O segundo mandato de Donald Trump sentenciou ao mundo uma era de desglobalização tão perniciosa para a economia quanto a geopolítica. E é emblemático que tal movimento tenha eclodido de dentro do país que, desde o fim da Segunda Guerra Mundial, se consolidou como o estandarte do capitalismo liberal.

Eis que o tal “Consenso de Washington”, combatido em toda parte pelas esquerdas ditas anti-imperalistas, vai desmoronando pela força dos próprios agentes que, outrora, o promoveram, numa inflexão ideológica que reabilitou o protecionismo e traiu o livre mercado.

Não se sabe se Trump ganhará o desejado Nobel da Paz pelos esforços de negociação no Oriente Médio, o que se sabe é que ele já faz merece um doutor honoris causa da Unicamp pelas suas teses econômicas

Entre 1987 e 2008, ou seja, entre os estertores da União Soviética e a crise do subprime, o comércio de bens e serviços globais se expandiu de forma ininterrupta, alcançando nada menos que 51% do Produto Interno do Bruto produzido no planeta inteiro. Foi um período de acúmulo de riqueza quase que sem par desde a Revolução Industrial. E também foi o momento em que os acordos de livre comércio se consolidaram, incluindo a zona do Euro e o tratado da América do Norte. A realidade agora é outra.