A participação militar dos Estados Unidos em África não constitui uma novidade com ou da Administração Trump. O que a actual presidência parece estar a alterar é, porém, a relação entre a tradicional política de apoio, treino, informações e assistência às forças africanas e o emprego directo da força norte-americana. A experiência da primeira Administração Donald Trump já revelara essa tendência, sobretudo no Sahel e na Somália. Em 2017, por exemplo, os Estados Unidos mantinham no Níger cerca de 800 militares, destinados sobretudo a treino, assistência, vigilância e recolha de informações; o próprio Comando dos Estados Unidos para a África (US-AFRICOM) sublinhava, então, que as forças norte-americanas não tinham uma missão de combate directo.
Por Eugénio Costa Almeida (*)
Na África Ocidental, a estratégia norte-americana assentava, então, no princípio de combater organizações jihadistas “por, com e através” dos parceiros locais. Nigéria, Níger, Camarões e Chade eram peças fundamentais dessa arquitectura, designadamente contra o Boko Haram e, ou, o Estado Islâmico da África Ocidental, o ISWAP (Estado Islâmico da Província da África Ocidental). O US-AFRICOM, de acordo com a sua concepção, privilegia formação, equipamento, inteligência e reconhecimento, deixando às forças africanas a condução das operações terrestres (US-AFRICOM, 2018).
Mas a arquitectura da política externa e de segurança dos Estados Unidos da América para o continente africano não começou nem se esgota no ciclo recente de operações anti-terroristas. Desde o período pós-Guerra do Vietname, o envolvimento militar norte-americano em África evoluiu de acções indirectas no contexto da Guerra-Fria para intervenções directas de elevada visibilidade e complexidade estratégica.
Exemplos marcantes desta trajectória histórica incluem a intervenção na Somália, no início da década de 1990 (notoriamente consubstanciada na Operação Gothic Serpent[1], em Mogadíscio), que demonstrou os riscos urbanos e operacionais do envolvimento directo em estados falhados e moldou profundamente a doutrina de contenção de Washington. Mais recentemente, a intervenção na Líbia, em 2011, conduzida sob a chancela da OTAN/NATO com apoio determinante dos EUA para a deposição deo líder líbio Muammar Kadafi, desencadeou um efeito de vácuo estatal e proliferação de armas que desestabilizou todo o eco-sistema de segurança do Sahel e do Norte de África. Mas foi o ataque de Tongo Tongo[2] (Níger) em Outubro de 2017, no qual morreram quatro militares norte-americanos, que levou Washington a rever os procedimentos das suas forças no continente (Garamone, 2018).
Foi sobre este histórico de intervenções complexas e frequentemente controversas que se desenhou a abordagem das forças armadas dos EUA em África, em particular nesta actual era Trump. Sob a chancela do pragmatismo estrito e da doutrina «America First», a administração Trump redefiniu os termos do empenhamento militar norte-americano na África Sub-sahariana. Em vez de grandes missões de construção nacional (nation-building) ou missões de estabilização multilateral prolongadas, Washington passou a favorecer intervenções cirúrgicas, focadas primariamente na neutralização de ameaças terroristas directas através do US-AFRICOM.
Este paradigma operacional encontrou uma das suas manifestações mais visíveis na Nigéria, onde acções coordenadas de precisão procuraram desmantelar infra-estruturas extremistas em estados islâmicos do Norte daquela nação. Todavia, a revelação de que o Governo dos EUA pondera estender ou replicar este modelo para o Mali coloca desafios de uma ordem qualitativamente distinta. O Mali sobressai não apenas por constituir uma nação de esmagadora maioria muçulmana, mas sobretudo por sintetizar uma tríplice ordem de complexidades: a governação por uma junta militar originada num Golpe de Estado contra o presidente democraticamente eleito, a presença ostensiva de paramilitares russos da Africa Corps (sucessora do Grupo Wagner sob tutela do Ministério da Defesa da Rússia) e uma insurgência heterogénea que reúne desde autonomistas tuaregues do Azawad até jihadistas vinculados à al-Qaeda.
O presente ensaio analisa a dinâmica das intervenções militares dos EUA em África, contextualizando o seu percurso histórico desde o pós-Vietname e tomando como contraponto a intervenção recente na Nigéria para avaliar a viabilidade, os riscos e as implicações geopolíticas de uma eventual intervenção no Mali sob a era Trump, tendo como base reportagens e análises do The Washington Post (Hudson & Chason, 2026a) e da Deutsche Welle (Fröhlich 2026a e 2026b).
A “nova” Doutrina Militar de Trump e a aplicação prática no Norte da Nigéria
A abordagem estratégica da administração Trump para a segurança em África caracteriza-se pela rejeição de compromissos multilaterais extensos e pela priorização de acções de elevado impacto com uma pegada militar reduzida no terreno (light footprint). Em consonância com as directrizes analíticas expostas por publicações de análise estratégica como o Responsible Statecraft (Thurston, 2026), este modelo visa conter a proliferação do extremismo violento sem expor as forças terrestres norte-americanas a conflitos de erosão prolongados.
Na Nigéria, esta doutrina traduziu-se numa cooperação táctica e pontual com as Forças Armadas Nigerianas no combate aos focos do Estado Islâmico na Província da África Ocidental (ISWAP) e do Boko Haram. A intervenção norte-americana incidiu particularmente nos estados do norte nigeriano, onde imperam regiões predominantemente muçulmanas e sob a vigência do direito islâmico (Sharia) em que a vulnerabilidade sócio-económica e a fragilidade estatal permitiram a consolidação de santuários terroristas.
Como reportado pela RTP Notícias (RTP/LUSA, 2026) e por diversos órgãos da imprensa internacional, a eficácia desta fórmula traduziu-se em operações aéreas e de inteligência de alta precisão que culminaram na eliminação de algumas lideranças de topo de redes terroristas locais. A cooperação assentou num pressuposto fundamental: a existência de um governo central democraticamente legitimado em Abuja, capaz de fornecer a moldura jurídica e diplomática indispensável para a actuação das forças N-americanas. Nesse sentido, a acção na Nigéria serviu como validação empírica da premissa de que a capacidade militar dos EUA poderia ser projectada com sucesso em ambientes de maioria islâmica, desde que amparada por parcerias estatais reconhecidas e articuladas diplomaticamente.
O dilema maliano: legitimidade política e a fractura geopolítica
A perspectiva de transpor este modelo de intervenção para o Mali foi tornada pública por matérias exclusivas do The Washington Post (Hudson & Chason, 2026a), que revelaram que o Pentágono e a administração Trump ponderam seriamente opções militares contra alvos insurgentes naquele país do Sahel. Contudo, esta intenção confronta-se imediatamente com restrições de ordem política e institucional impreteríveis. Ao contrário do cenário nigeriano, o Mali vive um cenário de profunda ruptura constitucional. O país é governado por uma junta militar liderada pelo General Assimi Goïta, que ascendeu ao poder através de sucessivos Coup d’ États sobre Governos civis democraticamente eleitos.
Conforme analisa detalhadamente a Deutsche Welle (Fröhlich 2026a e 2026b), existe um risco substancial associado a uma intervenção militar dos EUA no Mali. A degradação da estabilidade política no Sahel acompanhou a decisão da junta de expulsar as forças ocidentais da Operação Barkhane[3] e de solicitar a cessação da missão de paz das Nações Unidas (MINUSMA). Como noticiam alguns órgãos de informação, nomeadamente, brasileiros como o CNN Brasil e o portal G1, além de naturalmente, o citado por aqueles, The Washington Post (Fröhlich, 2026b), qualquer acção militar da administração Trump no Mali suscita graves questões relativamente à legitimação indirecta do regime militar de Bamako, que pondera acolher a ideia de Trump (Hudson & Chason, 2026b), tal como a Nigéria o pondera (Ramos, 2025).
O direito internacional e as convenções da União Africana (UA) impõem severas limitações à cooperação de defesa com regimes inconstitucionais. Para os EUA, qualquer acção militar não concertada ou, inversamente, realizada em cumplicidade tácita com uma junta militar corrompe o discurso normativo da promoção da democracia e da ordem constitucional. No entanto, a realpolitik…
Ademais, a dimensão geopolítica do Mali é exponencialmente mais gravosa devido ao alinhamento estratégico da junta militar com a Federação Russa. Conforme documentado pela Deutsche Welle (Fröhlich, 2026b), a presença activa de paramilitares da Africa Corps transforma o Mali num micro-teatro da rivalidade entre grandes potências. Uma intervenção militar dos EUA no espaço aéreo ou terrestre maliano comporta o risco iminente de incidentes tácitos ou confrontações indirectas com pessoal russo, elevando a tensão geopolítica global a patamares sem precedente no Sahel.
