Amarrado a uma árvore e preso em um porão: leões resgatados de Israel chegam à África e pisam na grama pela 1ª vez


Ben-Tzur e Ori, dois leões resgatados de Israel em meio ao conflito no Oriente Médio, chegaram à África do Sul para começar uma nova vida, nesta semana. Os animais foram retirados de uma situação de cativeiro e transportados pela instituição britânica Animal Defenders International (ADI) até o santuário da organização, onde tiveram contato com a grama e com outros leões pela primeira vez.

Os dois foram separados da mãe logo após o nascimento e passaram por diferentes proprietários como animais de estimação. Um deles foi encontrado amarrado a uma árvore em um quintal; o outro, mantido em um porão. Eles acabaram confiscados pela Agência de Proteção Ambiental de Israel e pela Autoridade de Parques durante uma operação contra o tráfico de animais silvestres.

A retirada, porém, foi dificultada pelo conflito na região. Segundo a ADI, os fundadores da instituição, Jan Creamer e Tim Phillips, esperavam havia meses por uma oportunidade de transporte aéreo. Quando surgiu um voo de carga saindo de Tel Aviv, a equipe precisou agir rapidamente.

— O resgate foi uma operação muito difícil porque a guerra fechava o espaço aéreo regularmente — afirmou Phillips. Ele e Jan acompanharam os animais em uma viagem de cerca de 50 horas, passando pelo Cairo e por Frankfurt, até Joanesburgo. Durante o trajeto, os leões foram hidratados e alimentados com carne.

De Joanesburgo, ainda fizeram uma viagem de três horas de carro até o santuário de 455 acres da ADI, que abriga quase 40 leões e tigres resgatados de circos e outras formas de exploração.

— Foi uma longa viagem, mas eles permaneceram calmos e relaxados o tempo todo. Era possível vê-los ganhar vida quando chegavam ao santuário — disse Phillips. Segundo ele, os outros leões rugiram ao receber os recém-chegados. Ben-Tzur e Ori ainda são jovens e não aprenderam a rugir, mas devem em breve se juntar aos demais nos chamados matinais e vespertinos.

O caso também chama atenção para a crescente exposição de animais selvagens como animais de estimação nas redes sociais. A ADI afirma ter identificado publicações com milhões de visualizações mostrando felinos como tigres e guepardos dentro de casas. Para Jan Creamer, a prática priva os animais de comportamentos naturais e incentiva um comércio cruel.

— Esses animais nunca foram adequados para viver em lares humanos — afirmou.



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