As operações militares dos EUA na América do Sul vão aumentar? Colômbia é a próxima da lista


Eleição na Colômbia mostra força do discurso outsider e antipolítica

Crédito: Produção: Beatriz de Souza/Imagem e som: Felipe Oliveira (Felps)

MIAMI — Os Estados Unidos estão aumentando a pressão sobre os países latino-americanos para que concordem com operações militares conjuntas contra os cartéis de drogas. Mas é muito provável que os ataques contra os cartéis acabem sendo mais uma jogada publicitária — com vídeos que parecerão uma sequência do filme “Força Delta” — do que uma estratégia eficaz.

Em uma reunião com ministros da defesa e generais de 18 países da região, realizada no Panamá em 12 de agosto, o secretário de Defesa, Pete Hegseth, anunciou que os Estados Unidos intensificarão suas operações militares conjuntas com os países aliados que as autorizarem.

Hegseth afirmou que o novo presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella, já solicitou ações militares conjuntas, algo que o governo anterior não havia permitido.

Trump tem intensificado sua ofensiva para usar a força militar dos EUA contra os cartéis na região. O governo Trump bombardeou mais de 65 barcos pertencentes a suspeitos de tráfico de drogas no Caribe e no Pacífico, deixando pelo menos 221 mortos, apesar das críticas de que pessoas estão sendo executadas sem julgamento.

O presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella, fala durante uma entrevista coletiva no Palácio de San Carlos, em Bogotá, em 12 de agosto de 2026 Foto: Esteban VEGA LA-ROTTA / AFP

Em 8 de janeiro, poucos dias após a captura do ex-ditador venezuelano Nicolás Maduro, Trump afirmou que os Estados Unidos começariam a “atacar os cartéis no terreno”.

Em 7 de março, Trump presidiu a primeira cúpula do “Escudo das Américas” em Miami, a aliança regional que ele criou para combater os cartéis de drogas, conter a imigração ilegal e reduzir a influência chinesa. Naquele mesmo mês, o Equador e os Estados Unidos iniciaram operações militares conjuntas.

Na semana passada, o Comando Sul anunciou a criação da Força-Tarefa Conjunta do Hemisfério Ocidental para coordenar a ofensiva. A aliança “Escudo das Américas” já inclui países como Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, El Salvador, Guatemala, Honduras, Peru e diversas nações caribenhas.

A grande ausência, claro, é a do México, principal porta de entrada de drogas para os Estados Unidos.

A presidente Claudia Sheinbaum reiterou que o México aceita a cooperação em inteligência e treinamento, mas não a presença direta de tropas americanas em seu território. O Brasil, que também não faz parte do “Escudo das Américas”, adotou uma postura semelhante.

Embora, em teoria, operações militares conjuntas possam ajudar no combate ao narcotráfico, a maioria dos especialistas duvida que a estratégia atual funcione.

Muito provavelmente, uma estratégia puramente militar — sem outras medidas, como o fortalecimento dos sistemas judiciais para combater a corrupção — só conseguirá transferir os chefes dos cartéis de um país para outro.

Rebecca Bill Chavez, presidente do think tank Diálogo Interamericano e ex-funcionária do Pentágono, disse-me que “a força militar pode ser uma ferramenta importante, mas não é uma estratégia de segurança em si mesma”.

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Em entrevista, Donald Trump se refere ao presidente da Colômbia, Gustavo Preto.

Ele acrescentou que “você pode matar um chefão do tráfico e destruir um laboratório de drogas, mas essas são vitórias táticas: elas não acabam com a corrupção, a impunidade ou o mau funcionamento das instituições de justiça”.

De fato, reduzir o tráfico de drogas exige — além de programas de prevenção nos Estados Unidos e em outros países consumidores — o fortalecimento do sistema judiciário, a reformulação das forças policiais locais e a promoção de culturas alternativas. O que se faz necessário é o que os especialistas chamam de estratégia abrangente.

Infelizmente, o governo Trump está apostando quase tudo em bombardeios contra barcos e laboratórios de drogas, ao mesmo tempo que corta a ajuda externa destinada à formação de juízes e policiais, e ao desenvolvimento de culturas agrícolas legais.

O encerramento da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID), ordenado por Trump no ano passado, liquidou vários desses programas, embora alguns tenham sido transferidos para o Departamento de Estado.

Jeremiah A. Carew, ex-alto funcionário da USAID na Colômbia, escreveu recentemente na revista Foreign Affairs que os programas da agência ajudaram a “reduzir substancialmente o cultivo de coca e são uma solução melhor do que bombardear barcos pertencentes a suspeitos de tráfico”. Ele acrescentou que, um ano após o encerramento das atividades da USAID, “mais cocaína está chegando aos Estados Unidos do que antes”.

Assim como vimos com os vídeos de barcos destruídos no mar, provavelmente em breve veremos imagens de laboratórios de drogas sendo bombardeados na selva, como em um filme de Hollywood. Isso pode criar a ilusão de uma luta eficaz contra as drogas, mas sem uma estratégia mais ampla, tudo não passará de um espetáculo.



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