A JBS firmou nesta sexta-feira (7), uma parceria com o Danantara Investment Management, braço de investimentos do fundo soberano da Indonésia, para ampliar seus negócios na Indonésia, Austrália, Nova Zelândia e em outros mercados do Sudeste Asiático. Pelo acordo, o Danantara fará um aporte de US$ 2,5 bilhões em troca de uma participação de 25% nas operações da companhia na Austrália e na Nova Zelândia. A joint venture prevê ainda a captação de até US$ 2,5 bilhões em financiamento, o que pode levar a US$ 5 bilhões os recursos disponíveis para aquisições, novos projetos e expansão regional.
“Nossa parceria com o Danantara representa um passo importante em nossa estratégia de crescimento de longo prazo no Sudeste Asiático”, afirmou Gilberto Tomazoni, CEO global da JBS. “Como parte fundamental da plataforma global da JBS, nossas operações na Austrália e na Nova Zelândia reúnem uma base operacional sólida e significativo potencial de crescimento.” Segundo o executivo, os recursos permitirão ampliar a presença na Indonésia, reforçar cadeias regionais de fornecimento de proteínas e aumentar o acesso da companhia aos mercados asiáticos.
A operação coloca a Austrália no centro da estratégia de expansão. O país funciona como uma das bases internacionais da JBS para produção e exportação de proteínas e integra uma estrutura que se estende à Nova Zelândia e aos mercados consumidores da Ásia. Pela estrutura anunciada, o Danantara ingressará como acionista minoritário dessas operações, enquanto a gestão permanecerá sob comando da JBS.
“Este investimento representa um forte reconhecimento do histórico comprovado da JBS Austrália na criação e expansão de negócios de alimentos em toda a Austrália, Nova Zelândia e no restante do mundo”, afirmou Brent Eastwood, CEO da JBS Austrália. Segundo ele, a entrada do novo sócio não altera a administração das unidades. “A atual equipe de gestão mantém o controle das operações no dia a dia, e nada muda para nossos 17 mil colaboradores, clientes e produtores parceiros.”
O capital da parceria será direcionado a aquisições, projetos greenfield e outras oportunidades na Indonésia, Austrália, Nova Zelândia e demais países do Sudeste Asiático. O desenho financeiro permite à JBS ampliar sua capacidade de investimento regional sem transferir o controle operacional dos ativos australianos e neozelandeses ao novo acionista.
O mercado que está no horizonte da companhia reúne cerca de 745 milhões de habitantes, segundo dados de 2024 da Secretaria da Associação das Nações do Sudeste Asiático, a ASEAN. A região passa por aumento de renda, urbanização e mudanças nos padrões de consumo de alimentos, fatores que entram nos cálculos das empresas globais de proteína para definir investimentos em produção, processamento e distribuição.
As projeções da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, a OCDE, e da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, a FAO, apontam aumento do consumo mundial de carnes até 2034. Pelas estimativas citadas pela JBS, a demanda por carne de frango deverá avançar 21% no período, enquanto a de carne ovina crescerá 16%. Para a carne bovina, a projeção é de 13%, e para a suína, de 5%. Indonésia, Filipinas e Vietnã estão entre os países apontados como participantes dessa expansão.
Para a JBS, a Indonésia acrescenta outra variável à estratégia. O país está inserido no mercado de alimentos halal, segmento que atende regras de produção e consumo estabelecidas pela religião islâmica. Dados da consultoria DinarStandard apresentados pela companhia estimam que o mercado global de alimentos halal movimentou aproximadamente US$ 1,43 trilhão em 2023 e pode alcançar US$ 1,94 trilhão em 2028.
A presença australiana fornece à empresa uma plataforma produtiva próxima desses consumidores. A operação permite combinar produção de proteínas, acesso aos mercados asiáticos e uma estrutura exportadora já instalada, ao mesmo tempo em que o capital do Danantara aproxima a companhia da Indonésia, país que a JBS colocou entre os destinos prioritários para a nova fase de investimentos.
A parceria também se encaixa na estratégia de diversificação geográfica adotada pela companhia. A JBS emprega mais de 280 mil pessoas e mantém operações na América do Sul, América do Norte, Reino Unido, Europa, Austrália e Nova Zelândia, com produtos comercializados em mais de 190 países. Seu portfólio reúne marcas como Swift, Pilgrim’s Pride, Seara, Moy Park, Friboi, Primo e Just Bare.
Segundo Tomazoni, o acordo também deverá apoiar a expansão em produtos de marca e itens de maior valor agregado. “Estamos construindo uma plataforma mais forte para capturar o crescimento de longo prazo do consumo global de proteína”, afirmou. “Ao mesmo tempo, estamos criando as condições para expandir nossa presença na Ásia.”
A conclusão da transação depende das aprovações regulatórias necessárias na Austrália e do cumprimento das condições previstas para a operação. O Danantara é assessorado por PwC, BCG, A&O Shearman e Barrenjoey. Do lado da JBS, participam EY, De Brauw Blackstone Westbroek N.V., na Holanda, e MinterEllison, na Austrália. Com a aprovação do negócio e a contratação dos financiamentos previstos, a estrutura poderá colocar até US$ 5 bilhões à disposição da expansão da companhia na região.










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