Por que os EUA barraram a entrada de robôs humanoides chineses?


O governo dos Estados Unidos proibiu a importação de robôs humanoides e quadrúpedes fabricados por empresas estrangeiras, em uma medida que afeta diretamente a China, maior fornecedora mundial desse tipo de equipamento.

A decisão, anunciada pela administração Trump, cita riscos à segurança nacional e vulnerabilidades de cibersegurança como justificativas centrais para o veto.

A proibição também abrange conversores de energia utilizados para conectar infraestruturas de energia renovável e baterias à rede elétrica. Os modelos já em uso estão excluídos das novas restrições.

A medida representa mais um capítulo na disputa tecnológica entre Washington e Pequim, especialmente no campo da inteligência artificial e da robótica avançada.

A FCC (Comissão Federal de Comunicações) emitiu comunicado afirmando que “esses dispositivos podem criar vulnerabilidades na cadeia de suprimentos que poderiam prejudicar a segurança econômica e nacional dos EUA, além de representar um risco de cibersegurança para infraestruturas críticas americanas”.

A decisão foi baseada em uma determinação de segurança nacional feita na segunda-feira (27) por um órgão interagências convocado pela Casa Branca, que alertou que robôs conectados à internet podem representar riscos à privacidade de dados.

O documento oficial aponta que os robôs humanoides “coletam dados que poderiam ser explorados por atores mal-intencionados para vigiar americanos, ampliar as capacidades de serviços de inteligência estrangeiros ou para controlar remotamente os robôs”.

A China domina o setor de robôs humanoides de forma expressiva. De acordo com a plataforma de pesquisa jurídica LexisNexis, seis das dez principais startups do mundo nesse segmento, classificadas por força de patentes, são chinesas.

No ano passado, empresas chinesas responderam por 90% das remessas mundiais, enquanto concorrentes americanas como Tesla e Figure AI ainda enfrentam dificuldades para iniciar a produção em massa.

Os EUA eram o principal destino externo para os androides fabricados na China, segundo a firma de pesquisa tecnológica Interact Analysis.

Em resposta à proibição, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, afirmou que Pequim se opõe ao que classificou como o hábito americano de “abusar do conceito de segurança nacional para suprimir empresas chinesas”, prometendo “tomar as medidas necessárias” para defender seus interesses.

“O protecionismo não vai aumentar a competitividade dos EUA; só vai prejudicar os interesses das empresas e consumidores americanos”, disse ela em coletiva de imprensa.

Na quinta-feira (30), o Ministério do Comércio da China acusou os EUA de “intimidação unilateral” e “distorção de mercado”, exigindo que Washington revogue imediatamente a proibição, sob pena de retaliação.

A CNN entrou em contato com os principais fabricantes chineses de robôs humanoides, incluindo Unitree, Agibot, UBTech e Galbot, para obter comentários.

Esta não é a primeira vez que a FCC proíbe tecnologias estrangeiras com foco em empresas chinesas. Em dezembro passado, medidas semelhantes foram adotadas contra drones fabricados no exterior, cortando efetivamente o acesso da gigante tecnológica chinesa DJI ao mercado americano.

Soumen Mandal, analista principal da firma de análise de mercado Counterpoint Research, avaliou que o momento da decisão provavelmente não é coincidência, já que vários fabricantes chineses de robôs humanoides, incluindo a Unitree, estão se preparando para abrir capital este ano.

“Empresas americanas como Tesla, Figure e Boston Dynamics se beneficiam muito com essa notícia”, disse ele.

Para as empresas chinesas, a proibição deve afetar as vendas nos EUA no curto prazo, segundo Lian Jye Su, analista-chefe de inteligência artificial e robôs humanoides da firma de pesquisa Omdia.

Mas ele espera que o impacto geral seja “mínimo”, diante das tensões geopolíticas já consolidadas entre os dois países.

“Elas eram realistas sobre suas oportunidades no mercado americano, e a proibição atual reflete suas expectativas”, disse, acrescentando que muitos fornecedores chineses estão mirando a Europa como principal destino.

“Dada a atual escassez de alternativas, a proibição dificilmente vai prejudicar sua trajetória de crescimento”, completou Su.



Source link

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *