Brasil reduz presença diplomática na Argentina após novos ataques de Milei a Lula


O Governo do Brasil anunciou esta quarta-feira a redução da sua presença diplomática na Argentina, em resposta aos mais recentes ataques verbais do Presidente argentino, Javier Milei, contra Luiz Inácio Lula da Silva.

Trata-se de uma decisão sem precedentes na história recente das relações entre os dois maiores países da América do Sul, refletindo o agravamento da crise diplomática entre os governos de Brasília e Buenos Aires.

Segundo um porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros brasileiro, citado pela Associated Press, Milei chamou a Lula “um ladrão” três vezes desde domingo.

Embaixador não regressa enquanto persistirem os ataques

O embaixador brasileiro em Buenos Aires, Julio Bitelli, tinha sido retirado do cargo em julho, na sequência das primeiras declarações ofensivas do chefe de Estado argentino.

Desde então, os interesses diplomáticos do Brasil na Argentina são assegurados por um encarregado de negócios, um representante de nível inferior.

O Governo brasileiro deixou claro que Bitelli não regressará ao posto enquanto Javier Milei mantiver o tom agressivo em relação ao Presidente brasileiro.

Milei voltou a atacar Lula e Alexandre de Moraes

As mais recentes declarações de Javier Milei ocorreram durante a convenção partidária do senador Flávio Bolsonaro, filho do antigo Presidente Jair Bolsonaro e potencial candidato às eleições presidenciais de outubro.

Além de voltar a insultar Lula, o Presidente argentino dirigiu duras críticas ao juiz do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, a quem chamou “lixo”, depois de o magistrado ter recusado um pedido para visitar Jair Bolsonaro, atualmente em prisão domiciliária a cumprir pena por tentativa de golpe de Estado.

Relação continua a deteriorar-se

As relações entre Lula e Milei mantêm-se marcadas por uma forte tensão desde que o líder argentino assumiu a presidência, em dezembro de 2023.

O clima deteriorou-se ainda mais nos últimos dias, numa altura em que Milei reforça a proximidade com o Presidente norte-americano, Donald Trump, cuja Administração também atravessa um período de crescente conflito diplomático com Brasília.

Na terça-feira, os Estados Unidos revogaram o visto do embaixador brasileiro em Washington, numa medida apresentada como retaliação pela recusa do Brasil em conceder vistos a dois diplomatas norte-americanos.

Entretanto, Lula foi oficialmente confirmado como candidato à reeleição pelo Partido dos Trabalhadores. Durante a convenção, vários dirigentes manifestaram preocupação com possíveis tentativas de interferência externa nas eleições brasileiras.

O vice-presidente Geraldo Alckmin ironizou a situação ao afirmar que o sistema eletrónico de votação do Brasil “não aceita votos de argentinos nem de americanos”, numa referência indireta a Javier Milei e Donald Trump.



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