ONG denuncia impacto de financiamento opaco da China e da Rússia em Angola


Um relatório divulgado esta terça-feira, em Luanda, denuncia que Moscovo e Pequim têm provocado o enfraquecimento das instituições angolanas através de financiamentos opacos destinados ao controlo do espaço cívico, da vigilância digital e com campanhas de desinformação. A pesquisa é da Friends of Angola e aponta que tais acções contribuem para a longevidade do governo liderado pelo MPLA e para o desgaste democrático no país.

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O estudo intitulado “Viabilizando o Autoritarismo: Como a China e a Rússia Comprometem o Potencial da Democracia em Angola” já foi publicado em Maio deste ano nos Estados Unidos, mas, esta terça-feira, foi apresentado em Angola e expõe como o financiamento oculto da China e da Rússia tem ajudado a fragilizar a democracia no país.

Florindo Chivucute, autor da pesquisa e director da Friends of Angola (FoA), sinaliza que os modelos de financiamento contribuem para a manipulação de informação e para a vigilância digital, bem como para o controlo das instituições e para criar dificuldades na fiscalização das acções do governo.

“Este relatório ‘Viabilizando o Autoritarismo: Como a China e a Rússia enfraquecem o potencial democrático em Angola’” foca nos mecanismos que são usados, como o financiamento opaco que a China tem vindo a fazer em Angola desde 2002, fim da Guerra Civil até à data presente, que é um financiamento muito opaco, a questão da vigilância digital e também a questão da campanha de desinformação que a Rússia e a China têm feito em Angola”, disse o activista.

A investigação, resumida em 34 páginas e realizada no espaço de seis meses, revela, igualmente, que os recursos externos associados aos interesses chineses e russos têm interferido nas dinâmicas eleitorais e do espaço cívico.

“Estes mecanismos acabam por comprometer a integridade eleitoral, o mercado livre e, no entanto, enfraquecem as instituições. Isso é um grande problema que nós temos, o resultado de mais de duas décadas de investimento e o facto de Angola ser o maior sector de empréstimos com a China em todo o continente africano, que infelizmente, do outro lado, os angolanos continuam cada vez mais pobres”, descreve o texto assinado por Florindo Chivucute.

O relatório da Friends Of Angola (FoA) “Promovendo o Autoritarismo: Como a China e a Rússia Comprometem o Potencial da Democracia em Angola”, foi financiado pela Bolsa de investigação na National Endowment for Democracy (NED) em Washington, D.C.



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