O mosaico da insurgência: a coligação sui-generis» no Azawad e o factor religioso
Para além dos entraves estatais e geopolíticos, a natureza das forças opositoras no Mali apresenta uma complexidade estrutural que contrasta vividamente com o quadro operacional da Nigéria. Enquanto na Nigéria o inimigo se encontra claramente delimitado sob a bandeira do extremismo salafista-jihadista, no Norte do Mali a linha de fractura é profundamente fluida e imprevisível.
O cenário bélico maliano é dominado por uma «coligação sui-generis» de conveniência que agrega dois actores fundamentalmente distintos:
Os movimentos independentistas do Azawad: Grupos predominantemente laicos e étnicos (sobretudo tuaregues), representados historicamente pela Coordenação dos Movimentos do Azawad (CMA)[4] e pelo Quadro Estratégico Permanente (CSP-DPA)[5], cujo objectivo primacial é a auto-determinação ou autonomia da região setentrional do Azawad, sendo que o a FLA (Front de Libération de l’Azawad)[6], tenha recomeçado as suas actividades separatistas no início deste ano (Randrianarimanana, 2026).
Os grupos extremistas islâmicos: Organizações jihadistas sob a tutela do Jama’at Nusrat al-Islam wal-Muslimin (JNIM), a filial oficial da al-Qaeda no Sahel (al-Qaeda no Magrebe Islâmico – AQIM), que procuram a imposição de um califado e a aplicação rigorosa da lei islâmica por toda a região (Almeida, 2022: 853-854; Almeida, 2026: 463-464).
Esta aliança táctica entre o nacionalismo separatista tuaregue e o extremismo religioso transnacional cria um ambiente operativo extremamente movediço. Como adverte a análise da Fröhlich (2026b), uma acção militar dos EUA destinada a erradicar elementos do JNIM arrisca atingir inadvertidamente facções independentistas que não possuem como agenda o terrorismo internacional, alimentando a narrativa de que Washington actua como força de opressão contra as populações locais do Norte do Mali.
Com efeito, sendo o Mali um país esmagadoramente muçulmano, a condução de operações militares ocidentais em território nacional é susceptível de instrumentalização propagandística pelos grupos radicais. Da mesma forma que na Nigéria a actuação em estados islâmicos exigiu extrema cautela sociológica, no Mali a presença militar estrangeira corre o risco constante de catalisar o sentimento anti-ocidental e unificar populações locais e insurgentes contra o que pode ser visto como uma eventual agressão externa.
Mas há dois factos que ajudam a esta vontade e aceitação de uma actuação dos EUA no Mali e que parece estar a ser pouco tido em conta. Em Outubro de 2025, o piloto missionário norte-americano Kevin Rideout, foi raptado da sua residência missionária da” Serving In Mission”, em Niamey, Níger, por um grupo islamita, pensa-se do JNIM, e que foi recentemente libertado (AFP, 2026) com o apoio das autoridades militares líbias que intermediaram esta libertação. Mas já em 2016 também um outro missionário norte-americano, Jeffery Woodke, foi raptado por islamitas radicais e libertado, em Março de 2023, na tríplice fronteira (confluência fronteiriça entre Burkina Faso, Mali e Níger) (CPAD News, 2023).
Ora no caso de Rideout, os EUA – porque tinham indicação que o mesmo poderia estar em território maliano – solicitaram ao Mali autorização para sobrevoo das áreas onde o missionário poderia estar detido no que foi aceite por este país (Abdi, 2026), tal como fizeram com o Níger, no caso de Woodke, mas sem concordância do Níger. Isto foi uma porta-aberta para a actual situação, já que EUA e Mali estão a negociar um acordo de segurança (Africa Table, 2026).
A União Africana e a APSA: o confronto entre o intervencionismo unilateral e a soberania continental
A probabilidade de uma crescente intervenção militar norte-americana unilateral pela administração Trump – ainda que sob a capa de acordo com Bamako –traz ao primeiro plano uma das contradições mais profundas da geopolítica africana contemporânea: o choque entre a projecção de poder externa e a arquitectura institucional de segurança do próprio continente.
A União Africana (UA), através da sua Arquitectura Africana de Paz e Segurança (APSA), sustentada pelo Conselho de Paz e Segurança (CPS) e pelo mecanismo da Força de Reserva Africana (ASF), é guiada pelo princípio basilar de “Soluções Africanas para Problemas Africanos” (Almeida, 2022). Esta doutrina visa, precisamente e em princípio, evitar que o continente permaneça um espaço passivo de projecção de forças de potências extra-continentais.
