A Braskem reportou queda nas vendas de resinas, químicos e polietileno verde no segundo trimestre de 2026 em todas as regiões onde opera. Segundo o relatório de produção e vendas divulgado pela companhia à Comissão de Valores Mobiliários, o recuo nos volumes veio acompanhado de forte alta nos spreads, influenciada pelo conflito no Oriente Médio.
🔍 Spread: no setor petroquímico, é a diferença entre o preço de venda do produto final, como uma resina plástica, e o custo da matéria prima usada para fabricá lo, geralmente nafta, etano ou propeno. Quanto maior o spread, maior a margem da indústria antes de outros custos de produção.
De acordo com a Braskem, o cenário macroeconômico global permaneceu volátil no trimestre em razão do conflito, que restringiu a oferta internacional de matérias primas e elevou os preços do petróleo e da nafta. Essa alta teve reflexo direto nos preços de resinas e químicos vendidos pela companhia.
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Vendas caem no Brasil durante o trimestre
No segmento Brasil e América do Sul, a Braskem registrou queda de 8% nas vendas de resinas e de 5% no volume de principais químicos, na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior. As vendas de polietileno verde recuaram 19% no período, atribuídas pela companhia à gestão de estoques ao longo da cadeia de transformação.
A taxa média de utilização das centrais petroquímicas no Brasil caiu de 74% para 70% frente ao segundo trimestre de 2025, resultado que a Braskem atribuiu à menor disponibilidade de matéria prima na central do Rio de Janeiro e à adequação da produção diante da demanda mais fraca no Rio Grande do Sul.
🔍 Taxa de utilização é o percentual da capacidade instalada de uma planta industrial que efetivamente está em operação. Uma taxa menor indica que a fábrica produziu abaixo do seu potencial máximo no período.
Braskem reduz volumes nos Estados Unidos e Europa
Nos Estados Unidos e na Europa, a Braskem informou queda de 1% nas vendas de polipropileno frente ao mesmo trimestre de 2025. A companhia atribuiu o resultado à menor demanda europeia, parcialmente compensada pelo crescimento nos Estados Unidos.
A taxa de utilização das plantas de polipropileno nessas regiões ficou em 76%, alta de 2 pontos percentuais na comparação anual. Segundo a Braskem, o número reflete a normalização das operações após uma parada de manutenção ocorrida nos Estados Unidos no mesmo período de 2025, efeito parcialmente compensado por uma nova parada programada na planta de Wesseling, na Alemanha, iniciada em abril com duração de 32 dias.
México tem queda mais acentuada nas vendas
O segmento México registrou a maior retração entre as três regiões. As vendas de polietileno caíram 20% frente ao segundo trimestre de 2025, enquanto a taxa de utilização das plantas recuou de 44% para 43% no mesmo comparativo.
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Segundo a Braskem, o resultado decorre de medidas adotadas pela Braskem Idesa, joint venture da companhia no país, para preservação de liquidez. O volume médio de etano importado pelo terminal da empresa foi de 14,7 mil barris por dia no trimestre, ante 17,8 mil barris por dia no trimestre anterior. O fornecimento de etano pela estatal mexicana Pemex também caiu, para 11,8 mil barris por dia.
🔍 Etano é um hidrocarboneto derivado do gás natural, usado como matéria prima na produção de eteno e, posteriormente, de plástico polietileno.
Spreads sobem com conflito no Oriente Médio
Enquanto os volumes de vendas recuaram, os spreads da Braskem tiveram alta expressiva em todas as regiões. No Brasil, o spread de resinas subiu 69% e o de principais químicos avançou 67% na comparação com o segundo trimestre de 2025. Nos Estados Unidos e na Europa, o spread médio de polipropileno cresceu 24%. No México, o spread de polietileno disparou 98%.
A Braskem explicou que o avanço dos spreads no Brasil foi puxado principalmente pelo preço do polietileno nos Estados Unidos, que subiu 70%, e pelo aumento de 46% no preço do eteno. Já o spread de químicos foi impulsionado pela alta de 77% no benzeno e de 62% no butadieno.
Entenda o impacto nos preços das matérias primas
Segundo o relatório, o principal fator por trás da alta generalizada de preços foi o fechamento do Estreito de Ormuz, decorrente do conflito no Oriente Médio, que reduziu a oferta global de petróleo e elevou o preço da nafta usada como insumo petroquímico.
🔍 Estreito de Ormuz é uma passagem marítima entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã por onde passa parcela relevante do petróleo exportado globalmente. Seu fechamento ou restrição de tráfego tende a pressionar os preços internacionais de energia.
A Braskem informou ainda que o preço do petróleo tipo Brent avançou 54% no trimestre frente ao mesmo período de 2025, enquanto a nafta no Brasil subiu 46% no mesmo comparativo, pressionando os custos de produção da indústria petroquímica em todas as regiões onde a companhia atua.
Resultado da Braskem reflete cenário global volátil
Segundo a companhia, a expectativa é de que o ambiente global siga sujeito a tensões geopolíticas, o que deve manter a volatilidade nos preços de petróleo e insumos petroquímicos nos próximos trimestres. A Braskem afirmou que acompanha de forma contínua os potenciais impactos desses eventos sobre a condução de suas operações.
Os dados do relatório de produção e vendas são preliminares e não foram revisados pelo auditor independente da companhia.
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