A ciclosporíase voltou a estar em destaque depois de as autoridades de saúde do Michigan, nos Estados Unidos, terem confirmado as duas primeiras mortes associadas ao maior surto desta doença registado no país em décadas. Segundo a imprensa norte-americana, ambas as vítimas tinham condições de saúde prévias que poderão ter agravado o quadro clínico. Só este verão, as estimativas apontam para cerca de 18 mil pessoas infetadas nos EUA, um número muito acima da média habitual.
Mas afinal, o que é esta doença, como se apanha e como se pode evitar?
O que é a ciclosporíase
A ciclosporíase é uma infeção intestinal provocada pelo parasita microscópico Cyclospora cayetanensis. Contrai-se ao ingerir água ou alimentos, normalmente produtos hortícolas frescos, contaminados com este parasita. Não costuma transmitir-se diretamente de pessoa para pessoa.
Nos Estados Unidos, os casos concentram-se sobretudo na primavera e no verão, período que as autoridades de saúde consideram a “época” da ciclosporíase. No surto atual, uma das origens já identificadas está associada a alface iceberg picada, tendo sido emitido um alerta de recolha para produtos de uma marca específica.
Sintomas e sinais de alerta
De acordo com informação dos Centros de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA, os sintomas surgem geralmente cerca de uma semana após a exposição ao parasita, podendo aparecer entre dois dias e duas semanas depois.
Os sinais mais comuns incluem:
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Diarreia aquosa, por vezes muito frequente e de caráter explosivo
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Perda de apetite e perda de peso
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Inchaço abdominal e gases
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Náuseas
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Fadiga persistente
Podem ainda surgir, com menor frequência, febre baixa e vómitos. Sem tratamento, os sintomas podem prolongar-se durante semanas e seguir um padrão de melhoria e recaída, chegando a durar um mês ou mais.
Na generalidade dos casos, a doença não é considerada uma ameaça à vida. Ainda assim, pode provocar complicações como má absorção de nutrientes, inflamação da vesícula biliar ou artrite reativa, sobretudo em pessoas mais vulneráveis, como crianças, idosos ou doentes imunodeprimidos.
Como prevenir
Não existe vacina contra a ciclosporíase, pelo que a prevenção passa sobretudo por reduzir o risco de contacto com água ou alimentos contaminados. Entre as recomendações das autoridades de saúde contam-se:
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Lavar bem fruta e legumes antes de os consumir, mesmo quando serão descascados
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Evitar consumir produtos hortícolas envolvidos em alertas de recolha ativos
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Manter uma boa higiene das mãos antes de preparar ou consumir alimentos
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Em caso de viagem para zonas tropicais ou subtropicais, redobrar os cuidados com água e alimentos crus
Quando procurar ajuda médica
Quem apresentar diarreia persistente, sobretudo se acompanhada de perda de peso ou fadiga prolongada, deve procurar um médico. O diagnóstico pode não ser imediato, uma vez que os exames laboratoriais de rotina às fezes nem sempre detetam este parasita, sendo necessário pedir especificamente o teste para Cyclospora. A infeção é tratável com antibióticos.










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