Quase um em cada quatro carros leves vendidos no Brasil em julho pertenceu a uma marca chinesa. Segundo levantamento da Bright Consulting, essas fabricantes responderam por 23% dos emplacamentos no mês, novo recorde histórico e um avanço expressivo sobre os 19,8% registrados em junho. O desempenho acompanha a expansão dos veículos eletrificados e a chegada de novos modelos ao mercado brasileiro.
O avanço das montadoras chinesas ocorre em um momento de crescimento do setor automotivo nacional. Em julho, o mercado brasileiro de veículos leves registrou 264.775 emplacamentos, alta de 15% em relação ao mesmo mês de 2025. No acumulado do ano, as vendas somam 1,62 milhão de unidades, crescimento de 18,9%.

Foto de: InsideEVs Brasil
Eletrificação impulsiona crescimento
Grande parte dessa expansão está diretamente ligada ao avanço da eletrificação. Em julho, os veículos eletrificados alcançaram participação recorde de 23,3% do mercado brasileiro, com 61.781 unidades emplacadas, enquanto o acumulado do ano já supera 303 mil veículos, crescimento de aproximadamente 123% sobre o mesmo período de 2025.
E esse desempenho está concentrado justamente entre fabricantes chinesas, que lideram segmentos como os veículos 100% elétricos (BEV) e híbridos plug-in (PHEV). O levantamento da Bright destaca que a concentração permanece elevada na BYD, mas também aponta a expansão consistente de outras montadoras chinesas no mercado nacional.

Foto de: InsideEVs Brasil
Novos modelos aceleram transformação
Além da eletrificação, a rápida renovação do portfólio tem contribuído para ampliar a presença das fabricantes chinesas no Brasil.
Nos últimos meses, marcas como BYD, GWM, Geely, GAC, Omoda Jaecoo, Leapmotor, MG e Zeekr ampliaram suas operações com novos produtos, expansão da rede de concessionárias e, em alguns casos, início da produção nacional. O resultado é uma presença cada vez maior em segmentos que antes eram dominados exclusivamente por montadoras tradicionais.
Essa mudança também se reflete nos rankings de vendas. Em julho, a BYD registrou seu melhor resultado histórico no país, enquanto a GWM entrou pela primeira vez entre as dez marcas mais vendidas do mercado brasileiro.

Foto de: Governo do Paraná
Mercado muda de perfil
A participação recorde das marcas chinesas acontece justamente quando o mercado começa a dar sinais de normalização.
Apesar do crescimento de 15% sobre julho do ano passado, a média diária de emplacamentos caiu 7,2% em relação a junho, indicando o fim do ciclo de compras concentradas por locadoras, empresas e órgãos públicos que impulsionou o segundo trimestre.
Mesmo com essa desaceleração do mercado tradicional, as fabricantes chinesas continuaram ampliando sua participação, reforçando que o crescimento observado ao longo de 2026 vai além de um movimento pontual e representa uma mudança estrutural no mercado automotivo brasileiro.
Tendência para o segundo semestre
A expectativa é que essa participação continue aumentando nos próximos meses. Além da chegada de novos modelos eletrificados e híbridos flex, diversas fabricantes chinesas seguem ampliando investimentos em produção local, rede de concessionárias e novos segmentos, fatores que devem sustentar a disputa por espaço entre as principais montadoras do país.












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