Chanceler do Japão defende aproximação e maiores laços econômicos com América Latina


Citando uma “era de incertezas e transformações”, o ministro das Relações Exteriores japonês, Toshimitsu Motegi, defendeu o fortalecimento da cooperação do Japão com a América Latina e o Caribe, tanto em laços econômicos quanto no respeito à defesa da ordem internacional baseada no Estado de Direito. 

Em carta publicada na semana passada, antes de uma visita a México, Panamá e Equador, que se encerra no domingo 9, Motegi destacou que a ordem internacional apresenta “sinais de instablidade”, como demonstrado pela invasão da Rússia à Ucrânia e pela situação no Irã — incluindo os desdobramentos em torno do Estreito de Ormuz”.

Dentro deste contexto, o ministro afirma que a “trajetória adotada por muitos países latino-americanos e caribenhos está em plena consonância com os princípios priorizados pela diplomacia japonesa, e compartilhamos com eles objetivos comuns”.

“Desde que conquistaram a independência nos séculos XIX e XX, os países da América Latina e do Caribe têm buscado autonomia e desenvolvimento, promovido a democracia e o livre comércio e — ao mesmo tempo em que valorizam a notável diversidade resultante da história, da cultura e do meio ambiente da região — têm se empenhado constantemente na construção de sociedades mais inclusivas”, diz no texto.

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Para estreitar a cooperação, além de manter e fortalecer estruturas já consolidadas, o Japão quer novas parcerias econômicas, incluindo o avanço de um acordo entre o Mercosul e o país asiático, segundo o chanceler. A movimentação se dá também em meio às restrições comerciais impostas pelos Estados Unidos e às limitações chinesas sobre exportações em setores específicos, como terras raras.

Em dezembro de 2025, o bloco e o Japão formalizaram um Marco de Parceria Estratégica, cobrindo comércio, investimento e transição energética. Mais tarde, em junho deste ano, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, se encontraram e anunciaram avanços em negociações, que foram formalizadas no final do mês pelos países do Mercosul. 

O Japão é a quarta maior economia do mundo e já está entre os dez maiores parceiros comerciais do Mercosul, com uma corrente de comércio de US$ 13,7 bilhões em 2025. Se os países envolvidos chegarem a um denominador comum, o acordo de parceria econômica criará uma área de livre comércio com PIB combinado de US$ 7 trilhões, num mercado consumidor comum de 400 milhões de pessoas, segundo o governo brasileiro.

“Com este acordo, as duas partes buscarão ampliar o acesso a mercados de bens agrícolas e não agrícolas, a cooperação e os investimentos mútuos, integrando as cadeias de valor entre ambas as economias”, informou o Itamaraty em comunicado.



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