Maior universidade do México e quarta melhor da América Latina investiga uso de IA por candidatos em exame de vestibular virtual; entenda


O exame de admissão para a maior universidade do México está sob investigação sobre suspeita de fraude. O vestibular deste ano teve prova aplicada on-line. Famoso por ser o mais difícil do país, o alto rendimento superou as expectativas e levantou dúvidas sobre se os candidatos conseguiram burlá-lo com uso de inteligência artificial (IA).

Isso aconteceu na Universidade Nacional Autônoma do México (Unam), a mais prestigiada do país. E segundo o QS World University Rankings, a instituição foi classificada como a quarta melhor da América Latina para 2026, ficando atrás da Universidade de Buenos Aires (Argentina), da Universidade de São Paulo (Brasil) e da Pontifícia Universidade Católica do Chile (Chile).

Na última terça-feira (28), a Unam anunciou que abriu uma investigação sobre o vestibular deste ano. Nesta secta (31), a instituição divulgou que aplicará uma prova adicional aos candidatos que obtiveram nota suficiente para a admissão para descartar fraudes. Será um “exame de verificação” presencial, afirmou o reitor Eduardo Lomelí.

Essa foi a primeira vez que a Unam realizou seu exame de admissão de forma virtual. Pontuações incomumente altas em cursos tradicionalmente mais difíceis e disputados, como medicina, levantaram as suspeitas. Uma análise estatística da comissão mostrou que a porcentagem de candidatos com 100 ou mais acertos no exame de admissão subiu de 3,5%, no período de cinco anos anterior, para 16,3% nesta edição.

— Eles estão defendendo aqueles de nós que realmente estudaram — disse à AFP Dana Romero, de 18 anos, aspirante a cirurgiã-dentista, ao aprovar a decisão.

Para a aplicação do exame virtual, o câmera e microfone dos candidatos deveriam permanecer ligados. Um monitor podia pedir que a pessoa girasse a câmera para mostrar o ambiente, confirmou uma jornalista da AFP, que fez a prova. A universidade também utilizou IA para monitorar os candidatos.

A polêmica surgiu depois que o programador e especialista em IA Helios Ocaña examinou os resultados da prova aplicada entre maio e junho. Ele analisou o desempenho em três cursos, incluindo medicina, e detectou que a média de acertos triplicou.

“Não podemos garantir que os candidatos colaram ou usaram IA”, publicou Ocaña no X. “Fazer uma prova de casa implica menos ansiedade, menos estresse. Também é possível que a prova tenha mudado e já não seja tão difícil.”

Eduardo Bárzana, presidente da comissão de investigação, afirmou que foram detectados casos de falsa identidade, uso de celulares e a presença de pessoas auxiliando os candidatos durante a realização do exame. Há ainda suspeitas de que os candidatos estariam utilizando IA, embora uma comissão técnica não tenha chegado a uma conclusão definitiva sobre o assunto.

“Consegui passar e admito que usei a IA”, publicou um usuário anônimo no Facebook. “Estudante de medicina graças à IA”, escreveu outro.

O consultor de cibersegurança Darío Vargas opinou que as plataformas “não estavam preparadas” para um exame de tamanha magnitude — envolvendo cerca de 159 mil candidatos.

— Houve falta de preparo logístico e tecnológico para um desafio tão grande — explicou ele.

O especialista observou, por exemplo, que era possível burlar os controles provocando interrupções na conexão por meio do download de arquivos muito grandes.

A convocação para refazer a prova também se estende aos candidatos que podem não ter sido selecionados devido às irregularidades.

“Peço desculpas aos candidatos que, tendo sido aprovados de forma justa, serão agora convocados para realizar o exame de verificação; no entanto, é necessário oferecer segurança e garantir a equidade no acesso”, disse o reitor Lomelí em um pronunciamento.

A candidata Dana Romero relatou ter passado “noites sem dormir durante um ano inteiro” estudando e observou que a plataforma virtual usada para a prova parou de funcionar por meia hora. Ela obteve 96 acertos — abaixo dos 109 necessários para a admissão —, mas os resultados dos novos exames poderiam beneficiá-la, já que as vagas são distribuídas em ordem decrescente, a partir da pontuação mais alta.



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