O Brasil concentrou 39% dos casos de “deepfake” registrados na América Latina em 2025 e teve um aumento de 126% nos ataques que usam imagens, vozes e identidades falsas em relação ao ano anterior. Os dados estão no sexto volume da série Radar Tecnológico, divulgado nesta quarta-feira (29) pela Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD). Segundo o órgão, a popularização da inteligência artificial generativa tornou os golpes mais sofisticados ao combinar clonagem de voz e imagem com técnicas já conhecidas de fraude.
O estudo explica como funcionam os “deepfakes” e analisa os impactos da tecnologia para a proteção de dados e a segurança digital. A publicação também faz parte das novas atribuições da ANPD, como a responsabilidade na fiscalização de plataformas digitais, na gestão de riscos e na proteção dos usuários, especialmente de grupos vulneráveis.
Segundo a agência, os “deepfakes” não criaram um novo tipo de golpe, mas aumentaram a eficiência de fraudes que já existiam. Com vídeos e áudios manipulados, criminosos conseguem se passar por executivos, políticos, celebridades ou até familiares para convencer vítimas a fazer transferências, investir em falsas oportunidades ou compartilhar informações pessoais.
O relatório cita casos de vídeos falsos, usados para divulgar investimentos inexistentes, e conteúdos que utilizavam marcas conhecidas para prometer falsas indenizações por vazamentos de dados. O estudo também alerta para o aumento da clonagem de voz e imagem de parentes, chefes e colegas de trabalho para pedir transferências bancárias ou pagamentos urgentes.
Nas conclusões, a ANPD afirma que o avanço dos “deepfakes” exige não apenas soluções tecnológicas e novas regras, mas também maior educação digital da população. Para o órgão, em um cenário em que imagens e áudios podem ser facilmente manipulados, preservar a confiança nos ambientes digitais passa a ser um dos principais desafios para a proteção de dados e dos direitos dos cidadãos.











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