na prática, esse gesto, se concretizado, deve resultar na paralisação do funcionamento da Fifa, já que ela depende do aval dessas instâncias para poder operar.

No dia a dia, atos que não tenham sido aprovados pelos órgãos de governança perdem a validade perante o Estatuto da Fifa.

Se a situação envolver questões financeiras, como pagamentos ou contratos, isso ainda cria o risco de colocar a entidade em conflito com a lei, deixando tanto a Fifa quanto seus dirigentes suscetíveis a possíveis processos criminais.

A decisão das três confederações representa o ápice de uma crise iniciada ainda durante a Copa do Mundo de 2026, quando a Fifa cedeu à pressão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e aceitou anular a suspensão do atacante norte-americano Folarin Balogun, que havia sido expulso na primeira fase do mata-mata, mas ficou livre para disputar as oitavas de final diante da Bélgica.

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A situação enfureceu sobretudo as associações europeias de futebol, que passaram a questionar a reeleição de Infantino, até então dada como certa, sobretudo por conta do êxito comercial da Copa do Mundo de 2026.

A ideia de criar a Fifa Forward Enterprises (FFE), porém, resultaria no divórcio irreversível do cartola ítalo-suíço com as três confederações que reúnem 136 entidades, o equivalente a 64,45% dos votos no Congresso da Fifa.

Preço caro por proximidade com Trump

Infantino chegou ao poder a partir dos escombros do Fifagate, escândalo que eclodiu em 2015, a partir de investigações do FBI contra dirigentes da entidade e de confederações continentais e federações nacionais (incluindo CBF), que eram acusados de corrupção, lavagem de dinheiro e desvio de recursos.

O dirigente, que havia feito carreira na Uefa durante a gestão do então presidente Michel Platini (o próprio ex-jogador tombou em meio à denúncia de haver recebido suposta propina do então mandatário da Fifa Joseph Blatter, caso no qual acabaria inocentado), aproveitou o vácuo de poder para alcançar o topo da cadeia de comando do futebol mundial.

Durante seu mandato, ele conseguiu derrotar a rebelião de clubes de elite da Europa como Real Madrid, Barcelona e Juventus, sepultando a ideia da Superliga, ao mesmo tempo em que dinamizou comercialmente a Fifa, ampliando torneios já existentes e criando outros, caso da Copa do Mundo de Clubes.

O sucesso da gestão de Infantino em turbinar as receitas da instituição passou por um acordo triangular com os Estados Unidos, que passaram a sediar os principais eventos do futebol mundial, e a Arábia Saudita, que os financiava mediante patrocínio direto da Aramco e do Fundo Público de Investimento (PIF) ou de maneira indireta, como na negociação em que o país do Oriente Médio adquiriu 10% do DAZN por US$ 1 bilhão, permitindo que essa quantia fosse investida na compra dos direitos globais da Copa do Mundo de Clubes, viabilizando o pagamento da premiação bilionária às equipes participantes.

Com o retorno de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos, em janeiro de 2025, Infantino adotou a postura de forte alinhamento ao governo norte-americano, chegando ao ponto de criar e entregar ao atual ocupante da Casa Branca o Prêmio Fifa da Paz, em dezembro do ano passado.

O detalhe é que nas semanas seguintes Trump determinaria a invasão militar à Venezuela, para promover a troca de governo no país sul-americano, e ordenaria o bombardeio ao Irã, em parceria com Israel. Um dos mísseis desferidos no ataque atingiu uma escola primária feminina na cidade de Minab, resultando em 156 mortes, incluindo 120 crianças entre as vítimas.

O caso Balogun serviu para azedar a relação de Infantino com a Uefa. Mas o rompimento viria com a proposta da FFE, lançada dias após o encerramento da Copa de 2026.

A intenção do cartola era centralizar os contratos comerciais de todos os torneios da Fifa nessa subsidiária, que ficaria responsável pelas negociações com o mercado. Além disso, a empresa teria uma fatia minoritária vendida a Joshua Kushner, irmão do genro de Trump.

Mas Uefa, AFC e Concacaf opuseram-se publicamente à ideia, forçando Infantino a desistir da FFE. O recuo, no entanto, não foi suficiente para conter a crise, que alcançou um ponto insustentável e sem retorno.

Antes de lançar o plano FFE, Infantino chegou a reunir cartas assinadas por 200 federações e associações nacionais, em apoio à sua reeleição na Fifa.

Nos últimos dias, porém, entidades têm retirado esse endosso. Os casos mais recentes são de Inglaterra e País de Gales. Vale lembrar que Noruega, Romênia, Alemanha, Dinamarca e Suécia não haviam ainda declarado apoio ao cartola (as duas primeiras, aliás, declararam ser contra a reeleição de Infantino).

Platini e Blatter passaram anos acusando Infantino de haver conspirado contra eles, para assumir o poder na Fifa. Hoje, o império lucrativo construído pelo dirigente, desde que passou a ditar os rumos do futebol mundial em 2016, parece estar em vias de ruir.



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