O Brasil deixou de ser apenas o maior mercado de veículos eletrificados da América Latina. Agora, também é o principal responsável pelo avanço da eletrificação na região. Segundo levantamento do Zero Emissions Observatory for Latin America (ZEMO), divulgado pelo CleanTechnica, o país respondeu por aproximadamente dois terços do crescimento das vendas de veículos elétricos e híbridos plug-in (BEV e PHEV) no segundo trimestre de 2026, consolidando sua posição como o principal motor da transição para a mobilidade elétrica no continente.
No período, as vendas de veículos plug-in cresceram 137% na América Latina em relação ao segundo trimestre de 2025, elevando a participação desses modelos para 10,7% do mercado regional de veículos leves – o maior índice já registrado.
Do aumento de cerca de 108 mil unidades observado na comparação anual, aproximadamente 66,7 mil vieram do mercado brasileiro. Na prática, isso significa que quase dois terços da expansão regional tiveram origem no Brasil, impulsionados principalmente pela rápida evolução do segmento de elétricos a bateria (BEV), que cresceu mais que os híbridos plug-in (PHEV) na região.
Vendas de veículos plug-in na América Latina (2º trimestre de 2026)
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Posição |
País |
Vendas (BEV + PHEV) |
|
1 |
Brasil |
107.344 |
|
2 |
México |
28.427 |
|
3 |
Colômbia |
17.352 |
|
4 |
Argentina |
8.313 |
|
5 |
Uruguai |
7.968 |
|
6 |
Chile |
6.678 |
|
7 |
Equador |
4.902 |
|
8 |
Costa Rica |
3.767 |
|
9 |
Paraguai |
2.079 |
|
10 |
Peru |
835 |
Fonte: ZEMO / CleanTechnica.
Brasil cresce em participação e amplia liderança em volume
Além de liderar em vendas absolutas, o Brasil encerrou o segundo trimestre com 13,5% de participação dos veículos plug-in no mercado de automóveis e comerciais leves, percentual superior à média latino-americana.
Ainda assim, alguns mercados menores apresentam uma penetração proporcionalmente maior. O Uruguai lidera o ranking regional, com 40,6% de participação dos veículos plug-in, seguido por Costa Rica (21,8%), Colômbia (20,6%) e Paraguai (15,2%).

Foto de: GWM
A diferença, porém, está na escala. Enquanto esses países possuem mercados relativamente pequenos, o Brasil reúne o maior volume de vendas da região, tornando qualquer avanço percentual muito mais representativo em números absolutos.
Participação dos veículos plug-in no mercado (2º trimestre de 2026)
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Posição |
País |
Participação |
|
1 |
Uruguai |
40,6% |
|
2 |
Costa Rica |
21,8% |
|
3 |
Colômbia |
20,6% |
|
4 |
Paraguai |
15,2% |
|
5 |
Brasil |
13,5% |
|
6 |
Equador |
11,7% |
|
7 |
Chile |
8,2% |
|
8 |
México |
7,3% |
|
9 |
Argentina |
6,1% |
|
10 |
Panamá |
1,3% |
Fonte: ZEMO / CleanTechnica.
Produção nacional ajuda a explicar avanço
O desempenho brasileiro coincide com uma profunda transformação da indústria automotiva nacional. Nos últimos meses, fabricantes chinesas aceleraram seus investimentos locais, ampliando a oferta de veículos eletrificados produzidos ou montados no país.
A BYD iniciou a produção em Camaçari (BA) e a GWM em Iracemápolis (SP), enquanto Geely, GAC, Leapmotor e outras marcas avançam em seus planos industriais para o mercado brasileiro. Paralelamente, a oferta de modelos cresceu rapidamente, abrangendo desde compactos até SUVs e picapes híbridas.
Outro fator destacado pelo levantamento é a expansão da infraestrutura de recarga. O estudo aponta Brasil e Chile como os mercados latino-americanos com as redes públicas de carregamento mais robustas, reduzindo uma das principais barreiras para a adoção dos veículos elétricos.
Julho mostra que a tendência continua
Embora o relatório considere apenas os dados do segundo trimestre, os números mais recentes indicam que o crescimento continuou no início do segundo semestre.
Segundo a Bright Consulting, julho registrou 264.775 emplacamentos de veículos leves no Brasil. Desse total, 61.781 eram eletrificados, o equivalente a 23,3% do mercado.

Foto de: Motor1 Brasil
Os veículos plug-in somaram 46.160 unidades, distribuídas entre 25.764 elétricos a bateria (BEV), 19.842 híbridos plug-in (PHEV) e 554 elétricos de autonomia estendida (REEV).
Na prática, isso representa cerca de 17,4% do mercado brasileiro, enquanto os BEVs, sozinhos, responderam por 9,7% dos emplacamentos do mês. Os dados confirmam a tendência apontada pelo estudo regional e mostram que o Brasil manteve a trajetória de crescimento após o encerramento do segundo trimestre.

Foto de: Motor1 Brasil
América Latina acelera eletrificação
No conjunto da região, o segundo trimestre marcou uma mudança importante. Pela primeira vez, os veículos elétricos e híbridos plug-in ultrapassaram a marca de 10% de participação nas vendas de veículos leves, aproximando-se de 190 mil unidades comercializadas no período.
Outro destaque é que os elétricos a bateria passaram a crescer mais rapidamente que os híbridos plug-in. Enquanto as vendas de BEVs avançaram 162% na comparação anual, os PHEVs cresceram 109%, fazendo com que os elétricos puros passassem a representar 58% das vendas de veículos plug-in na América Latina.

Foto de: InsideEVs Brasil
Segundo o estudo, a combinação entre maior oferta de modelos, redução gradual dos preços e expansão da infraestrutura de recarga deve continuar sustentando a eletrificação da região nos próximos meses.
Indo muito além de simplesmente liderar em volume, o Brasil passou a desempenhar um papel estratégico nesse processo. O crescimento do mercado nacional já influencia diretamente os resultados latino-americanos e reforça a importância dos investimentos em produção local, ampliação da oferta de modelos e infraestrutura para consolidar a eletrificação no continente.











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