Brasil e México: motores da redução da pobreza na América Latina


Na Argentina, pobreza cresce  – Foto: Emergentes/Carlos Sainz Ochoa

Não é surpresa que Claudia Sheinbaum, no México, e Lula da Silva, no Brasil — que quase certamente será reeleito presidente em novembro — estejam desfrutando de crescente popularidade. Ambos se apresentam como baluartes do progressismo latino-americano em meio a uma onda conservadora que levou governos de extrema-direita ao poder — governos que se alinham à administração de Donald Trump nos Estados Unidos.

Javier Milei, o presidente da Argentina, deve estar insatisfeito. Ele constantemente se vangloria de ter reduzido as taxas de pobreza de seu país a níveis sem precedentes. No entanto, a CEPAL acaba de frustrar suas expectativas: não são ele e seu governo ultraneoliberal “libertário” que lideram a redução da pobreza na América Latina, mas sim o México do MORENA e de Claudia Sheinbaum, e o Brasil do PT e de Lula da Silva — a quem Milei insultou descaradamente, há pouco tempo, em solo brasileiro.

Como é sabido, a América Latina detém a triste marca de ser o continente mais desigual do mundo; os 10% mais ricos da população regional continuam a concentrar mais de um terço da renda total, e quase 47% dos trabalhadores permanecem no setor informal.

Nesse contexto, a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) — um órgão da ONU — informou nesta semana que a pobreza caiu para 25,5% da população (162 milhões de pessoas), atingindo um mínimo histórico. Essa queda de 2,2 pontos percentuais em relação ao ano anterior foi impulsionada principalmente pelos avanços alcançados no México e no Brasil.

De fato, segundo o relatório *Panorama Social da América Latina e do Caribe 2025* da CEPAL, o México registrou uma queda anual de 3,1% na pobreza total, enquanto o Brasil apresentou uma redução de 1,9%. Ambos os países impulsionaram significativamente a média regional, sendo responsáveis ​​por 60% e 30%, respectivamente, da redução total no número de pessoas vivendo na pobreza na América Latina.

No caso do México, os principais fatores que impulsionaram essa queda na pobreza foram o aumento real substancial do salário mínimo e as transferências públicas por meio de bolsas e pensões; No caso do Brasil, os fatores determinantes foram a dinâmica do mercado de trabalho combinada — notadamente — com transferências estatais e de assistência social.

Em contrapartida, na Argentina, a pobreza voltou a subir no início de 2026, segundo o Observatório da Dívida Social Argentina (vinculado à Pontifícia Universidade Católica da Argentina). O estudo indica que a taxa de pobreza atingiu 30% da população, ao passo que a pobreza extrema também aumentou, interrompendo a recuperação observada nos meses anteriores. Especialistas atribuem essa situação à queda na renda e ao impacto da inflação sobre o poder de compra das famílias.

Não deve surpreender, portanto, a crescente popularidade de Claudia Sheinbaum no México e de Lula da Silva no Brasil (onde ele quase certamente será reeleito presidente em novembro). Ambos se apresentam como baluartes do progressismo latino-americano em meio a uma onda conservadora que levou governos de extrema-direita ao poder — governos que se alinham à administração de Donald Trump nos Estados Unidos.

Esses governos neoconservadores caracterizam-se por uma agenda que busca reverter conquistas sociais duramente alcançadas — como a jornada de trabalho de oito horas e o direito de protestar e fazer greve —, as quais levaram décadas para serem obtidas e consolidadas. Eles atuam em meio a uma intensificação de políticas de “mão de ferro”, como as defendidas por Bukele em El Salvador, e a ataques às instituições públicas e à separação de poderes em seus próprios países; além disso, empregam uma retórica grosseira e polarizadora que empurra nossas sociedades para a beira do confronto.

O medo da violência e da insegurança, somado a promessas de “mão firme”, levou grandes segmentos da população a depositar sua confiança em líderes que erguem o punho como símbolo de força. Todos eles surfam na onda da direita neofascista do governo dos EUA — uma força que, como podemos ver, exerce uma influência poderosa sobre os eleitores latino-americanos, os quais não percebem que estão dando carta branca à versão mais implacável do neoliberalismo.

No entanto, a longo prazo, os fatos — como aqueles que apresentamos e discutimos hoje — acabarão prevalecendo.



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