Livro ‘O novo perfil eleitoral do Brasil’ investiga como pensa e como vota o brasileiro


O ex-presidente do PSB Carlos Siqueira lançou, recentemente, o livro O novo perfil eleitoral do Brasil – Como pensa e como vota o brasileiro.

A obra organizada pelo socialista tem como autores Paulo Bracarense, Sinoel Batista, Eros Nascimento, Adriana Silva e Matheus Cabús. O texto (pode ser lido aqui) oferece ao leitor um mapa para decifrar a crise do movimento progressista e o avanço do discurso conservador no país.

“O objetivo não é oferecer respostas definitivas, mas contribuir para uma leitura mais ampla e humana do Brasil contemporâneo”, diz o livro.

A análise está organizada em torno de uma matriz de cinco camadas ‒ simbólica, material, midiática, política e dinâmicas latentes transversais ‒, e a cada uma das quatro primeiras camadas foi dedicado um capítulo deste livro. O estudo abrange três segmentos da sociedade brasileira e, a cada um deles, está destinado um capítulo próprio: eleitores evangélicos; mulheres chefes de família; e juventudes.

“O eleitor brasileiro é descrito, em alusão ao sociólogo Francisco de Oliveira, como uma entidade que funde elementos arcaicos e modernos, progressistas e conservadores, de modo desarmônico, mas estruturalmente consistente. Um sujeito próprio, uma espécie de animal com suas próprias características peculiares”, diz o texto.

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“Vota em Lula em 2002 e Bolsonaro em 2018; defende o Sistema Único de Saúde (SUS) e a família tradicional; quer democracia (75,2%) e líder forte (59,8%); reconhece a desigualdade como problema (75,3%) e crê no mérito individual (55,8%). Não há contradição lógica, mas uma racionalidade situada que combina sobrevivência, religiosidade, medo, esperança e desconfiança”, segue o livro.

“A força motriz que une voto de direita e de esquerda, hoje, é o punitivismo. Com o colapso das utopias coletivas, a punição do ‘outro’ ‒ corrupto, criminoso ou adversário político ‒ tornou-se o instrumento mais acessível de participação. O voto deixa de ser instrumento de construção e torna-se instrumento de negação. A leitura é weberiana: ao colapso da legitimidade legal racional ‒73,9% pensam que o Congresso representa mal o povo; 52% não confiam no Supremo Tribunal Federal (STF) ‒, responde-se com dominação carismática do líder que promete curto circuito no estamento patrimonialista de Faoro”, avança a obra.



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