A abordagem de Washington nesta era Trump gera impactos e atritos directos no eco-sistema da UA e da APSA em três frentes fundamentais:
A marginalização do multilateralismo Africano: a preferência da administração Trump pelo “bi-lateralismo pragmático” ou “transacional” conduz a parcerias directas com estados individuais (como na Nigéria) ou a acções unilaterais pontuais, contornando a UA e os blocos económicos regionais, como, no caso, a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) e, de certa forma, a nova e emergente Aliança dos Estados do Sahel (AES)[7]. Na eventualidade de operar à margem do Conselho de Paz e Segurança da UA (CSP-UA), os EUA podem enfraquecer as autoridades normativas continentais e alimentarão a fragmentação das respostas colectivas de segurança.
A erosão da Arquitectura Africana de Governação (AGA): a APSA funciona de forma integrada com a Arquitectura Africana de Governação (AGA), que estabelece tolerância zero para alterações inconstitucionais de governo (Coup d’États ou Golpes de Estado). A actuação militar pragmática dos EUA no Sahel, caso acabe por cooperar operacionalmente ou negociar tacitamente com a junta militar de Bamako em prol da “luta anti-terrorista”, mina directamente as sanções e a política de isolamento impostas pela UA ao regime de Assimi Goïta, significando a legitimação de governos de facto que ascenderam pela força das armas.
A armadilha da pependência e do vácuo financeiro: historicamente, a operacionalização da APSA tem padecido de uma vulnerabilidade crónica: a sistemática dependência de financiamento externo. Quando a política externa dos EUA reduz o apoio financeiro e logístico a missões multi-laterais organizadas ou validadas pela UA/ONU para favorecer operações americanas cirúrgicas e autónomas, a UA é empurrada para um dilema estratégico. Ora para preencher o vácuo, estados-membros ou juntas regionais recorrem a actores alternativos de segurança (como o da Rússia (Africa Corps) ou aos Estados do Golfo, nomeadamente a Arábia Saudita e os EAU), transformando o espaço da APSA num campo de batalha por procuração (proxy warfare) que desmantela a soberania continental almejada pela Agenda 2063, da UA.
Portanto, a proliferação do modelo de acção militar de Washington não só contorna a soberania estratégica que a APSA procura tentar edificar, como arrisca reduzir a UA a um espectador impotente perante a militarização crescente do Sahel.
Conclusão e perspectivas estratégicas
A comparação entre as intervenções militares norte-americanas na Nigéria e a ponderação de acções no Mali demonstra com clareza as delimitações da doutrina de intervenção pontual da actual era Trump quando aplicada a cenários de elevada volatilidade institucional.
Na Nigéria, a convergência de interesses entre Washington e um governo legítimo permitiu obter resultados pontuais significativos contra o ISWAP. No entanto, a transposição dessa estratégia para o Mali afigura-se extremamente problemática, tal como sublinhado por Hudson & Chason (2026a) e por Fröhlich (2026b). O Mali não oferece os pressupostos mínimos para uma cooperação militar sólida sem custos políticos demasiados elevados: a junta militar padece de défice de legitimidade, a presença dos paramilitares russos da Africa Corps introduz o risco de um possível conflito entre super-potências, e a insurgência do Azawad funde causas secessionistas e radicais que desafiam qualquer categorização simplista.
Além disso, a negligência relativamente à UA e aos mecanismos da APSA corrói as bases da governação multi-lateral e da estabilidade de longo prazo no continente. Em última análise, se os Estados Unidos optarem por avançar com ataques militares no Mali à margem do quadro normativo africano, arriscam-se a ficar enredados num conflito multi-dimensional onde os limites entre o combate ao terrorismo e a disputa geopolítica se esbatem. A experiência histórica das intervenções em África, desde a Somália e Líbia até ao presente, sugere que, na ausência de uma estratégia diplomática abrangente e articulada com as instituições continentais, o uso exclusivo da força militar de precisão corre o risco de desestabilizar, ainda mais, a periclitante região do Sahel e dividir a, cada vez mais frágil, governação da UA, como o Relatório do Representante Especial e Chefe do Gabinete das Nações Unidas para a África Ocidental e o Sahel (UNOWAS), Leonardo Santos Simão, deixa adivinhar (UN-SC, 2026).
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O autor
(*) 1. Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE-IUL), Lisboa, Portugal.
