Há um novo restaurante que promete ser de paragem obrigatória. É o Elemento Atlântico, fica a cerca de uma hora e meia de Lisboa, na Praia do Pego, na Comporta, e abriu portas no início de junho com sabores brasileiros e portugueses – e se gosta de comer bem e não dispensa uma vista desafogada para o mar, então tem de ficar a conhecer este espaço.
A cozinha é liderada por Manu Buffara, uma chef brasileira multipremiada, reconhecida como a melhor chef da América Latina, em 2022, pelo The World’s 50 Best Restaurants, que traz a Portugal produtos locais e sazonais, das regiões da Comporta, Setúbal e Alentejo.
“Para além de ser uma chef extraordinária, o seu compromisso com a biodiversidade e com a sazonalidade está totalmente alinhado com a filosofia Experimental. A par disso, existe uma ligação intrínseca entre o Brasil e Portugal e, com tantos brasileiros a viver aqui, esperamos que a cozinha da Manu seja um lembrete de casa, interpretado com ingredientes locais”, explica Xavier Padovani, sócio do Experimental, grupo de hospitalidade francês fundado, em 2007 em Paris, em comunicado.
Chef Manu Buffara
Quanto ao menu, para abrir o apetite há um couvert com pão brioche com manteiga da casa, patê de porco e pastrami (12€), bem como tábua de enchidos curados (21€), camarão tigre (15€), hot lavagante (24€ por 3 unidades), pão de queijo com caviar (28€), ostras selvagens com maracujá e óleo de coco (15€ por 3 unidades) e patê de fígado (15€).
Nas entradas, pode comer peixe cru (32€), crudo de vieira (24€), lulas baby com creme de milho (19€) e tártaro de novilho (23€), enquanto nos pratos principais existe espaço para propostas como copalombo de porto preto bolota (29€), wagyu grelhado (49€), canelloni de caranguejo (24€), arroz cremoso de caril brasileira de ananás e camarão fresco (39€), bacalhau (21€) e ravioli de queijo fresco de sabra do Alentejo (19€).
Para terminar, há sobremesa de queijo e mirtilo (15€), doce de caramelo salgado com chocolate branco tostado e creme de café (13€), de coco com crumble de puxuri (15€) ou de morangos com gelado de iogurte, endro e caviar (13€), e uma seleção de queijos com mel de priprioca (22€).
Só as entradas já levam a taça
Assim que entrámos, deparámo-nos com um espaço amplo, uma vista de cortar a respiração sobre o mar, entre dunas, e uma decoração cheia de detalhes, como canoas penduradas no teto. E se gostava de saber quais os pratos que vale a pena provar, a chef Manu Buffara sugeriu-nos alguns deles. Por isso, prepare-se para fazer uma lista mental do que tem mesmo de pedir.
Como em qualquer refeição portuguesa, a nossa teve de incluir pão, mas não qualquer um. Aqui, come-se pão brioche com manteiga da casa, patê de porto e pastrami (12€) – que, se não for uma heresia aquilo que estamos prestes a dizer, quase superou o clássico pão com manteiga, servido em qualquer restaurante português.
Antes de passarmos ao prato principal, comemos o hot lavagante (24€ por 3 unidades), um snack composto por uma base de pão brioche, camarão, vinagrete, morno de lavagante e maionese de cumari com limão, com um ligeiro toque picante, que estava tão bom que até deu pena quando terminou.
Nas entradas do mar, da horta e do fogo, provámos dois petiscos que nos deixaram com vontade de regressar à Comporta só para voltar a comer estas delícias. O primeiro foi o crudo de vieira (24€), que conquistou a medalha de ouro nesta experiência gastronómica. Composto por vieira, leite de coco, coentros e salsa de kiwi, revelou ser um prato extremamente fresco, cremoso, equilibrado e cheio de sabor.
A segunda entrada foi lulas baby muito tenras (19€), servidas com creme de milho e salsa de tinta de lula, que revelou ser daqueles pratos que parecem bastante simples, mas que são uma autêntica delícia.
Carregue na fotogaleria
A chef propôs provarmos dois pratos principais, um de peixe e outro de carne. Começámos pelo cannelloni de caranguegjo (24€), com salsa de caranguejo tostada e crumble de arroz negro. E sim, estava de comer e chorar por mais. Esta opção grita sabores do mar e pode não conquistar todos os paladares, mas será uma escolha certeira para os verdadeiros apreciadores de marisco, graças à sua intensidade e personalidade, com um ligeiro toque picante.
Provámos ainda o copalombo de porco preto bolota (29€), servido com puré de aipo, tâmaras, jus de assados e farofa. A carne estava suculenta e muito saborosa, enquanto a farofa combinava na perfeição com o prato. Já as lascas de tâmara davam um toque adocicado ao prato, equilibrando os sabores.
Nas sobremesas, começámos por provar um doce com morangos, gelado de iogurte, endro e caviar (13€), que nos agradou bastante, se bem que não conseguimos deixar de pensar no doce de caramelo salgado, com chocolate branco tostado e creme de café (13€), que revelou ser a cereja no topo do bolo, ou neste caso, da refeição.
Posto isto, valeu a pena percorrer mais de 100 quilómetros apenas para jantar no Elemento Atlântico? Sem dúvida alguma. Não só pela localização privilegiada ou pela vista sobre o Atlântico, mas sobretudo pela forma como cada prato consegue cruzar os sabores portugueses e brasileiros com criatividade e uma execução irrepreensível.
Com de 80 lugares no interior e 30 no exterior, o espaço foi redesenhado por Philippe Starck, em 2023, inspirado num chalé de montanha entre dunas. O restaurante está aberto todos os dias, das 18 horas até à meia-noite. Para ficar a conhecer o Elemento Atlântico, é recomendável fazer uma reserva online.
Elemento Atlântico
Morada: Alameda da Praia do Pego, 7570-783 Grândola, Comporta, Setúbal
Horário: Todos os dias das 18h às 24h
Contactos: 93 309 64 90 / Instagram











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