Rizzo: ‘A FIFA está ultrapassando um limite e atrapalhando o jogo’
Marcel Rizzo avalia que os eventos promovidos pela FIFA atrapalham a concentração de técnicos e jogadores.
Após a Uefa se manifestar contra o projeto de capitalização da Fifa, a Confederação de Futebol da América do Norte, Central e Caribe (Concacaf) e a Confederação Asiática de Futebol (AFC) divulgaram comunicados, nesta quarta-feira, 29, em oposição ao plano da entidade máxima do futebol de vender ações de uma nova empresa que administrará a Copa do Mundo.
O Estadão entrou em contato com a Conmebol e com a CBF, mas as entidades não se posicionaram até o momento. Em caso de manifestação, a matéria será atualizada.
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A Concacaf declarou estar “profundamente preocupada com a falta de um processo regulatório” no plano da Fifa de abrir as portas para investidores privados e afirma que só ficou sabendo sobre o tema por meio da imprensa. “A decepção de muitas partes interessadas em nossa região e no mundo do futebol pelo fato de esse nível de detalhamento ter sido elaborado e publicado antes mesmo de qualquer discussão ter ocorrido com os órgãos dirigentes e as partes envolvidas”, diz a entidade.

Fifa, do presidente Gianni Infantino, lançou controverso projeto de capitalização da entidade e gerou críticas negativas de federações. Foto: Werther Santana/Estadão
Por sua vez, a AFC declarou que ficou desapontada com os planos da Fifa de aceitar investimentos privados e afirmou que também não foi consultada antes da decisão ser tornada pública. “A AFC não foi consultada sobre esta proposta e está desapontada com o fato de um assunto de tamanha importância ter sido divulgado antes que os membros da família AFC tivessem a oportunidade de examinar e discutir o projeto pelos canais de governança apropriados e estabelecidos”, afirmou a entidade.
“Embora a AFC reconheça a importância de explorar abordagens inovadoras que possam fortalecer o futuro do futebol mundial, iniciativas desta magnitude e consequência devem ser baseadas nos princípios da boa governança, transparência e consulta significativa”, declarou a confederação sediada em Kuala Lumpur, na Malásia, em um comunicado.
A Uefa foi a primeira entidade a manifestar de maneira contrária ao projeto. Em nota oficial, a confederação europeia, presidida pelo esloveno Aleksander Ceferin, classificou como um “cruzamento de uma linha que nunca deveria ser cruzada” a potencial entrada de acionistas, mesmo que minoritários, na administração dos principais produtos da Fifa. “Nenhum de nós é dono do futebol. Não cabe à Fifa vendê-lo”, diz o comunicado. Há, inclusive, ameaça de boicote à Copa de 2030.
Dirigentes e federações se manifestam
A notícia do projeto de capitalização da Fifa gerou diversas repercussões após o anúncio oficial divulgado pela entidade nesta quarta-feira. A União Europeia (UE), em mensagem do Comissário para a Equidade Intergeracional, Juventude, Cultura e Desporto, Glenn Micallef, demonstrou preocupação. “Estas propostas levantam questões importantes relativas ao direito da concorrência (…) Dentro das competências que lhe são conferidas pelos tratados, a Comissão Europeia irá examinar estas propostas cuidadosamente (…) Não mexam no nosso desporto.”
Javier Tebas, presidente da La Liga, fez publicação no X criticando o projeto. “As competições e os direitos comerciais da Fifa não são propriedade pessoal de Infantino. Quem mistura política, disciplina, dinheiro e poder sem transparência não pode liderar nada. Infantino não é a solução para a governança da Fifa. Ele é o problema.”
Philippe Diallo, presidente da Federação Francesa de Futebol (FFF), disse à rádio France Inter reclamou de não ter detalhes sobre o projeto antes do anúncio. (O plano) levanta muitas questões sem que as federações, que são membros (da FIFA), tenham qualquer informação específica para comentar assuntos que são claramente fundamentais para o futuro do futebol.”
A Federação Inglesa de Futebol (FA) declarou em comunicado que não possuía detalhes sobre o plano de capitalização da Fifa. “Não tínhamos conhecimento algum desta proposta e não possuímos detalhes substanciais, particularmente no que diz respeito ao que ela realmente implica e às condições que impõe. Estamos profundamente preocupados com a falta de processos e de governança que levou a esta situação, bem como com o aparente conteúdo e princípios deste projeto.”/com informações da AFP











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