Calor extremo bate recordes na Europa Central e de Leste e obriga ao encerramento de centrais elétricas


Vários países da Europa Central e de Leste registaram novos recordes de temperatura, numa altura em que o calor extremo continua a agravar incêndios, secas e dificuldades no funcionamento de infraestruturas críticas.

Na Eslováquia, a agência hidrometeorológica anunciou esta quinta-feira uma temperatura de 42 graus em Dolné Plachtince, um novo máximo para o país.

Também Áustria e Hungria registaram valores recorde, num contexto de temperaturas excecionalmente elevadas que continuam a pressionar populações, sistemas energéticos e ecossistemas em diferentes pontos da região.

Polónia encerra duas centrais por falta de água

Na Polónia, os baixos níveis de água no rio Vístula obrigaram as autoridades a suspender a atividade das centrais a carvão de Kozienice e Połaniec.

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A redução da disponibilidade de água comprometeu o sistema de arrefecimento das duas instalações e retirou cerca de 1,3 GW de capacidade ao sistema elétrico polaco.

Na quarta-feira, o primeiro-ministro Donald Tusk tinha já apelado aos empregadores para que protegessem os trabalhadores dos efeitos do calor, garantindo acesso a ar condicionado e água fresca.

Alemanha contabiliza milhares de mortes associadas ao calor

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Na Alemanha, ativistas climáticos concentraram-se junto à chancelaria para exigir o fim da utilização de combustíveis fósseis e criticar o que consideram ser insuficiente ação governamental perante as consequências das temperaturas extremas.

Novas estimativas do Instituto Robert Koch apontam para cerca de 11.900 mortes associadas ao calor no país durante este verão.

Annkatrin Schwirten, da Fridays for Future Berlin, atribuiu a situação à continuidade de uma política energética baseada em combustíveis fósseis e defendeu que milhares de mortes relacionadas com o calor não podem ser encaradas como uma realidade normal do verão.

Hungria recupera parte da produção nuclear

Na Hungria, o primeiro-ministro, Péter Magyar, anunciou que uma das turbinas da central nuclear de Paks voltou a funcionar depois de uma interrupção temporária.

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O chefe do Governo indicou também que o nível do Danúbio subiu nove centímetros em relação ao mínimo registado no domingo e que era esperada chuva nas zonas austríacas da bacia hidrográfica.

Apesar disso, pediu uma redução voluntária do consumo de eletricidade devido às temperaturas elevadas.

Seca aumenta pressão sobre energia e recursos naturais

O calor intenso e a continuação da seca estão a exercer forte pressão sobre comunidades locais, infraestruturas críticas e vida selvagem em vários países da região.

Paweł Pomian, da organização ambiental polaca EKO-UNIA, considera que as próprias centrais que contribuem para as alterações climáticas estão cada vez mais expostas aos seus efeitos.

O responsável defende que o impacto das condições extremas deste verão deve servir de alerta para toda a Europa e argumenta que o reforço da produção eólica e solar pode reduzir a dependência de tecnologias que necessitam de grandes quantidades de água para produzir eletricidade.



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