EUA querem que Netanyahu condene cerco de colonos à vila palestina na Cisjordânia | Mundo


Os Estados Unidos querem que o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, condene publicamente o cerco imposto por colonos judeus a uma vila palestina na Cisjordânia, disseram autoridades americanas e israelenses nesta sexta-feira. Enquanto isso, colonos pressionavam os moradores ao montar uma nova tenda, que foi retirada após a chegada de soldados israelenses.

Colonos mantêm há quase uma semana um cerco a casas em Qusra, na Cisjordânia ocupada, deixando palestinos presos em uma área onde, segundo grupos de direitos humanos, colonos promovem um esforço coordenado para tomar mais terras, reduzindo ainda mais o território no qual os palestinos pretendem estabelecer um Estado.

O cerco provocou críticas públicas dos EUA. O embaixador americano em Israel, Mike Huckabee, um forte defensor dos assentamentos judaicos na Cisjordânia, condenou na quinta-feira os colonos que cercavam uma casa palestina, classificando-os de “terroristas israelenses”.

Uma autoridade americana e uma autoridade israelense disseram nesta sexta-feira que integrantes da Casa Branca estão pressionando Netanyahu a condenar publicamente o cerco.

Washington começou a protestar depois de saber que a casa de um palestino-americano estava entre as propriedades sitiadas, disseram as duas autoridades, que falaram sob condição de anonimato para descrever conversas delicadas das quais tinham conhecimento.

Netanyahu não se pronunciou sobre o cerco em Qusra. Nem seu gabinete nem a Casa Branca responderam imediatamente aos pedidos de comentários.

Soldados do Exército israelense impedem o avanço de ativistas que marchavam com alimentos e água em direção às casas de três famílias palestinas sitiadas por colonos israelenses há seis dias, na vila de Qusra, na Cisjordânia ocupada, ao sul de Nablus, em 14 de agosto de 2026 — Foto: AP Photo/Majdi Mohammed
Soldados do Exército israelense impedem o avanço de ativistas que marchavam com alimentos e água em direção às casas de três famílias palestinas sitiadas por colonos israelenses há seis dias, na vila de Qusra, na Cisjordânia ocupada, ao sul de Nablus, em 14 de agosto de 2026 — Foto: AP Photo/Majdi Mohammed

‘Os colonos ainda estão aqui’

A violência de colonos na Cisjordânia aumentou nos últimos três anos desde os ataques liderados pelo Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023. Condenar os colonos poderia representar um risco político para Netanyahu a cerca de dois meses de uma eleição, ao potencialmente desagradar eleitores dos assentamentos dos quais dependem setores de sua coalizão de direita.

Pesquisas de opinião indicam que Netanyahu pode perder o poder, com sua imagem na área de segurança ainda abalada pelos ataques do Hamas em 2023. “Estamos com muito medo”, disse à Reuters por telefone Aysha Hassan, palestina que vive em uma das três casas sitiadas na vila. “Não há nada de novo. Está assim há seis dias… os colonos ainda estão aqui”, acrescentou.

Hassan afirmou ter visto colonos abaixo de sua casa nas primeiras horas da manhã e compartilhou com a Reuters vídeos que, segundo ela, foram gravados de sua janela e mostram grupos de colonos circulando na área abaixo da residência.

As Nações Unidas afirmaram que cerca de 15 palestinos, incluindo duas crianças, estavam presos dentro de suas casas, sem água nem eletricidade.

Imagens gravadas por um morador palestino preso em outra das casas sitiadas e obtidas pela Reuters mostram sete colonos do lado de fora, próximos a uma tenda azul. Um deles aparece atirando pedras em direção à vila, enquanto outro chega carregando cadeiras.

Posteriormente, veículos e soldados do Exército israelense chegam ao local, e a tenda aparece desmontada no chão.

“Civis israelenses montaram uma tenda na região de Qusra, e soldados das Forças de Israel atuaram para removê-la enquanto protegiam os moradores locais”, disseram as Forças Armadas de Israel em comunicado, um dia depois de dezenas de soldados terem sido enviados a Qusra e ocupado várias casas da vila.

O governo de Netanyahu, o mais à direita da história de Israel, liderou uma rápida expansão dos assentamentos na Cisjordânia, território capturado por Israel na guerra de 1967. Israel estabeleceu dezenas de novos assentamentos e postos avançados de colonos na região.

Grupos de direitos humanos afirmam que colonos vêm tentando tomar propriedades nos arredores de Qusra e da vizinha Jalud como parte de uma estratégia para ocupar as terras entre as duas localidades e conectá-las a postos avançados de colonos ao sul e a assentamentos maiores a oeste.

Soldados israelenses observam enquanto ativistas palestinos e israelenses acompanham proprietários palestinos em sua propriedade, ameaçada de confisco por colonos israelenses, em Beit Sahour, na Cisjordânia ocupada por Israel, em 14 de agosto de 2026 — Foto: REUTERS/Mussa Qawasma
Soldados israelenses observam enquanto ativistas palestinos e israelenses acompanham proprietários palestinos em sua propriedade, ameaçada de confisco por colonos israelenses, em Beit Sahour, na Cisjordânia ocupada por Israel, em 14 de agosto de 2026 — Foto: REUTERS/Mussa Qawasma

Homens uniformizados rezaram com colonos

O cerco começou no fim de semana, quando colonos bloquearam a estrada que dá acesso às três casas e montaram uma tenda em frente às propriedades, impedindo a entrada ou a saída de qualquer pessoa. Antes disso, eles haviam cortado o fornecimento de água e eletricidade.

As Forças Armadas israelenses afirmaram que soldados estão mobilizados em Qusra desde a manhã de quinta-feira para proteger os moradores e manter a segurança.

Um vídeo do início da semana mostrou vários israelenses usando uniformes militares verdes participando de uma oração matinal com os colonos na tenda. Os militares afirmaram que estavam tomando medidas disciplinares contra qualquer integrante das forças envolvido no episódio.

A Cisjordânia abriga cerca de 3 milhões de palestinos e 500 mil colonos. Há aproximadamente 146 assentamentos na região, além de 390 postos avançados menores, segundo a organização israelense Peace Now, que monitora os assentamentos.



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