As confederações de futebol da UEFA, CONCACAF e AFC acusaram, esta segunda-feira, o presidente da FIFA, Gianni Infantino, de uma “importante quebra de confiança” devido aos planos de entrada de capital privado.
Numa “carta aberta à família do futebol”, os três organismos que representam a Europa (UEFA), América Central, Norte e Caraíbas (CONCACAF) e Ásia (AFC) voltaram a criticar Gianni Infantino e aquilo que consideram uma política autocentrada.
“A liderança no futebol não é uma posse. Não se trata de ostentar — ou exigir — poder para o exercer. É um dever de serviço à família do futebol que lho confia. Quando a confiança é quebrada através do engano, quando uma pessoa se coloca acima do coletivo que lhe confiou autoridade, esse dever foi abandonado”, afirmaram na carta.
A missiva é subscrita pelos presidentes e secretários-gerais da UEFA (Aleksander Ceferin e Theodore Theodoridis), da CONCACAF (Victor Montaglian e Philippe Moggio) e da AFC (Salman Bin Ibrahim Al Khalifa e Datuk Seri Windsor John).
Os três organismos adiantam que não se trata de dinheiro, da perda de apoios ou da reconfiguração na expansão de competições, algo decidido em conjunto, mas da “integridade do futebol” e “daqueles que foram eleitos para o liderar”.
Focando-se ainda na intenção, entretanto abandonada, de Infantino em criar uma subsidiária da FIFA, com um limite de entrada de privados até 20%, para comercializar as suas competições, UEFA, AFC e CONCACAF voltaram a apontar o dedo ao italo-suíço.
“Uma proposta submetida em circunstâncias extremamente restritas, sem consulta significativa e apressada para um prazo final antes que as associações-membro [211] pudessem examinar adequadamente os seus termos, não é o resultado de negligência, mas sim de uma estratégia para limitar a fiscalização”, acusam.
Na carta é ainda criticada a recente ida de Infantino a Marrocos, já após a crise da intenção de criar uma subsidiária, com UEFA, AFC e CONCACAF a denunciarem um comportamento que, dizem, reforça a ideia de alguém que entende que o futebol lhe deve algo.
Infantino durante a cerimónia de entrega do troféu do Mundial 2026
DeFodi Images
“Esta recente reunião, na qual um grupo restrito de membros do Comité de Gestão da FIFA — em vez de todo o Comité — foi convocado no estrangeiro, em vez dos dirigentes se deslocarem a Zurique para se dirigirem ao coração da FIFA, dos seus funcionários, apenas reforça estas preocupações e representa a continuidade do mesmo padrão de comportamento que nos levou a esta situação. Não se trata da conduta de um guardião do futebol, mas de alguém que acredita que o futebol lhe deve prestar contas a ele”, acusam.
A finalizar, os responsáveis das três confederações apelam à unidade das federações-membro e reiteram que são os dirigentes que devem servir o futebol e não servir-se dele.
“Há silêncio onde deveria haver responsabilidade, distanciamento onde deveria haver transparência. Não são estas as qualidades que o futebol merece nos seus dirigentes. É por isso que adotamos esta postura: não de ânimo leve ou por conta própria, mas em conjunto, e pelo dever que temos para com o futebol que servimos”, referem.











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