O Brasil assumiu a liderança na adoção de realidade aumentada (AR) e realidade virtual (VR) na América Latina, com uma penetração regional de 47,4%. Os dados são do estudo “State of immersive & agentic commerce 2026”, lançado pela metaKosmos na última semana, durante o Fórum E-Commerce Brasil. O levantamento projeta que o país terá 109 milhões de usuários dessas tecnologias até 2030, impulsionando um mercado nacional de realidades estendidas (XR) estimado em US$ 1,2 bilhão em 2025, com crescimento anual composto de 10,74% até o fim da década.
A pesquisa, que contou com a colaboração de mais de 70 marcas e especialistas do ecossistema, demonstra o impacto financeiro das tecnologias imersivas no varejo. Experiências em 3D e realidade aumentada geram um aumento de conversão que varia de 40% a 100% em comparação aos formatos tradicionais bidimensionais. As empresas que aplicam essas inovações registram redução de 20% a 35% no custo de aquisição de clientes e um aumento de 25% a 50% no valor do tempo de vida útil do consumidor (LTV). Além disso, o volume de vendas online apresenta alta entre 35% e 80%, impulsionando o tíquete médio em até 45%.
O documento também analisa a transição para o chamado comércio agêntico, caracterizado por agentes de inteligência artificial (IA) que navegam nas lojas digitais, comparam preços e finalizam transações de forma autônoma. Segundo dados da consultoria McKinsey, citados no relatório, essa tecnologia poderá intermediar entre US$ 3 trilhões e US$ 5 trilhões em vendas globais até 2030. Esse cenário deve multiplicar em cem vezes o volume de transações por segundo, saltando de 10 mil para 1 milhão. Para viabilizar a operação, as plataformas já mapeiam a integração de protocolos padronizados de conexão, como MCP, UCP e ACP.
“A Internet Espacial está chegando. Os AI smart glasses e óculos XR são a próxima plataforma, e assim como as marcas precisaram criar sites e apps, vão precisar criar presença tridimensional e conversacional”, afirma Ian Borges, cofundador e CEO da metaKosmos. O executivo alerta que companhias sem infraestrutura para receber os agentes autônomos perderão competitividade em menos de três anos, em paralelo ao aumento dos gastos corporativos globais com IA generativa, que saltarão de US$ 11,5 bilhões para US$ 37 bilhões já em 2025.
Apesar das projeções, 87% das marcas ainda não incorporaram soluções de 3D e IA. Entre os casos documentados operando em produção, o Grupo Boticário registrou um aumento superior a 46% na taxa de conversão após criar uma assistente de IA para o seu aplicativo. A Pague Menos automatizou 75% das vendas pelo WhatsApp, reduzindo a necessidade de suporte humano em 80%. Já a Stellantis implementou um configurador 3D para a Fiat Strada, o que gerou um potencial de crescimento de mais de 40% na venda de acessórios digitais e nas concessionárias. Outros exemplos práticos incluem a adoção de provadores virtuais pela Fuel Eyewear e simuladores de ambientes com realidade mista pela construtora Fraiha e pela Dexco.
A evolução do setor fomenta mercados paralelos em todo o ecossistema digital. O segmento de provadores virtuais, por exemplo, deve saltar globalmente de US$ 5,6 bilhões para US$ 65 bilhões até 2030, enquanto o live commerce tem projeção de movimentar US$ 488 milhões no Brasil no mesmo período. Com 80% dos varejistas planejando incluir a realidade aumentada em suas operações nativas, o mercado caminha para uma reestruturação profunda nas interações de compra nos próximos anos.











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