A Macquarie Asset Management concluiu a aquisição das operações de torres da IHS Towers no Brasil e na Colômbia, passando a controlar mais de 8,7 mil sites no mercado brasileiro e aproximadamente 250 na Colômbia. A operação havia sido anunciada em fevereiro e representa a saída da IHS do segmento de torres na América Latina.

A transação foi realizada pela Macquarie Asset Management em nome de um fundo privado de infraestrutura e envolve ativos utilizados pelas principais operadoras móveis da região. Com a conclusão, a gestora pretende manter e expandir a plataforma conforme as teles avancem na cobertura e na capacidade das redes.
Os números de sites variaram ao longo da transação em razão da evolução do portfólio. Quando o acordo foi anunciado, em 17 de fevereiro, a IHS informou aproximadamente 8.860 sites na América Latina. No fim de março, a companhia registrava 8.718 torres no Brasil e 258 na Colômbia, segundo sua apresentação de resultados do primeiro trimestre.
Compra foi acertada por R$ 3,55 bilhões
Documentos apresentados pela IHS à Securities and Exchange Commission (SEC) detalham a estrutura financeira da operação. O preço-base de compra estabelecido no contrato foi de R$ 3,55 bilhões, equivalente na época a aproximadamente US$ 683 milhões, sujeito a ajustes previstos no acordo.
Desse montante, cerca de US$ 394 milhões seriam financiados com capital próprio e aproximadamente US$ 289 milhões por dívida levantada no nível da operação brasileira. Parte da contraprestação também envolvia o pagamento de um empréstimo de acionista de aproximadamente US$ 200 milhões devido pela subsidiária brasileira à IHS Holding.
A IHS, por sua vez, divulgou o negócio com enterprise value de aproximadamente US$ 952 milhões. A diferença em relação ao preço-base decorre da metodologia utilizada pela companhia: o valor empresarial incorpora, além da contraprestação em dinheiro, o impacto líquido de dívidas, passivos de arrendamento e caixa.
Já a Macquarie anunciou originalmente um enterprise value de aproximadamente R$ 3,55 bilhões (US$ 685 milhões) utilizando uma base contábil diferente, que exclui caixa e a capitalização dos passivos de arrendamento IFRS 16.
Macquarie mira expansão das redes móveis
Com a conclusão do negócio, a Macquarie amplia sua exposição ao mercado brasileiro de infraestrutura digital. A gestora afirma investir há quase duas décadas em plataformas de torres móveis nas Américas.
Fernando Lohmann, líder da Macquarie Asset Management no Brasil, afirmou que a demanda crescente por conectividade continuará sustentando investimentos no segmento.
“O Brasil continua sendo um dos mercados de infraestrutura mais atraentes do mundo, apoiado pela crescente demanda por conectividade e investimentos de longo prazo em serviços críticos”, afirmou.
Segundo Lohmann, a aquisição reforça a estratégia da gestora para o país. “À medida que a digitalização acelera em todo o Brasil e na região como um todo, a infraestrutura de comunicação resiliente desempenhará um papel cada vez mais importante no apoio ao crescimento econômico e ao desenvolvimento social.”
Quando anunciou a operação, em fevereiro, o executivo já havia indicado que a Macquarie esperava novos investimentos em infraestrutura para sustentar a expansão das redes 5G no Brasil e na Colômbia nos próximos anos.
IHS deixa América Latina
Para a IHS Towers, a venda faz parte de uma reorganização mais ampla do portfólio.
Ao anunciar o acordo, o presidente e CEO da companhia, Sam Darwish, afirmou que a operação marcaria a saída da empresa da América Latina. A IHS classificou posteriormente seus negócios latino-americanos de torres como operações descontinuadas.
A empresa também vendeu sua participação de 51% na rede de fibra I-Systems para a TIM, operação concluída em maio. A alienação das torres e da participação na I-Systems integra a estratégia de desinvestimento regional da IHS, que paralelamente acertou sua aquisição pela MTN Group em uma transação separada.
O portfólio agora adquirido pela Macquarie atende grandes operadoras de telecomunicações e deverá continuar sendo utilizado para ampliar cobertura e capacidade das redes móveis. A gestora afirma que apoiará novos investimentos na plataforma à medida que seus clientes avancem na modernização das redes e em futuras implantações tecnológicas.










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