Fundo soberano da Indonésia investirá US$ 2,5 bilhões por 25% da JBS Australia; alavancagem pode cair para 2,4 vezes
O Safra calcula que a criação de uma joint venture entre a JBS Australia e a Danantara Investment Management (DIM) poderá destravar aproximadamente US$ 608 milhões em valor para a JBS (JBSS32). A quantia equivale a 4,1% do valor de mercado atual da companhia.
A avaliação reflete o múltiplo superior pelo qual a DIM, braço de investimentos do fundo soberano da Indonésia, entrará no negócio. Além de evidenciar o valor da operação australiana, a parceria permitirá que a JBS expanda sua presença na Indonésia e em outros países do Sudeste Asiático.
Pelo acordo, a JBS aportará todas as suas operações na Austrália e na Nova Zelândia em uma nova empresa sediada na Holanda. A DIM investirá US$ 2,5 bilhões para adquirir uma participação de 25%, enquanto a companhia brasileira permanecerá com os 75% restantes e o controle da plataforma.
Do investimento total, US$ 800 milhões serão desembolsados no fechamento da operação. Os outros US$ 1,7 bilhão serão aportados ao longo de até três anos para financiar a expansão da joint venture.
“Consideramos a transação positiva, pois a JBS conseguirá destravar valor ao mesmo tempo em que expande suas operações na região com um parceiro estratégico local. A diferença de valuation representa aproximadamente 4,1% do valor de mercado atual da companhia”, afirma o analista do Safra, Ricardo Boiati.
Valuation da operação supera múltiplo da JBS
O investimento de US$ 2,5 bilhões por uma participação de 25% implica um valor de US$ 10 bilhões para a joint venture. Desse total, US$ 7,5 bilhões correspondem ao valor implícito dos ativos aportados pela JBS.
Considerando o Ebitda de US$ 828 milhões acumulado pela JBS Australia nos últimos 12 meses, o Safra calculou um múltiplo EV/Ebitda pre-money de 9,1 vezes. A JBS, por sua vez, negocia atualmente a aproximadamente 6,1 vezes o Ebitda.
É dessa diferença de múltiplos que vem a estimativa de US$ 608 milhões em valor destravado. A quantia não representa uma entrada imediata de dinheiro no caixa, mas o reconhecimento, dentro da parceria, de uma avaliação superior para 25% do resultado operacional da divisão australiana.
A transação também deve reduzir a relação entre dívida líquida e Ebitda da JBS de 2,8 vezes para aproximadamente 2,4 vezes. O cálculo já considera que um empréstimo intercompanhia de US$ 1 bilhão mantido pela JBS Australia será quitado por meio da contratação de uma dívida de mesmo valor no mercado.
“Além do valor destravado, o impacto sobre a alavancagem também é marginalmente positivo, com a relação caindo para cerca de 2,4 vezes após a transação, diante de 2,8 vezes atualmente”, calcula Boiati.
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JBS mantém controle e prepara caminho para IPO
A atual equipe de gestão da JBS Australia permanecerá inalterada. O conselho da joint venture terá sete integrantes, sendo cinco indicados pela JBS e dois pela DIM, preservando o controle estratégico da companhia sobre a operação.
Durante os dois primeiros anos, os recursos aportados pelo fundo deverão ser utilizados em projetos novos e aquisições na Indonésia. Depois desse período, a joint venture poderá buscar oportunidades no restante do Sudeste Asiático, na Austrália e na Nova Zelândia. A administração informou que ainda não existem aquisições próximas de serem anunciadas.
O acordo também protege a DIM caso o Ebitda médio de 2026 e 2027 fique abaixo do resultado registrado em 2025. Nesse cenário, o fundo poderá receber ações compensatórias, elevando sua participação até o limite de 30%.
A JBS estima concluir a operação em aproximadamente seis meses, após as aprovações regulatórias. As partes terão um período de restrição à venda das participações de cinco anos e já começaram os preparativos para um possível IPO da joint venture.
Caso a oferta não ocorra dentro de seis anos, a DIM poderá trocar sua participação por novas ações da JBS listadas na Bolsa de Nova York. Para o Safra, a combinação entre expansão regional, redução da alavancagem e avaliação superior para os ativos australianos sustenta a leitura positiva da transação.










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