Gianni Infantino, presidente da Fifa, fala durante evento na Copa do Mundo 2026 – Divulgação / Fifa
A Fifa anunciou a criação da Fifa Forward Enterprise (FFE), um novo braço comercial avaliado em US$ 20 bilhões, com a intenção de vender cerca de 20% da empresa a investidores minoritários.
O plano é liderado por uma companhia de Joshua Kushner, irmão de Jared Kushner, casado com Ivanka Trump, filha do presidente dos EUA Donald Trump. O projeto prevê repasses de até US$ 20 milhões para cada federação nacional no próximo ciclo da Copa do Mundo, com aumentos nos ciclos seguintes.
Reações
Apesar da promessa de ganhos financeiros, a iniciativa não foi bem assimilada pelas confederações continentais. A primeira a se pronunciar foi a Uefa, que dirige o futebol europeu, que divulgou comunicado condenando a proposta.
“A essência e a governança do futebol, não são ativos para serem negociados – especialmente sem nenhuma transparência sobre quem lucra financeiramente”, destacou a entidade em comunicado.
“Nenhum de nós é dono do futebol. Não cabe à Fifa vendê-lo”, completou a Uefa.
A entidade europeia convocou reunião de emergência e discute até um possível boicote à próxima Copa do Mundo.
As confederações da América do Norte, Central e do Caribe (Concacaf) e da Ásia (AFC) também criticaram a falta de consulta prévia.
A Concacaf afirmou estar “profundamente preocupada com a falta de devido processo legal”, após ficar sabendo a iniciativa através de reportagens na imprensa.
Já a confederação asiática soltou comunicado contundente semelhante ao da Uefa.
“A AFC não foi consultada sobre a proposta e está desapontada com o fato de um assunto de tamanha importância ter se tornado público antes que a família AFC tivesse a oportunidade de examiná-lo e discuti-lo pelos canais de governança apropriados e estabelecidos”, afirma a mensagem publicada nesta quarta-feira (29).
Procurada, a Conmebol, que comanda o futebol na América do Sul, não se manifestou sobre o tema.
Governança
Para avançar, a proposta precisa do apoio da maioria das 211 federações nacionais e da aprovação do Conselho da Fifa, composto por 37 membros e atualmente sem nenhum representante do Brasil.
Cada federação tem direito a um voto, o que dá às entidades menores o mesmo peso de representação de potências do futebol mundial como Alemanha, Argentina, Brasil, Inglaterra, Espanha e França.
“É claro que precisamos de mais detalhes, mas, do meu ponto de vista, consigo ver o impacto positivo das intenções da Fifa”, declarou David Trunda, presidente da federação tcheca, à Sky News.
Europa
A Federação Inglesa (FA) disse desconhecer completamente a proposta e manifestou preocupação com a falta de processos de governança. O conselho da Ligas Europeias, que reúne os torneios profissionais de Espanha, França, Inglaterra, Alemanha e Itália, rejeitou o plano, classificando-o como “imprudente e divisivo”.
A Premier League apoiou a declaração das ligas europeias. Javier Tebas, presidente da LaLiga, afirmou que o plano “parece uma campanha eleitoral financiada com o futuro do futebol” e chamou Infantino de “o problema” para a governança da entidade.
Pressão
Até Andy Burnham, primeiro-ministro do Reino Unido, criticou a ideia da Fifa de vender parte dos ativos do futebol a investidores.
“A Copa do Mundo não é um produto. É a maior competição do esporte mundial e nunca pertenceu a ninguém para ser vendida”, declarou o político do Partido Trabalhista e do Partido Cooperativo, algo permitido no Reino Unido.
A Associação de Torcedores de Futebol, que representa torcedores na Inglaterra e País de Gales, afirmou estar “furiosa” com “o novo nível de baixeza” da Fifa.
A divisão europeia da FIFPro, sindicato global de jogadores, declarou que o modelo permitiria que “os interesses financeiros se sobrepusessem às vozes daqueles que jogam, apoiam e sustentam o esporte”.
Carta
Infantino enviou carta às federações dando prazo até 19 de setembro para aceitar o plano, prometendo incentivo adicional de US$ 20 milhões, elevando o total para US$ 40 milhões por ciclo.
A Uefa respondeu: “A Fifa não pode continuar usando o nosso esporte para enriquecer a si mesma e aos seus amigos.”
A reunião de emergência da Uefa está marcada para esta quinta-feira (30). O embate entre Fifa e a entidade europeia se soma a disputas anteriores, como a tentativa da Fifa de realizar Copas a cada dois anos e a expansão da Copa do Mundo de Clubes, criada no ano passado.











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