O declínio da hegemonia dos EUA e a contraofensiva na América Latina: Ben Norton aponta a resistência do Sul Global diante da Doutrina Monroe


247 — O cenário geopolítico global passa por uma transformação estrutural sem precedentes. O modelo unipolar estabelecido após a Guerra Fria, centrado na hegemonia econômica, militar e tecnológica dos Estados Unidos, enfrenta sinais inequívocos de esgotamento e declínio relativo. Em contrapartida a essa perda de fôlego global, Washington recalibra suas forças para tentar reassegurar o controle estrito sobre o que historicamente considerou seu “quintal”: a América Latina.

Essa transição geopolítica foi minuciosamente mapeada pelo jornalista e analista internacional Ben Norton, editor-chefe do Geopolitical Economy Report. Em estudo detalhado, Norton examina como a erosão do poder global norte-americano tem desencadeado um movimento cada vez mais agressivo de ingerência, cerco político e reativação de doutrinas coloniais nas Américas.

1. Os pilares da erosão da hegemonia ocidental segundo Ben Norton

Como demonstra Ben Norton, o declínio da hegemonia estadunidense não ocorre de forma isolada, mas sim como fruto de contradições geopolíticas e econômicas acumuladas nas últimas décadas:

  • Desgaste geopolítico e militar: Conflitos armados e intervenções no Oriente Médio e na Ásia Ocidental resultaram em elevado custo econômico, além de um desgaste irreversível da imagem diplomática dos EUA no cenário internacional.
  • Perda da liderança tecnológica: A ideia de que o Ocidente detinha o monopólio da inovação tecnológica ruiu. Norton destaca estudos do Australian Strategic Policy Institute (ASPI) — um think tank abertamente alinhado ao Ocidente —, os quais reconhecem que a China lidera atualmente em 66 das 74 áreas de tecnologias avançadas cruciais, superando os EUA em setores como inteligência artificial aberta.
  • Deslocamento do eixo econômico global: Medido por Paridade de Poder de Compra (PPP), o PIB chinês superou o estadunidense ainda na década passada. Hoje, a China representa cerca de 20% do PIB mundial, contra menos de 15% dos EUA, consolidando-se como a principal parceira comercial da maioria dos países do planeta.

2. A reativação da Doutrina Monroe e a ofensiva regional

Diante da perda de influência na Eurásia e no Sul Global, Ben Norton aponta que a estratégia de segurança nacional de Washington voltou a priorizar de forma ostensiva o Hemisfério Ocidental. A reativação e a atualização da Doutrina Monroe — que completa mais de dois séculos — visam bloquear a presença econômica e diplomática de potências como China e Rússia na América Latina.

Na avaliação de Norton, essa política de dominação regional se manifesta por meio de ações diretas contra a soberania do continente:

  1. Ações contra governos progressistas: Cercos econômicos e sanções foram brutalmente endurecidos contra nações como Cuba e Venezuela, direcionados especialmente à infraestrutura energética e ao comércio de combustíveis.
  2. Alianças de alinhamento automático: Criação e promoção de iniciativas de segurança regionais para isolar o campo progressista, aproximando Washington de governos dispostos a privatizar ativos públicos e abrir mão da soberania em favor de corporações internacionais.

3. Resistência e a construção da multipolaridade

Apesar das crescentes pressões de Washington, Ben Norton pondera que a América Latina não se curva passivamente a esse projeto de hegemonia renovada. Experiências de mobilização social e governos com forte apelo popular e nacionalista mantêm viva a resistência soberana na região.

Norton utiliza o exemplo da Nicarágua — que celebrou os 47 anos da Revolução Sandinista com ampla participação popular e demonstrações de capacidade defensiva — para ilustrar a coesão ideológica e a determinação de populações que se recusam a aceitar o papel de colônias. Da mesma forma, levantes e manifestações populares contra políticas neoliberais em outros países do continente evidenciam que a dominação estrangeira enfrenta limites concretos nas ruas.

O diagnóstico do analista é direto: a era da hegemonia incontestável dos EUA chegou ao fim. O avanço de mecanismos multilaterais autônomos, a expansão do BRICS e a consolidação de acordos Sul-Sul asseguram que o futuro das nações latino-americanas será definido por suas próprias forças sociais e projetos de desenvolvimento soberano.

Para acompanhar em detalhes a análise geopolítica feita pelo jornalista Ben Norton sobre o esgotamento do poder global de Washington e as lutas soberanas na América Latina, assista ao programa completo no Geopolitical Economy Report: US plan to save its global dominance BACKFIRES: They’re fighting back!

❗ Se você tem algum posicionamento a acrescentar nesta matéria ou alguma correção a fazer, entre em contato com [email protected].

Apoie o jornalismo independente do 247:

Cortes 247

https://www.youtube.com/watch?v=



Source link

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *