Como os cartéis de drogas mexicanos expandiram seus laboratórios de metanfetamina na África


Agentes de combate às drogas inspecionam um local supostamente utilizado como laboratório clandestino de metanfetamina – estado de Ogun, Nigéria – 22 de julho de 2026.

Crédito, Reuters

Legenda da foto, Agentes de combate ao narcotráfico inspecionam o local de um suposto laboratório de drogas ilícitas em uma área de mata densa no oeste da Nigéria

    • Author, Simi Jolaoso
    • Role, Correspondente da BBC News na África
    • Reporting from, Ogun state
  • Published

  • Tempo de leitura: 7 min

O juiz nigeriano estava vestido com trajes formais, os advogados mantinham a formalidade e o protocolo jurídico foi seguido — mas a audiência não aconteceu no conforto de um tribunal em Lagos. Ela foi realizada dentro de um suposto laboratório clandestino de drogas, em meio a uma floresta densa.

Três mexicanos e sete nigerianos foram apresentados algemados enquanto o juiz Musa Kakaki inspecionava os produtos químicos e os equipamentos que, segundo a acusação, eram usados para produzir a perigosa droga sintética ilegal metanfetamina, conhecida como meth, crystal meth ou, localmente, ice.

Um cheiro forte, amargo e penetrante tomava conta do laboratório improvisado, por causa de um grande tambor contendo a droga em estado líquido, que estava em processo de cristalização. Outro odor intenso vinha de recipientes abertos com um líquido escuro e viscoso, descrito como metanfetamina “bruta”, ou seja, ainda não processada.

Outros materiais estavam espalhados pelo prédio inacabado, incluindo cilindros de gás propano e sacos de soda cáustica.

A transferência temporária do Tribunal Superior Federal para esse local, a cerca de duas horas de carro de Lagos, foi uma medida incomum no sistema judiciário da Nigéria. Mas a Agência Nacional de Repressão às Drogas (NDLEA, na sigla em inglês) afirmou que ela era necessária para que fosse possível compreender a dimensão da operação.



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