- Investigador Colaborador do Centro Estudos Internacionais do ISCTE-IUL (CEI-IUL);
- Investigador Sénior Associado da Associação CEDESA – Centro de Estudos para o Desenvolvimento Económico e Social de África / ARN (Angola Research Network);
4.Investigador associado do Centro de Investigação Desenvolvimento e Inovação da Academia Militar (CINAMIL), Academia Militar, Instituto Universitário Militar, Lisboa, Portugal;
- Doutorado em Ciências Sociais, especialidade de Relações Internacionais, (ISCSP-UTL).
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[1] Operação Gothic Serpent (Serpente Gótica, ou “Batalha de Mogadíscio”) foi uma operação militar dos Estados Unidos em Mogadíscio (Somália), em 3-4 de Outubro de 1993. O objetivo principal era capturar o líder guerrilheiro somali Mohamed Farrah Aidid, que liderava os ataques às forças “peacekiping” da ONU (UNOSOM II). Participaram nesta falhada operação militar – deu, depois, direito ao um filme “Black Hawk Down” – três unidades de elite norte-americana: 2 do exército (Companhia B (Bravo), 3º Batalhão, 75º Regimento Ranger “Task-Force Ranger” e o Esquadrão C, 1º Destacamento Operacional de Forças Especiais-Delta “1st SFOD-D ou Delta Force”) e da aviação (a 160º Regimento de Operações Especiais de Aviação “ou Night Stalkers”) (Dos Santos & Perdue, 2022).
[2] Tongo Tongo é uma aldeia localizada no sudoeste do Níger, na região de Tillabéri, muito próxima da fronteira com o Mali (numa zona conhecida como a “região das três fronteiras”, que abrange o Níger, o Mali e o Burkina Faso).
[3] A “A Operação Barkhane, que substituiu a “Operação Serval”, exclusiva para o Mali, foi uma missão militar liderada pela França na região africana do Sahel, realizada entre Agosto de 2014 e Novembro de 2022. O seu principal objectivo passava pelo combate aos grupos armados jihadistas e terroristas, actuando em cooperação com cinco países da região (Mauritânia, Mali, Níger, Chade e Burkina Faso, agrupados no G5 Sahel). Esta operação terminou, formalmente, em Novembro de 2022, com a retirada total das tropas francesas do território maliano, após os sucessivos Golpes d’ État militares no Mali, Níger e Burkina Faso e da hostilização que estes países começaram a ter com a presença francesa na área (Almeida, 2022: 853-855).
[4] Coordenação dos Movimentos do Azawad (Coordination des Mouvements de l’Azawad – CMA), criada no final de 2013, é uma aliança de grupos rebeldes formada pelo Movimento Nacional de Libertação do Azawade (MNLA) – o mais antigo movimento independentista –, pelo Alto Conselho para a Unidade do Azawade (HCUA) e pelo Movimento Árabe do Azawade (MAA).
[5] O Quadro Estratégico para a Defesa do Povo de Azawad (Cadre stratégique permanent pour la défense du peuple de l’Azawad – CSP-DPA) foi criado Maio de 2021 (inicialmente como Cadre stratégique permanent pour la paix, la sécurité et le développement — CSP-PSD), com base os Acordos de Paz de Argel, de 2015, tendo adoptado a actual denominação em Abril de 2024, após a escalada de tensões quando a MINUSMA começou a retirar-se do país e o exército regular maliano (FaMa), apoiado pelo Africa Corps, ocupou bases militares no Norte que os rebeldes consideravam sob o seu controlo.. Formam esta “conglomerado” a CMA, a Plateforme des mouvements du 14 juin 2014 d’Alger (Plateforme) e um movimento encabeçado por figuras independentistas de Azawad (Randrianarimanana, 2026).
[6] A Frente de Libertação do Azawad (Front de libération de l’Azawad – FLA), uma coligação político-militar separatista de base tuaregue e árabe, ciada em Novembro de 2024, em Tinzaouatène, esteve um pouco inactiva tendo relançado a sua ofensiva armada no início de 2026. A FLA resultou do agrupamento de fações mais radicais e independentistas do CSP-DPA.
[7] Formam a Aliança dos Estados do Sahel (AES) o Burkina Faso, o mali e o Níger, havendo países que ponderam integrar esta aliança que resultou da saída daqueles três países da CEDEAO, como Togo (The Drone Front, 2025).











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